"... a indústria da informática tem um grande interesse em dotas as escolas de computadores, independentemente do modo como eles venham a ser utilizados. Mas todos os computadores que entrem na escolas, mesmo por razões de natureza conservadora criam oportunidades para o aparecimento na escola de mudanças importantes, ou mesmo radicais." (Papert, 1997: 218).
Neste capítulo, Papert realça a introdução dos computadores na escola e as reacções de todos aqueles que a integram.
Esta mudança constituiu-se favorável e agradável para alguns, no entanto (e na minha opinião, infelizmente), alguns professores são ainda muito pouco receptivos a esta nova forma de aquisição de conhecimentos e de desenvolvimento de capacidades.
Na minha opinião o uso do computador nas escolas, tem-se vindo a tornar cada vez mais necessário, no entanto é necessário ter cuidado e atenção com o uso que vão fazer dele, é importante que funcionem no sentido de promover as práticas educativas e não como mais uma forma de lazer (até porque nos dias de hoje já existem bastantes, para todos os gostos).
No entanto, será que as escolas têm interesse em promover o uso desta tecnologia?
Papert termina a jornada “ a família em rede” com três histórias especulativas sobre as crianças e a tecnologia, cada uma delas partindo do passado distante em direcção ao futuro imediato:
• Construindo brinquedos – algumas actividades, como a construção de torres, contribuem para o desenvolvimento de uma percepção intuitiva de conceitos da física como o equilíbrio e a estabilidade, mas há muito mais em jogo.
• Brinquedos sociais – Aqui o padrão histórico é formado por dezenas de milhares de anos em que se verificam pequenas mudanças por um período de alguns séculos de transformação moderada, e pela explosão moderna da novidade possibilitada pelo aparecimento das novas tecnologias e materiais. Assim, enquanto o computador vau invadindo o universo infantil, a nossa preocupação deve dirigir-se no sentido de assegurar que, aquilo que há de bem na actividade brincar, seja pelo menos preservado, a mediada de que o conceito “brinquedo” inevitavelmente se altera.
• Ler, escrever e contar – A maior parte das pessoas insistem em que as competências básicas, são apenas uma componente da dieta intelectual equilibrada da escola, constituída pela compreensão da história e da ciência, e pelo desenvolvimento de criatividade das relações sociais, e dos princípios éticos. A identificação da capacidade ler, como forma de medir a “ taxa de desenvolvimento dos países” tem perdido terreno para poder passar ás novas competências que cada pessoa tem com o computador. Hoje em dia um simples emprego, não requer apenas as competências básicas de ler, escrever e contar, os indivíduos têm que adquirir outro tipo de competências próprias desta nova geração, para poderem ser bem sucedidos. Papert considera discutível, se a prioridade que se atribui ás competências básicas continuará a fazer sentido, à medida que se vão formando disponíveis outros meios de acesso ao conhecimento. Eu considero que não, pois basta olhar para o “mundo de fora” e prestar atenção aos novos requerimentos das fichas de candidatura aos diversos empregos, em quase todos eles, senão mesmo todos, vêm a componente da informática, para medir o conhecimento e a destreza do funcionário nessa área.
Ao ler o capítulo VI do livro do Papert, não pude deixar de pensar na minha família e, em especial, nos meus pais. De facto, lembrei-me quando, um dia destes, abria um e-mail que continha um vídeo da minha sobrinha. Os meus pais que sempre foram bastante "avessos" à Internet e aos computadores, não puderam deixar de ficar radiantes por conseguirem ver como é que já podemos ver alguém que se encontra na Madeira.
Talvez tenha havido esse interesse por se tratar da neta deles (dos meus pais)... O que é facto é que eles agora já encaram a Internet de um ponto de vista mais aberto e positivo... Já não vêem a 'net como algo que só corrobora as mentes e que só serve para gastar dinheiro, tempo, fazer mal aos olhos, etc....
Conclusão... O que é preciso é encontrar um motivo, um incentivo, algo que atraia o interesse das pessoas que nunca tiveram um computador a vida toda e que, portanto, nunca souberam trabalhar com as novas tecnologias... Foi essa a principal reflexão que este capítulo me trouxe.
No entanto.... Não posso deixar de achar que a realidade ainda é bastante mais limitada do que as ideias de Papert...
Entre as funções que tradicionalmente continuam a ser atribuídas à escola, sobressai a de transmissora dos saberes que numa dada época são considerados socialmente úteis. Nos nossos dias, perante o papel algo hegemónico ocupado pelos meios de comunicação de massas nesta transmissão, esta função tem vindo a ser questionada. O permanente fluxo de informação veiculado pelos meios de comunicação de massas, modificou consideravelmente o modo como passaram a ser encarados os sistemas tradicionais de educação, revelando as suas debilidades e forçando a sua mudança, nomeadamente através da ampliação do campo das actividades autodidácticas e acentuando o valor das atitudes activas e conscientes para a aquisição de conhecimentos.
Neste contexto é inevitável que a escola se adapte aos novos desafios decorrentes da evolução da sociedade. Torna-se necessário definir um novo perfil de escola, por oposição a escola tradicional, no entanto, o papel da escola e dos professores não deixa de ser de extrema importância, antes pelo contrário.
Estes têm sim, que admitir que deixaram de ser a fonte exclusiva do saber, pois a informação está ao alcance de todos, até das crianças, mesmo fora do contexto institucional. Saber admitir e encarar esta realidade, tal como saber lidar com ela e tirar o melhor partido da mesma é agora o novo desafia que se coloca aos agentes educacionais e que todos afirmem o mesmo que afirmou o professor citado por Papert: “Tudo isto me fez sentir que não podia continuar a fazer de conta que sabia tudo, o que foi um enorme alívio!” (p.225)
“ O escândalo da educação reside no facto de sempre que ensinamos algo estamos a privar a criança do prazer e do benefício da descoberta” (p.103).
A aprendizagem de uma criança fundamenta-se na compreensão, é com a experiência, por tentativas e erros, que a criança percebe e aprende, não basta um adulto dizer que é desta forma ou daquela que as coisas funcionam – é neste sentido que Papert defende a utilização de jogos de vídeo educativos, pois estes podem levar uma criança a novas aprendizagens, posto que ninguém faz algo para a estimular, apenas, alguém, cria uma situação, em que é a criança que faz alguma coisa, fundamentando-se na compreensão.
O terceiro capítulo fala-nos das distinções bem visíveis nos nossos dias, entre a “aprendizagem tradicional e aprendizagem por computador”(p:64), pois enquanto que numa existe um “contacto humano e afável”(p:64), na outra a realidade é mais de uma “atmosfera desumana e mercantil”, como nos é descrito pelo autor ao fazer o retrato da lojinha Abacatus em contraste com a maior loja de brinquedos da região.
Apesar de tudo, tanto uma como a outra trazem lados positivos e negativos, mas quando se fala de aprendizagens por computador/Software, à que ter conhecimento e noção do que se está a comprar, pois, na sua maioria, “as decisões fundamentais dos pais sobre o quê e como os seus filhos aprendem é fortemente influenciados pelos resultados de um processo de selecção, no qual o estardalhaço produzido pelos meios de comunicação social pode prevalecer sobre a filosofia educativa”(p:65).
Por estas razões, entre outras, considero que nunca é demais relembrar alguns dos princípios básicos, quando se fala deste tipo de educação:
- Procurar software que permita a quem aprenda encarregar-se das suas próprias explorações, construções e criações;
- Procurar programas que permitam que os raciocínios difíceis e aprendizagem de factos possam ser treinados e reforçados;
- Procurar programas que viabilizem actividades que possam ser discutidas em colaboração entre pais e filhos, de um modo em que saia reforçado o orgulho da criança em exercer o seu domínio;
- Procurar programas que equilibrem componentes de vária ordem para o intelecto da criança.
À pois que cortar com a tendência natural cujo “critério principal consiste no alinhar em «modas» - comprar o que os vizinhos referiam”.
Confesso que quando vi o livro pela primeira vez, olhando para um título aparentemente pouco sugestivo, nunca pensei que este tivesse, na realidade, muito para nos dizer e, acima de tudo, fazer pensar, pois trata de temas muito actuais e que se prevê terem ainda muito para dizer – as tecnologias na educação – isto porque, tal como o próprio autor afirma, “nenhum dos problemas mundiais será resolvido, a não ser que as pessoas, nomeadamente as da próxima geração, aprendam melhores formas de pensar do que as que deram origem aos problemas actualmente existentes”(p.42).
As tecnologias na educação, quando bem aplicadas são de facto uma mais valia para a aprendizagem, nisso acho que ninguém tem duvidas, no entanto, esta “luta” entre os Ciberutópicos e Cibercríticos, talvez nasça também de um medo, destes últimos, pelos limites que aparentemente não existem, ou seja: até que ponto irá a nossa dependência pelas máquinas, estamos cada vez mais a entrar num ciclo vicioso, ciclo esse que cada vez mais se vem a apoderar também da educação, daí que sejam compreensíveis as preocupações dos Cibercríticos. Nestas questões acho que Papert tem uma visão bastante racional “é necessário encontrar uma melhor abordagem do que simplesmente escolher lados”(p.42). Penso que a seguinte mensagem diz tudo relativamente a estas questões, “depende de si, muito mais do que aquilo que poderá pensar, o delinear do seu futuro e do dos seus filhos, no que diz respeito ao computador”(p.43).
Quando falava, na minha reflexão do primeiro capítulo, das dificuldades que os pais têm ao lidar com o avanço extraordinários das novas tecnologias e com as mudanças que estas trouxeram a todos o níveis, penso, tal como Papert, que estas são em muito equivalentes ás dificuldades que os professores se deparam quando tentam criar uma parceria entre os computadores e o ensino. Estes, tal como aborda o autor, comportam-se realmente como umas “tecno-avestruz”, pois esquecem-se que tal tecnologia só funciona se criarem condições para tal, se existirem “espantosas mudanças, muito para além de um mero aperfeiçoamento”.
"A escola é um caso notável de uma área que não sofreu grandes mudanças ... sim a escola mudou... mas não tanto como isso.” (Papert, S. 1996: 212)
De facto a entrada das novas tecnologias no contexto curricular formal das escolas é um processo recente e extremamente complexo no meu ponto de vista. Concordo com o autor quando afirma que "a Escola mantém-se, nos seus aspectos essenciais, muito semelhante ao que sempre foi, e as mudanças entretanto verificadas (quer para o melhor, quer para o pior) não podem ser atribuídas à tecnologia" (Papert, S 1996: 204).
Conseguir uma escola melhor passa pela introdução do computador na formação inicial dos professores. Para que aprendam a trabalhar com ele e assim proporcionar diferentes formas de o utilizar como uma ferramenta de aprendizagem.
A fraca utilização das tecnologias, nomeadamente, por parte dos professores, não incentiva a tomada de consciência do papel fulcral da sua utilização na educação.
Como na chegada de outros media, os computadores foram bem aceites por uns e mal vistos por outros. Alguns professores tiveram dificuldades em aceitar os computadores na aula, pois tinham receio que estas máquinas lhes roubassem o seu lugar de educadores e também porque njão tinham tempo de aprender a lidar com os computadores.
Papert dá um exemplo desta realidade no capítulo 7 do seu livro. Um professor que tinha receio de perder o lugar de educador, uma vez que não dominava totalmente esta àrea. Este professor acabou por perceber que errar é bom, pois através do erro é que se efectuam novas aprendizagens.
No meu caso, e por até à bem pouco tempo não ter um contacto tão sistemático com computadores, aprendi a deixar de ter medo de experimentar e assim fui descobrindo novas funções do computador, ou seja, fui aprendendo.
Neste capítulo o autor fala dos vários projectos que se podem fazer através das tecnologias.
Interessou.me principalmente a parte relativa à Internet, uma vez que vou realizar uma apresentação deste tema na aula.
Como afirma Seymour Papert, "...a Internet é uma optima fonte de material...".(pp:158). Esta fonte pode ter várias utilizações, tudo depende daquilo que cada um procura obter.
Contudo, esta fonte inesgotavél de informação tem de ser avaliada pelos utilizadores, uma vez que se pode encontrar de tudo na Internet e que a informação ai disponível não é sujeita a nenhum tipo de avaliação.
Neste sentido existem alguns critérios segundo os quais a informação pode ser avaliada, são eles a exactidão, a actualidade. os autores,a objectividade e o conteúdo.
“ a indústria da informática tem um grande interesse em dotar as escolas de computadores, independentemente do modo como eles venham a ser utilizados.”
Segundo o autor os computadores que entram nas escolas criam oportunidades para que se realizem mudanças importantes. A meu ver mesmo que estes sejam utilizados para investigar ou mesmo para brincar os alunos estam sempre a aprender. Assim, numa escola é fundamental que haja computadores, para que todos os alunos possam estar ligados tanto com as novas tecnologias como o mundo que os circula. Através da Internet, alguns alunos podem reter muitas informações que não teriam oportunidade de o fazer se a escola não tivesse computadores. Assim, a Internet pode ser um meio pelo o qual o aluno aprende, sem saber que o está a fazer.
" Esta qualidade (plasticidade) transporta as crianças para níveis mais complexos de actividade, desenvolvendo um estilo intelectual, criativo que dá primazia à fluidez e à abertura."
Muitos dos brinquedos com que as crianças de hoje brincam, a sua grande maioria não incentiva ao desenvolvimento das capacidades intelectuais da criança.
No entanto, os legos, continuam a ser um dos brinquedos mais comprados, precisamente porque são brinquedos concebidos com o objectivo de permitir o desenvolvimento das capacidades da criança, tais como a criatividade, o espírito de abertura etc.
É muito mau que a maioria das crianças perfiram os bonecos de combate. os robots e afins do que os brinquedos que de uma forma ou outra iriam permitir o seu divertimento e ao mesmo tempo o desenvolvimento das suas capacidades.
"a forma como segundo a qual os computadores são usados - ou não são usados - para melhorar a educação, pode ter importantes consequências no futuro do país e do próprio mundo e, naturalmente, em cada um de nós e na nossa família."
A utilização dos computadores para fins educativos, é essencial, principalmente naquilo que considero ser motivador.
A pesquisa via internet, a elaboração de trabalhos via computador é algo bem mais motivador do que a leitura, a aprendizagem por via de memorização ou exposição, métodos estes muito utilizados na escola clássica, mas que nos dias de hoje se encontra "ultrapassado". A aprendizagem por via de material tecnologico é bem mais motivador para o aluno, permitindo aumentar as suas capacidades criativa, interactiva etc.
Assim, o aluno torna-se um elemento mais activo na construção da sua própria aprendizagem.
Neste último capítulo, Papert refere-se
sobretudo à evolução dos brinquedos e do seu efeito pedagógico no desenvolvimento e formação criativa da criança desde os tempos mais remotos em
que os brinquedos eram feitos de madeira, metal ou plástico, até aos actuais, que são essencialmente brinquedos virtuais, como os computadores e outros jogos!
Mas para além da sua evolução, Papert salienta também as insuficiências e as virtudes de uns e outros brinquedos, e os sentimentos e afectos provocados por ambos, perspectivando ainda aquilo que poderão dar os brinquedos no futuro e a possibilidade destes se tornarem interactivos às mãos das próprias crianças.
Cada vez mais as crianças procuram os brinquedos de "bits" e vão esquecendo os velhos brinquedos... mas... não será um pouco perigoso as crianças desde cedo, ficarem tão aficionadas a estes jogos virtuais?
Papert afirma que "...esta qualidade transporta as crianças para níveis mais complexos de actividade, desenvolvendo um estilo intelectual criativo que dá primazia à fluidez e à abertura..."(Papert, 1996:245)
Mas..e o Lego, como Papert refere? O lego não desenvolve esse "estilo intelectual criativo"? Porque terão as crianças que se prenderem logo às novas tecnologias? Não lhes tiro a qualidade, nem lhes tiro a importância na aprendizagem, mas apenas acho que não são o único brinquedo que podem desenvolver a criança a nível cognitivo.
Estas são competências que hoje são essenciais para viver em sociedade. Portanto motivar uma pessoa a ler, a escrever e até mesmo a contar é muito importante. É um facto, que os computadores com os seus
softwares educativos, a Internet e e o trabalho com muitas outras tecnologias podem em muito contribuir para ajudar as crianças na aquisição de tais competências básicas. No entanto, sem me querer contradizer e pensando um pouco ao contrário de Papert, penso que podem, sim, ajudar, mas não apoio a ideia de que tal ajuda se situe em anos anteriores àqueles que ela própria tem para adquirir e desenvolver tais competências. Noutras palavras, não acho correcto ensinar uma criança a ler, a escrever e a contar precocemente com a ajuda de um computador ou de qualquer outra tecnologia. Não ponho o problema no material que se utiliza, mas apenas no tempo em que se quer utilizar tal material. Isto porque, uma criança tem o seu próprio tempo, no seu desenvolvimento, para brincar e, portanto, desta forma estaríamos a retirar-lhe a coisa que ela mais preza - a "brincadeira" - introduzindo-a num mundo que, provavelmente ainda, não lhe será muito atractivo. Aliás, o que preferiam se tivessem 3 anos? Estar no recreio a brincar às escondidas ou numa sala com um computador a clicar, a clicar? Para não falar que se quebraria aquilo pelo qual se lutou no passado: a
definição de criança como tal e não de criança como "adulto em miniatura", porque lhes estaríamos a roubar o tempo para as suas brincadeiras, próprias da idade, tal como acontecia antes onde
as crianças não tinham espaço para crescer como tais.
Acredito que uma criança mexeria sem cessar no computador, mas talvez apenas seria motivada pela vontade de brincar, mas penso que se na sala ao lado ouvisse risadas de outras crianças provavelmente iria escolher estar ao pé delas e a participar nas suas brincadeiras. Logo, não seria difícil mantê-la sentada numa cadeira a clicar para aprender a ler, a escrever e a contar? Seriam úteis este tipo de aprendizagens para crianças com dificuldades em aprender a ler, a escrever e a contar. Também , talvez, para crianças que já tivessem essas competências de modo a desenvolver a sua própria leitura, escrita e as suas próprias "contas".
A família sempre foi, é sempre e sempre será o nosso refúgio. Talvez isso se deva ao facto de ser com ela que nascemos, que crescemos e que está sempre do nosso lado. Assim, torna-se óbvio concluir que talvez seja junto dela que passamos uma grande parte do nosso tempo vital, pelo que assume uma papel fundamental em tudo o que somos.
E uma parte daquilo que somos é o resultado de todo um processo de construção que sofremos desde o momento em que nascemos até morrermos. Não obstante a tudo isto, há que salientar o facto de sermos um reflexo dos nossos próprios pais e da própria educação que eles receberam.
A primeira vez que eu, por exemplo, tive um computador em casa foi quando tinha já 17 anos. Os meus pais nunca souberam mexer num computador, e talvez por isso, nas primeiras vezes que experimentei "explorar" um, quase que tinha medo. Cresci com muitos outros privilégios mas o computador nunca foi um desses privilégios. Com efeito, acredito que, se tivesse uns pais que tivessem crescido em contacto com um computador, quando comecei a "relacionar-me" com um, tivesse tido muito mais facilidade. Mas isso não aconteceu!
Contudo, concordo com Papert quando ele fala em "cultura familiar de aprendizagem". Um dia que tinha os meus filhos, e caso tenha possibilidades, vou seguir a sua sugestão de criar momentos de partilha, de lazer e, ao mesmo tempo de aprendizagem, nomeadamente tirando o melhor partido do computador e das novas tecnologias.
Acima de tudo, temos de atender ao progresso de tudo e esse progresso passa pelas novas tecnologias e um momento importantíssimo da aprendizagem passa pela instituição "família".
A cultura familiar da aprendizagem A família sempre foi
A cultura
familiar da aprendizagem (Cap. V)
A família sempre
foi, é sempre e sempre será o nosso refúgio. Talvez isso se deva ao facto de
ser com ela que nascemos, que crescemos e que está sempre do nosso lado. Assim,
torna-se óbvio concluir que talvez seja junto dela que passamos uma grande
parte do nosso tempo vital, pelo que assume uma papel fundamental em tudo o que
somos.
E uma parte daquilo
que somos é o resultado de todo um processo de construção que sofremos desde
o momento em que nascemos até morrermos. Não obstante a tudo isto, há que
salientar o facto de sermos um reflexo dos nossos próprios pais e da própria
educação que eles receberam.
A primeira vez que
eu, por exemplo, tive um computador em casa foi quando tinha já 17 anos. Os
meus pais nunca souberam mexer num computador, e talvez por isso, nas primeiras
vezes que experimentei "explorar" um, quase que tinha medo. Cresci com
muitos outros privilégios mas o computador nunca foi um desses privilégios.
Com efeito, acredito que, se tivesse uns pais que tivessem crescido em contacto
com um computador, quando comecei a "relacionar-me" com um, tivesse
tido muito mais facilidade. Mas isso não aconteceu!
Contudo, concordo
com Papert quando ele fala em "cultura familiar de aprendizagem".
Um dia que tinha os meus filhos, e caso tenha possibilidades, vou seguir a sua
sugestão de criar momentos de partilha, de lazer e, ao mesmo tempo de
aprendizagem, nomeadamente tirando o melhor partido do computador e das novas
tecnologias.
Acima de tudo, temos
de atender ao progresso de tudo e esse progresso passa pelas novas tecnologias e
um momento importantíssimo da aprendizagem passa pela instituição
"família".
Num mundo com tantas contradições, o futuro torna-se um tempo incerto!
Ao longo de todo o meu percurso escolar nunca fiz de uma ideia poderosa! Agora que estou neste curso, sinto-me um meio em construção de uma ideia poderosissíma, «Mudar um mundo através da Educação».
Sei que, actualmente, a mentalidade escolar que o país e o mundo possuiem não permite a utilização de todo o potencial dos recursos que nos rodeiam. Mas acredito que são pessoas como os alunos deste curso (Ciências da Educação) que vão mudar isso!!!
Eu entrei na faculdade com conhecimentos muito rudimentares ao nível dos computadores e hoje em dia estou a construir um site. Esta acção era apenas uma fantasia na minha cabeça e para muitos vai ser sempre.
No entanto, eu junto-me a Papert e escolho acreditar que o amor que as crianças sentem naturalmente que vai mudar a visão da tecnologia por parte dos educadores que estão espalhados pelo mundo!
A ideia mais poderosa que podemos ter é que nunca atingiremos a plenitude da tecnologia nas nossas escolas sem adquirirmos fluência tecnológica, e isso.... só agindo!!!
Para concluir esta experiência enriquecedora, quero agradecer:
aos meus colegas pelos contruibutos e posteriores reflexões que me obrigaram a ter;
ao professor por me indicar este livro;
a amigos extra-faculdade que tiveram discussões acesas comigo devido a certas ideias de Papert;
e a Papert pelas ideias fabulosas que me deu e que me fizeram a idealizar um projecto familiar!
Obrigado pela atenção a tenham muitas ideias poderosas!!!
Capítulo VIII - A escola dos tempos de hoje.. (Papert, 1996:226)
Como está a escola dos tempos de hoje?
Embora a escola seja considerada uma fonte de saber de grande prestígio, ela tem vindo a descrescer na opinião de alguns autores. As crianças acreditam menos na escola que antigamente, uma vez que se vão apercebendo do atraso que esta tem perante o desenvolvimento veloz da sociedade. Vivemos numa época de grandes mudanças e de grande desenvolvimento a vários níveis. O aluno vai tendo cada vez mais noção de que a escola não é a única fonte de saber, e que há outros meios.
Penso que face ao atraso relativo á sociedade, a escola deve utilizar métodos mais convincentes e que consigam captar mais atenção dos alunos, pois caso contrário pode vir a aumentar a probabilidade de problemas de natureza disciplinar no seu seio.
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capítulo VI - Interacção dos Adultos com os Computadores (Papert, 1996: 172)
Actualmente, embora com menos frequência, observa-se que os adultos assumem um tipo de relação distanciada face aos computadores. Estes parecem ter medo de o utilizar, uma vez que se sentem inconfortáveis.
Tal não acontece com as crianças, pois estas adoram os computadores e sentem-se confortáveis na sua utilização. A diferença entre ambas as categorias reside no facto de estar relacionada com uma época mais moderna em que estamos a viver. Hoje em dia, as crianças são postas em contacto com os computadores ainda muito precocemente, ao passo que a maioria das pessoas mais velhas não teve esse contacto.
As tecnologias são um meio muito úti, pois através delas podemos fazer imensas coisas em tempo real. Deste modo aconselho todas as pessoas que não tenham um contacto muito directo com os computadores a experimentá-los, pois estes são de precioso auxílio na nossa vida. Considero ainda que devia constar no currículo do 1º ciclo, uma disciplina obrigatória acerca das NTIC, garantindo assim que todas as criaças tivessem igual acesso a esta "ferramenta".
Uno dos aspectos que siguem levantando mais controvérsia em o tema da informática é a dúvida de si o uso dos computadores provocará que os miúdos deixen a um lado os livros a leitura... e dediquem todo seu tempo a brincar com seus computadores.
Não devemos hoje em dia seguir pensando de esa maneira:
o computador versus a leitura - os bits versus as letras
...não são contrários, mas masi bem são dois aspectos complementares dum tudo: Nossa Cultura.
"Imagine um grupo de professores que chegasem do século passado, para ver como as coisas se passam nos nossos dias..."
Estas palavras fazem-me fechar o livro e pensar um bocadinho sobre essa possibilidade. Sentiriam-se orgulhosos esos professores de como han mudado algumas coisas?
Sentiriam curiosidade sobre como se utilizam esas pequenas máquinas chamadas computadores?
Estaríam orgulhosos de como a aumentado o número de universidades?
Descobririam nos professores de hoje novas metodologias pedagógicas ou se referiríam a elos como um reflectido dos pedagogos clasicos em tempos diferentes?
Veriam nos alunos de hoje aos alunos de suos anos?
Papert faze-me neste capítulo lembrar-me de como a minha irmã quando era mais pequena (agora já tem 14) gostava muito de brincar com o programa Paint de Microsoft.
Ela gostava muito de desenhar e pintar e supongo que este programa era especialmente interessante para ela pois ela podia pintar, desenhar mudando constantemente de formas, tamanhos para gravarlos ou posteriormente eliminarlos.
Gostava, aqui, de dizer que considero que a Cátia tem toda a razão!!! Aliás, acho que mais certa ela não poderia estar... Este livro levanta toda uma série de questões que nos fazem pensar e reflectir. Com efeito, por vezes, parece que o computador é tudo... E quem não tiver um, já pouco consegue fazer...
Com efeito, nem todas as crianças possuem esse objecto tão útil e, ao mesmo tempo, tão valorizado. E nesse aspecto, por mais que se diga que as escolas já possuem esse tipo de equipamento, que existem ciber-cafés, etc, não podemos deixar de admitir que a realidade não está bem de acordo com o que em, muitos casos, se idealiza.
Mas voltando ao comentário que a Cátia fez... De facto, cada vez mais, o objecto "computador" é dado como algo essencial... A palavra, a meu ver, é útil, não essencial.
A turma está a realizar um trabalho para Práticas Educativas III que consiste em ir para uma instituição realizar tarefas relacionadas com o curso. No meu caso, estou numa escola a realizar a animação dos recreios. Estou a realizar mais a minha colega de grupo (Carina) um projecto que tem em conta Jogos Tradicionais.
E toda esta explicação para quê?
Se todos tivessem a oportunidade de ver a alegria estampada no rosto das crianças quando lhes são dadas oportunidades de brincar com materiais tão simples como uma grande corda, ou um simples saco para se colocarem lá dentro e fazerem corridas....Podiam perguntar-se se as Novas tecnologias terão tanta importância na vida humana como se pensa.
Com isto não estou a dizer que não sejam importantes, apenas chamo a atenção para este pormenor que parece que hoje em dia poucos se lembram, as nossas origens!
Construir brinquedos informáticos pode ser muito produtivo, socializar pela internet é algo que pode ajudar em muito nas relações entre os sujeitos.... mas será que no fundo tudo isto não poderá ser o reverso da medalha? Será que não nos estamos a esquecer que existe mundo à nossa volta e que podemos aprender muito para alem de um monitor de computador ou de um teclado?
Para concluir os meus comentários, gostaría apenas de dizer que este livro fez-me ver os dois lados da questão e fez-me reflectir muito acerca dos meus próprios valores e sobre tudo o que pensava em relação à internet.
É estranho como um livro nos faz pensar em tantas coisas do quotidiano...
Obrigado por nos ter proporcionado esta leitura professor
"Todas as crianças que têm em casa um computador e uma fortecultura de aprendizagemsão agentes de mudança
na escola."(Papert, 1996: 223)"
O capítulo sete é uma reflexão especialmente interessante para nós enquanto alunos do curso de Ciências da Educação e cidadãos da sociedade actual. No final deste capítulo pensei: Quantos serão os alunos a vivenciar a experiência de uma cultura de aprendizagem familiar? Parece-me que a nossa realidade é bem diferente da Americana.
São poucos os que podem beneficiar de um computador em casa e do apoio paternal a explorá-lo e apreciá-lo, infelizmente o nosso país é o que possuí a maior taxa de analfabetismo na Europa agregado a uma menor percentagem de frequência universitária por parte dos jovens com idades compreendidas entre os 18 e 24 anos.
Esta reflexão preocupa-me! Concordo com a citação supra referida e se as nossas crianças não podem usufruir das novas tecnologias em casa, pelo menos deveriam usá-las na sua segunda casa, na ESCOLA.
Para mim, o conceito de escolaridade doméstica no que concerne ao contexto social e económico português é completamente impensável. Temos de apostar na formação e especialização contínua de professores de modo a que os alunos possam ser também contagiados pelas novas oportunidades tecnológicas e axiológicas.
No meu blog anterior esqueci-me de acrescentar algumas das mudanças que ouvimos todos os dias sobre a escola.
Todos nós ouvimos falar de crianças que por razões de saúde não podem ir à escola e lhes é faculdado um computador em casa, no qual assistem e participam nas às aulas em tempo real.
Num telejornal de um canal que não me lembro qual deu uma reportagem de um professor cego que dava aulas, adicionando a elas (aulas) a componente musical como estímulo para os alunos se interessarem , pois todas as músicas eram relativas a matérias leccionadas.
Mudanças acontecem todos os dois é preciso ter paciência e persistência que mais tarde ou mais cedo as coisas mudam.
Segundo o Papert a escola não sofreu mudanças essenciais.
Afirmação com a qual eu concordo, mas penso que para que a escola sofra mudanças essenciais (se isso ocorrer) é necessário percorrer ainda um grande caminho.
Penso que já aconteceram mudanças importante, mas como todas as mudanças nem sempre se verificam em todo o lado ao mesmo tempo, o facto de na escola básica onde andei e agora é frequentada pelo meu irmão existir uma sala de computadores disponivel aos alunos é já uma ferramenta importante. Acrescentando ainda o facto de já serem pedidas pesquisas na net e trabalhos feitos em computador.
Talvez estes pequenos avanços sejam pouco comparando com os avanços noutras áreas, mas a escola é uma instituição na qual as regras estão muito enraizadas e não deixa de ser uma àrea muito importante na qual existe pouco espaço para experiências devido ao factor educação.
Mas penso que as mudanças na escola vão quase imperativamente acontecer, mesmo que demorem, até porque existem já alguns focos de mudança talvez não tanto tecnológica, mas acontecendo uma importante mudança as outras rápidamente seguem, como se de um baralho de cartas....
A introdução do computador deveu-se mais a pressões exteriores ( económicas, políticas e sociais), do que propriamente à constatação de que as Novas Tecnologias poderiam favorecer o processo de ensino/aprendizagem. A escola encontra-se inserida na sociedade, sendo influenciada por esta e influenciando a própria, muitas vezes interagindo com todas as vertentes que a comportam.
Quando se pensa em introduzir as Novas Tecnologias surgem sempre dois tipos de dúvidas: o sonho do computador naqueles cujas expectativas são grandes na contribuição destes para melhorar a educação e o pesadelo do computador, ou seja, os efeitos negativos que o uso do computador pode ter nas escolas. Talvez por isso é que muitas vezes pais e professores continuem renitentes quanto à aceitação de que a presença de um computador na escola pode favorecer em muito o desenvolvimento das práticas educativas e dos métodos de aprendizagem, tornando o ensino mais objectivo e motivante e as aprendizagens mais significativas. Se ouve ou não mudanças ao nível da escola com a introdução dos computadores é a grande questão! Quando Papert diz, em relação á introdução dos computadores na escola...
«Trabalha depressa, evolui muito rapidamente e cedo originou algumas mudanças em muitos sectores da actividade humana. Mas na Escola não»( Papert,1997, pp 205)
...penso que é uma ideia errada. As mudanças podem não ser bomásticas como aconteceu em muitos sectores sociais e alargadas a uma grande população, mas houve, sim, e continua a haver mudanças. Na Escola (e hoje em muitas acontece!) o que pode acontecer muitas vezes é que certos professores ( e alguns pais?) não aceitam os computadores deliberadamente e vêem-no apenas como um material para distrair os alunos, para os prejudicar nos estudos e a causa das más notas. Se em alguns casos isso é verdade, em muitos outros o computador é sem dúvida uma grande ferramenta. Mas pensando... Nos dias de hoje, onde não há um computador? Não será a falta de formação de professores e pais que impede que muitas vezes o computador seja encarado de uma forma positiva?
É verdade que qualquer computador tem os seus riscos, os seus pontos negativos e pode muitas vezes prejudicar quem os usa, mas não poderão ser esses aspectos negativos suavizados se todos conhecerem o que realmente é um computador?
«Será a escola susceptível de sofrer uma megamudança?» Papert, pp. 212
Em primeiro lugar, concordo com algumas das ideias que a Anicia escreveu no seu último comentário (cap. VII- A escola), é natural que as mudanças da escola nunca possam ser enormes pois o objectivo da escola e dos seus intervenientes será sempre o mesmo! O de ensinar e o de aprender.
É por isso natural que os "professores viajantes no tempo" de que nos fala Papert, não sentissem uma diferença muito grande entre o futuro e neste caso o passado (actualmente o presente).
Na minha opinião o que se pode mudar são as condições da escola, para que o seu objectivo principal seja totalmente cumprido, situação que pessoalmente acho que não se verifica.
Existem muitas falhas quer na Escola em si, quer nos professores que a compõem, é aqui que a megamudança se pode dar melhorando as condições do ensino - aprendizagem e dando também a oportunidade de oferecer uma educação para todos, novos e velhos sem excepção, necessitando apenas para isso, a vontade de aprender!
Espero que se concretize, para o bem de todos nós e dos que a seguir a nós vierem!
Papert afirma que «...a Escola não sofreu mudanças
essenciais...» Papert, pág.209. Contudo se estivermos bem atentos a esta frase, denotamos que o autor concorda que a escola sofreu mudanças , mas não essenciais no seu ponto de vista. Eu não sou apologista acérrima deste ponto de vista.
Refectamos nos seguintes pressupostos:
pensemos a escola: a escola é uma isntituição regida por normas e regras com o objectivo de formar jovens e criançãs para agirem e interagirem na sopciedade.
Agora pensemos nas tecnologias: as tecnologias já existem à muito, mas quando falamos delas, confinam-a ao atributo de computadores, o computador é um istrumentro dentro dos grandes instrumentos existentes na área tecnológica.
Agora, damos mais um passo em frente e pensemos no papel do professor: o professor é a entidade responsável pela transmissão de conhecimento e organização do mesmo.
O aluno, é a razão pela qual, questiona-se e indaga-se até que ponto as novas tecnologias podem ajudar o papel do professor na instituição escola.
«Será a Escola susceptível de sofrer uma megamudança?»” (Papert, 1997: 212) Em meu ver a escola é a mudança, é por ela que incute-se novos saberes e novas formas de pensar, a escola está em mudança, não acelarada mas a mudar com todas as fases de metamorfose a que têm direito. E é por essa mudança, que hoje discutimos a inserção das novas tecnologias como meio para disoponobilizar uma melhor aprendizagem.
(...) O computador evolui muito rapidamente e cedo originou algumas mudanças em muitos sectores da actividade humana. Mas não na escola.
A escola tem uma longa história, com regras, normas e hábitos bastante enraizados, o que por vezes a torna pouco aberta a novas experiências e métodos de ensino.
Com o avançar dos anos, a escola tem vindo a mudar, mas devagarinho.
Passamos de uma escola tradicional, onde os alunos tinham que escutar o professor, sem o questionar, para uma escola mais moderna, onde o aluno participa na sua própria aprendizagem.
A era das tecnologias é ainda bastante recente. Ainda não há grandes estudos sobre a influência do uso dos computadores na aprendizagem, o que leva a escola a questionar este método como um método eficaz na aprendizagem.
Além disso, visto o computador e a Internet serem ainda recentes, não há muitos docentes capazes de leccionar estas matérias e ajudar os alunos neste novo mundo, o que torna difícil a incorporação destas novas tecnologias no contexto de sala de aula.
Por vezes nas escolas também surge a ideia de que os computadores vêm tirar o trabalho dos professores e tal não acontece. Os computadores vêm apenas auxiliar os docentes para que o processo de aprendizagem seja mais eficaz.
"o único conhecimento verdadeiramente competitivo a longo prazo é aprender a aprender" (p.222 Papert)
Eu acredito que actualmente esta ideia é a mais difícil de pôr em acção! Da experiência escolar que tive, não acredito que a escola dê ao aluno estruturas cognitivas ou ferramentas para sermos capazes de aprender!
As ideologias que estão por trás das tecnologias educativas deveriam implementadas ou pelo menos adaptadas a toda a educação. Estamos num mundo cada vez mais individualista, mas não estamos a pegar nessa maneira de estar para crescermos interiormente e depois nos podermos dar aos outros. Às vezes parecemos sanguessugas, que absorvem tudo dos outros e depois não damos nada.
A ideia seria pegar num computador, fazer a nossa aprendizagem através dele, quem sabe mais ensina ao que sabe menos, num ambiente de partilha moderado por um professor. Talvez assim todos possamos provar a nós mesmos o que de facto somos e podemos fazer, mostrar ao outros as nossas capacidades e sermos reconhecidos ou não por isso, e largarmos o sentimento de frustação que muitas vezes sentimos quando a escola nos força a percorrer um caminho que não é o nosso!!!
Peço desculpa pelo atraso da publicação deste capítulo, mas tive um pequeno lapso no funcionamento do blog...
Quanto a este capítulo eu não tenho grandes comentários a fazer.
Fiquei muito surpresa com os progrmas que já existem e depois de ler os exemplos dados pelo autor, fiquei espantada com a fluência que as crianças têm.
Acho que a ideia mais importante que eu retiro desta parte é que um projecto tecnológico, que engloba a internet pode juntar pessoas de todo o mundo e de todas as idades. De facto podem dar a sensação de que o mundo é uma aldeia e que nem a pessoa mais longíqua está longe de nós.
Será que as escolas estão convenientemente adaptadas para um novo sistema de ensino? E, os professores, será que estes são capazes de transmitir aos alunos e ajudá-los na utilização dos equipamentos das novas tecnologias?
Hoje em dia fala-se cada vez mais num novo sistema de ensino, num sistema caracterizado pelas novas tecnologias, mas o que se verifica e por experiência própria é que, se à escolas bem equipadas ao nível das tecnologias, hà deficiencias no nível de transmição das mesmas, os alunos não são preparados para as mesmas e acabam na maior parte das vezes perdidos em programas de pouco interesse ou quase nenhum; outras ainda hoje, ou por falta de subsídios, ou de informação, não estão de maneira nhuma preparadas para lançar os alunos neste mundo que é o das tecnologias.
Quanto aos professores, estes têm que acompanhar mais os alunos, têm que lhes transmitir noções básicas para que estes não se percam por caminhos menos educativos e possam assim explorar e aprender o que as novas tecnologias têm de bom para oferecer.
Pegando na ideia, que a colega Tânia nos transmite, de que é a partir do nosso esforço e dedicação, que muitas vezes aprendemos a superar as nossas dificuldades e da maior parte das vezes surpreendemo-nos com as metas que muitas vezes conseguimos atingir.
Não há nada melhor que a nossa curiosidade em aprender, ela permite-nos descobrir e ir mais além, podemos não ter grandes conhecimentos, podemos até errar, mas quando erramos aprendemos.
Esta busca pela descoberta permite-nos crescer e aprender cada vez mais.
" As melhores coisas que podemos fazer, são as que abrem portas para outras que se situam para além delas ".
Atingir uma meta é sempre motivo de muita satisfação, mas é bom que a mesma não sirva de barreira para outros desafios que se situam para além dela...
“É absolutamente espantoso que, num país que se vangloria do conceito de iniciativa privada na economia, tenha levado tanto tempo a aceitar essa mesma ideia na educação. Mas não há dúvida nenhuma de que este caminho começa, pelo menos, a encontrar algum reconhecimento e de que os pais, que tiveram a oportunidade de contactar com poderosos processos de aprendizagem nas suas próprias casas, estão na melhor posição para o reforçarem e o dirigirem. Uma primeira manifestação desta tendência na América é o movimento da escolaridade em casa.” (Papert, 1997: 234)
É bem claro o posicionamento neo-liberal, que faz o Papert em relação ao aprendizagem familiar, um modelo conservador que desenvolve uma política ao estilo Tarzan, é dizer, “um grupo de indivíduos com cabelo no peito salta das árvores e lançando berros de «eficiência», «competição» e «disciplina de mercado», abate as cabanas e, a seguir, volta subir para as árvores, deixando às populações que limpem o chão de tonas de banana” (Connell, 1999-2000: 8).
Apple (2002: 31) critica que para aproximar-se até este ponto “não só houve que convencer à opinião pública de que o mercado livre dos neo-liberais era a expressão mais autêntica da liberdade individual, senão também de que este mercado devia estender-se a todos os âmbitos da vida. Por que deveria uma sociedade mercantilizada deixar a educação à margem desse mercado?”.
“O movimento da «escola em casa» ou, como alguns o denominam, de «objecção escolar», pretende levar para a frente a educação das crianças nas suas próprias casas. Desde a minha perspectiva, esta é uma das exagerações às que está dando lugar a actual situação política da família; esta instituição chega a usurpar por completo o papel das instituições escolares para passar a desempenhar também as funções da escola. Este é o caso das «homeschool», um movimento que nasce nos EUA, mas conta já com organizações semelhantes na Austrália, Canadá, Reino Unido, Japão, Coreia, e, com incipientes estruturas também, ma España.” (Torres, 2001: 115)
Apple, Michael W. (2002), Educar “como Dios manda”. Mercados, niveles, religión y desigualdad, Barcelona, Paidós.
Connell, Robert, W. "Escuelas, mercados, justicia: la educación en un mundo fracturado", Kikiriki, n.º 55-56, 1999-2000, pp. 4-13.
Torres, Jurjo (2001), Educación en tiempos de neoliberalismo, Madrid, Morata.
Noutra altura, questionei criticamente a forma do Papert se referir à instituição escolar (homeschooling). Mais outra vez, não acredito no Papert quando nega o dinamismo educativo das escolas e situa o reformismo escolar como uma «micromudança».
Por enquanto o Papert (1997: 209) não ignora que “a afirmação de que a escola não sofreu mudanças essenciais poderia ser contestada por muitos educadores”, é ambíguo e confuso quando diz que “a Escola é um caso notável de uma área que não sofreu grandes alterações. Não se pode dizer que não tenha havido quaisquer mudanças –claro que houve. O propósito da alegoria é permitir-me afirmar «Sim, a Escola mudou… mas não tanto como isso», e fazer em seguida a seguinte pergunta: «Será a Escola susceptível de sofrer uma megamudança?»” (Papert, 1997: 212)
Não sou partidário da reforma/contra-reforma da escola como solução mítica para tudo. “Esta alternativa aparece como a eterna promessa, nunca realizada, dum futuro sem os actuais problemas educativo-culturais. Antes de terminar da sua aplicação, queda em evidência a impotência de cumprir os seus objectivos, mas para aquela altura já começa a gerir-se mais outra reforma.” (Flecha, 1992: 30)
Também não sou partidário do conservadorismo educativo tão instalado nos tempos do neo-liberalismo que passa a conceber a educação como um mercado, os pais como clientes e os alunos como produtos (Apple, 2002 e Torres, 2001).
Sou partidário sim dos contínuos processos de mudança que fazem da escola um espaço em construção, em vez de um espaço construído.
Apple, Michael W. (2002), Educar “como Dios manda”. Mercados, niveles, religión y desigualdad, Barcelona, Paidós.
Giroux, Henry e Ramón Flecha. (1992), Igualdad educativa y diferencia cultural, Barcelona, EL ROURE.
Torres, Jurjo (2001), Educación en tiempos de neoliberalismo, Madrid, Morata.
Neste último capítulo Papert fala sobre a simplicidade
dos computadores perspectivando o lado funcional, dizendo que estes podem
ser utilizados até por crianças a parir dos 4 anos embora eu ache muito cedo
pois nessa idade a criança ainda não têm as competências e bases necessárias
para o uso do computador. Desde sempre O homem tem-se dedicado a construir
objectos para o seu dia a dia de acordo com as suas necessidades. No que tange
às crianças, estas são capazes de construir objectos que por vezes estimulam
muito mais o seu intelecto do que os softwares que encontramos no mercado. As
construções de objectos são actividades que contribuem muito para o
desenvolvimento do intelecto das crianças pois são instrumentos por elas
construídos.
Este é o ultimo capítulo do livro que foi nosso
companheiro ao longo do semestre.
Sempre surge a dúvida...
Serão as escolas capazes de integrar no seu sistema de ensino as Novas Tecnologias?
Não sei se será já do conhecimento público, mas para o caso de não o ser gostaria de transmitir algo que tive conhecimento este semestre quando andava a fazer um trabalho no âmbito da cadeira de Sociologia da Educação II acerca das escolhas vocacionais...Deparei com um novo currículo do ensino secundário onde para além das disciplinas minhas conhecidas, para cada um dos agrupamentos também estava presente uma nova disciplina: Tecnologias da Informação e da Comunicação.
As famosas TIC vão agora estar presentes no ensino secundário como disciplina de caracter geral! Mas é obvio que não poderia ser assim tão simples...Será apenas até 10º ano de escolaridade
Suponho que o facto destas não terem um ensino continuado até ao 12º ano, pode ser relativo aos currículos das outras disciplinas serem demasiado complexos, mas também poderá ser dos alunos já terem uma necessidade de explorar sozinhos, adquirindo as competências necessárias para essa exploração até ao 10º ano de escolaridade...Não sei...é apenas a minha opinião
Mas de qualquer forma penso que quando Seymour Papert diz que cabe também aos pais contribuir para a implementação de novas medidas no ensino a este respeito, se está a referir a esta falta de acompanhamento dos professores porque, tal como está referido nas páginas 229/230 do livro, existem dois métodos para esta implementação, e o mais utilizado é o método que transite conhecimentos mas que não promove a fluência tecnológica.
Para mim o que é o mais importante? Que se saiba teoricamente que existem alguns programas...ou que se entenda através da experiência a trabalhar com cada um deles?
São essas as perguntas que temos que fazer a nós próprios e já agora...
Aos senhores responsáveis por estes currículos: "Tentem dar oportunidades (tempo) aos alunos para eles verem o que é mais importante. Obrigado!"
"Muito frequentemente, quando não sabemos o que fazer, fazer alguma coisa dá - nos mais indicações do que ficar à espera" (pag. 190)
Isto é verdade, muitas das vezes nós deparamonos com situações em que "impancamoa", não sabendo o que havemos de fazer, no entanto considero que o melhor que temos a fazer e procurar entender o que se está a pensar e arranjar uma forma de resolvermos o problema.
Isto é muito frequente acontecer com o computador e com o que gira à volta dele, principalmente quando não conhecemos muito, nem somo especialistas em computadores.
Conheço caso de pessoas que nunca tiveram qualquer indicação de como funcionar com um computador, mas até gostavam de trabalhar com ele, no entanto perdem o entusiasmo e desmotivam - se por não saberem mexer.
Também existem aquelas pessoas que até podem não saber, mas tentam, e com muitos erros vão aprendendo a mexer no computador.
Considero esta mensagem que Papert nos dá muito importante, porque é a pertir das nossas tentativas, e do nosso esforço em aprender e a superar as nossas dificuldades que nós conseguimos ir mais além, muitas vezes mais do que aquilo que esperamos...
As coisas que fazemos apenas com um click e que parecem tão simples, são por vezes de uma enorme importância.
Ao ler esta parte deste capitulo recordei-me das minhas próprias experiências. Por exemplo o facto de possuirmos um microfone, que no fundo parece só mais uma simples ferramenta, pode ser extremamente útil para se fazer um trabalho por exemplo. Quando se utiliza uma programa como o messenger para realizar um trabalho, podem surgir imensas contra - indicações e o microfone assume um papel de salvador, pois permite-nos explicítar exactamente a outra pessoa o que queremos, como queremos fazer e ainda esclarecer dúvidas.
O que eu estou a querer dizer é que as ferramentas que estão à nossa disposição não servem apenas para enfeitar coisas bonitas que fazemos para nos entretermos, mas também para serem ferramentas activas na realização de trabalhos.
Não sei se este assunto é levanta mas a mim pareceu-me pertinente, pois muito frequentemente temos as ferramentas a nossa frente e não percebemos as enormes potencialidades do que utilizamos.
Os 3 princípios orientadores para a escolha dos projectos
Papert neste cápítulo fala da aprendizagem por projectos, explicando três princípios orientadores para a escolha dos projectos apresentados.
O primeiro diz que "as melhores coisas que podemos fazer são as que abrem as portas para outras que se situam para além delas" (Papert, pp.156) Este princípio revela-se essencial: um projecto não deve acabar quando se atinge os objectivos propostos, mas deve servir de incentivo para a realização de outros que tenham por trás este projecto completado. Não é algo estanque, mas pelo contrário dinâmico, algo que não se fique pelo pretendido. É na inovação que está o ganho!
O segundo princípio diz-nos que o que é bom para um também o é para outro, ou seja, o que as crianças fazem de positivo no computador, pode servir de ideias para mim e vice-versa. O que eu faço no meu computador pode servir de fonte de inspiração para os miúdos fazerem no computador deles. De outra forma, dir-se-á que a boa utilização do computador não tem idades.
O terceiro princípio orientador é o de que a boa utilização do computador em família, deve ter origem na cultura das crianças. A forma como o miúdo se relaciona com o computador, dependerá do á-vontade que ele tem com o mesmo e com o tipo de tarefas que realiza. Os jogos por exemplo, que estão fortemente enraizados na cultura das crianças, são uma peça que pode ser utilizada para fazer apelo ao bom uso do computador. Arranjar programas pedagógicos sob a forma de jogos é a melhor forma para levar a uma aprendizagem eficaz.
Papert neste capítulo começa por introduzir 30 coisas que já fez com o seu computador.
Uma que me despertou a curiosidade foi:
"Encontrei, por acaso, informações que nem sequer sonhava que me faziam falta" (Papert, pp. 152)
No fundo do ciberespaço, que a informação é tão extensa e quase inesgotável de tal forma que por vezes, há informação que nos aparece (por mero acaso ou relacionado com o tema que pesquisamos) que é preciosa.
É claro que esta descoberta de informação depende em grande parte da fluência tecnológica do utilizador e da disposição que o mesmo tem para determinado assunto que o levam a encontrar informação por vezes essencial.
Certo autor referiu, agora não tenho bem presente o nome, que os projectos só tem razão de ser, se satisfizerem as necessidades que se apresentam na prática.
Para papert algumas pessoas " conseguem estabelecer uma melhor relação com as ideias do que com a prática, imaginando as coisas que estão a acontecer em vez de fazer ou ver." Papert, pp154
Contudo, no mundo tecnológico, a ideia que o autor pretende transparecer é que, é com a prática que surgem os projectos.
Se eu na prática não souber construir um site não posso pensar em construir um, como puderia fazer para ter o mesmo aspecto gráfico que alguns tem? a estrutura? difícil, senão impossivel.
Por conseguinte os projectos não são simples ralidades do futuro, mas é um futuro a construir, uma ideia a transformar um acto.
«...a Escola não sofreu mudanças
essenciais...» Papert, pág.209.
A escola actual comparada com as primeiras
escolas é notável a mudança, mas a marcha para a evolução tem acontecido de uma
forma lenta se a compararmos com outros sectores no que diz respeito as novas
tecnologias.
Existe pessoas que pensam que com a invasão
dos computadores no ensino a escola tal como a conhecemos será esquecida, mas é
importante pensar que as tecnologias não tiram o lugar da escola nem dos
professores mas sim vem auxiliar o ensino aprendizagem. e temos que estar
dispostos como futuros técnicos de educação a aceitar novas formas de
aprendizagem.
«...Todas as crianças são diferentes.
Calculo que grande parte das crianças que crescem numa cultura familiar de
aprendizagem que valorize a fluência computacional conseguirão fazer uma
produção deste tipo por volta dos 5/6 anos...» Papert, pág. 169.
Para que crianças com idades muito tenras consigam
fazer proezas como Juan, é necessário que desde muito cedo se cultive a
cultura computacional no seio da familiar para que a criança aprenda que o
computador é um meio de resolver problemas e aprenda a manejar a máquina.
infelizmente nem todas as crianças têm a "sorte" de
estarem em contacto com o computador nessa idade, e muitas delas têm o
primeiro encontro com o computador na escola por volta dos 12 anos mais ou menos
e de uma forma muito superficial motivo pelo qual ainda hoje se encontra
grande parte de crianças, adultos e não só com uma relação distanciada com
os computadores.
Termino com uma sugestão: vamos "arregaçar as
mangas" para que todos se sintam familiarizados com as novas tecnologias, e
todos juntos crianças , jovens, adultos, idosos, descobriremos quão vasto e
diversificado é o mundo das tecnologias .
Então só me resta dizer:
mãos a obra para novos projectos e nunca parem pois parar é morrer...
«...Todas as crianças são diferentes.
Calculo que grande parte das crianças que crescem numa cultura familiar de
aprendizagem que valorize a fluência computacional conseguirão fazer uma
produção deste tipo por volta dos 5/6 anos...» Papert, pág. 169.
Para que crianças com idades muito tenras
consigam fazer proezas como Juan, é necessário que desde muito cedo se
cultive a cultura computacional no seio da familiar para que a criança aprenda
que o computador é um meio de resolver problemas e aprenda a manejar a
máquina.
infelizmente nem todas as crianças têm a
"sorte" de estarem em contacto com o computador nessa idade, e muitas
delas têm o primeiro encontro com o computador na escola por volta dos 12 anos
mais ou menos e de uma forma muito superficial motivo pelo qual ainda hoje se
encontra grande parte de crianças, adultos e não só com uma relação
distanciada com os computadores.
Termino com uma sugestão: vamos
"arregaçar as mangas" para que todos se sintam familiarizados com as novas
tecnologias, e todos juntos crianças , jovens, adultos, idosos, descobriremos
quão vasto e diversificado é o mundo das tecnologias .
Então só me resta dizer:
mãos a obra para novos projectos e nunca parem
pois parar é morrer...
A família computacional na aprendizagem da cultura;
Conselhos à pais , filhos, avós...etc.
A
Família - É a primeira e a mais importante sociedade
organizada do mundo - é à base de todas as outras sociedades. Deve ser
considerada como a principal unidade básica de desenvolvimento pessoal a que
pertence um indivíduo e, igualmente, o local onde se vivenciam um conjunto de
experiências fundamentais para a formação de sua personalidade.
É um sistema muito complexo uma vez que não existem duas famílias iguais, ela
passa por vários ciclos de desenvolvimento e é muito interactiva. (UNIF)
Com a introdução do computador no seio da família é
esperado que ele ( o computador) seja um dos meios de promover a coesão
familiar, no que tange a novas aprendizagens e desafios no universo
computacional e não para distanciar os membros familiares. Para isso é
necessário que todos estejam flexíveis tanto os que têm muitos conhecimentos
acerca dos mesmos como os que ainda não estão familiarizados com eles a novos
desafios. Com gentileza, devem os pais serem tratados, aconselha Papert, para
que a aprendizagem se desenvolva em torna de respeito mútuo e partilha de
experiências.
Termino com a seguinte frase do autor: " a presença do
computador deve ser vista como fazendo parte da realidade de relações e
sentimentos psicologicamente complexa que caracteriza uma família"
Por vezes as pessoas acham "que conseguem estabelecer uma melhor relação com as ideias através de um «mentes-à-obra» do que com o «mãos- à -obra», de preferência imaginando as coisas que estão a acontecer em vez de fazer ou ver." Papert, pp154
Muitas vezes ao navegarmos no enorme mundo da Internet, encontramos diferentes temas e sites que nos chamam a atenção e que gostaríamos de saber fazer, mas em vez de tentarmos, experimentarmos entrar e construir um pedaço desse mundo, ficamos a imaginar o que gostarÃamos de criar.
É importante que se ponha a imaginação a funcionar mas que se aplique toda essa nossa imaginação.
Por vezes gostamos de um determinado jogo de computador e imaginamos um jogo onde poderia entrar a nossa personagem favorita, mas pensamos que criar um jogo é demasiado complicado e que não somos técnicos de informá¡tica e que nunca iríamos conseguir. Mas porque não experimentar? Até pode ser mais fácil do que parece.
Uma boa forma de pôr as mãos à obra, de construir e realizar os nossos projectos no computador é na nossa própria casa, com a família reunida, colaborando todos em conjunto para um objectivo comum.
A criança deve ter a iniciativa de criar o seu próprio projecto, de inventar, de fazer por si mas o pai também pode auxiliar nesse projecto, dando ideias, ajudando a resolver os problemas, aprendendo com o seu filho e ensinando aquilo que sabe.
Em relação aos softwares que Papert defende serem pedagógicos, poderiamos dizer que estamos a proporcionar aprendizagens às crianças que se tornam obsoletas num curto intervalo de tempo dada a velocidade a que evoluem as tecnologias cibernéticas. No entanto, o que Papert sugere é que a criança reconhece a ligação entre os comandos que aprendeu e os resultados que obteve. Sucintamente, a criança reconhece todas as potencialidades do computador e que tem de aprender a linguagem de um determinado programa para as poder extrair. Deste modo, ao mudar de programa a criança vai procurar compreender a nova linguagem; procura meios para fazer no novo programa o que fazia com os programas que já conhece; procura ou reconhece acidentalmente as coisas novas, particulares, que existem em cada programa.
Podemos fazer aqui um paralelo entre a aprendizagem de diferentes línguas. Há palavras que têm tradução literal. Outras, existem apenas numa determinada língua. Por exemplo, a palavra saudade só existe em português. Neste caso, o aprendente tem de perceber como pode transmitir o significado da palavra saudade em inglês ou japonês: aprende que é necessário traçar estratégias para saber o que deseja.
Aprendizagem por projectos - avaliação de software
Projectos
Neste capítulo, Seymour Papert defende a aprendizagem por projectos. Para tal, sugere a utilização do software por si criado MicroWorlds. A partir de uma ideia poderosa, a criança pode desenvolver competências de exploração e programação do sofware. Assim, Papert traça as características principais do software para a aprendizagem:
- permite aprender fazendo;
- faz aprender e aprende com a criança (pré-programado e pós-programado);
- alerta a criança para outras possibilidades de programação;
- permite todas as criações possíveis do mundo digital – audiovisuais(animar objectos, etc), criação de jogos e hiperligações;
- permite atribuir a um objecto uma ligação ou um acontecimento;
- permite a realização do projecto planificando ou fazendo bricolagem.
Basta um interesse em comum para várias pessoas poderem aprender a utilizar o computador ,a fazer, a construir. Foi esta a ideia-chave que retirei da leitura do 5º Capítulo de “A família em Rede”.
Quando o grupo é constituído por membros que dominam as tecnologias e por membros que não dominam as tecnologias, Papert recomenda uma conversa ou uma tarefa sobre um tema de interesse entre uns e outros. Assim, poderão ver um DVD sobre o tema, fazer uma pesquisa na internet sobre o motivo, trocar e-mails sobre o assunto, etc.
Para que exista “uma boa cultura de aprendizagem”,é necessário que “as crianças observem os adultos ocupados a aprender”[Papert, 1997:121]. De outro modo, é necessário que os adultos mostrem que sabem que estão a aprender e que gostam de saber aprender. Devem, no entanto, entender que há outras formas de aprendizagem diferentes da sua, e saber. Só assim poderão valorizar as aprendizagens das crianças e só assim as crianças valorizam a aprendizagem.
Neste ambiente – de aprender a aprender, de aprender a aprender como o outro aprende, temas de interesse em comum – é possível a existência de uma “família em rede” com cultura familiar de aprendizagem.
A terra da matemática está para a matemática como a França está para o francês... Papert , 1997: 107
Quando somos pequeninas e queremos aprender os continentes, as constelações, as cores, os números, as operações matemáticas, somos muitas vezes confrontadas com dois obstáculos que Papert define assim:
1. A rotulação da capacidade ou incapacidade que temos para aprender o que queremos;
2. A ausência de recursos que recriem o ambiente do que queremos saber. Ambiente identidade no caso da matemática (programação=matemática).
Gosto desta ideia. Um mundo feito de matemática, de abstracções simbólicas que traduzem diversas operações que o computador realiza. Acho que era capaz de tirar um curso de matemática aplicada à informática só para aprender a fazer um fractal.
Imaginemos, agora, que podemos ter as cidades, continentes, as constelações, o universo a três dimensões na interenet e fluir neles como se fossemos cidadãs de outra cidade ou astronautas.
Deste modo, as crianças poderão aprender sempre no estilo familiar os saberes e saberes-fazer que desejam.
Realmente o que pudemos fazer com o computador é sem dúvida interminável. Tudo o que Papert fez naqueles três meses também nós (e mais ainda!) na vida já fizemos pelo menos uma vez. O que enriquece o trabalho de Papert, no meu ver, é sem dúvida os projectos que propõe para crianças e para o desenvolvimento delas. É nas crianças que muitas vezes temos inspiração e é delas que retiramos todos os risos e sorrisos e gratidões no nosso trabalho. Sem o conhecimento das ferramentas ou das possibilidades que certas ferramentas dispõem as crianças limitar-se-ão apenas a utilizar o computador para "jogar" e para "navegar", como Papert refere no capitulo VI. É ser inteligente quando se aproveita estas duas componentes na realização de um projecto multimédia e o exemplo é o "Projecto Tartaruga", onde para fazer uma surpresa a avó que gosta de tartarugas, se utiliza na Internet motores de busca para pesquisar sobre isso (navegar) e onde se cria um ambiente de "apontar-e-clicar" (como se estivesse jogando) para descobrir mais. Isto motivará mais, concerteza, as crianças e as aprendizagens serão, pois, mais significativas. É verdade que a fluência tecnológica não é igual em todos, mas ao construir-se projectos como este não só motiva-se quem está a descobrir como também se dá um passo extra na construção dessa fluência ( Papert, 1996: pp 168). O exemplo que tenho mais vivo que me possibilitou dar esse passo, foi sem dúvida a elaboração do "Windows XP Kids". Ganhei conhecimentos não só ao nível da fluência computacional e ao nível da cultura da Internet, como também me deu um enorme prazer poder navegar dentro dela, clicando para trás e para frente, desenhando, jogando e muitas coisas mais. Isto para dizer, que muitas vezes ganhamos sem nos apercebermos disso quer quando são projectos elaborados para nós quer quando são projectos elaborados por nós.
A família é a nossa base, onde nos podemos refugiar quando temos receio da vida, mas será que
nos conhecemos a todos verdadeiramente?!
Eu concordo com Papert, temos de ver "o computador como um meio para construírem a coesão familiar"!
Todos os dias me espanto com as diferenças que cada pessoa de uma família tem apesar do passado em comum. Às vezes as diferenças são
desigualdades e às vezes as diferenças são apenas difernças, mas todas estas características podem chegar a uma mesma meta com o uso dos
computadores!!!
Imaginem um computador familiar, cada um tem direito ao uso do mesmo, mas nem todos o usam. Arranja-se um projecto familiar
e o que mais usa ensina ao que menos usa... Parece simples, mas a verdade é que uns têm medo de aprender e "estragar"
e outros não sabem respeitar os que precisam de aprender!!!!
Antes de qualquer resultado se um computdor conseguir que cada pessoa vença os seus receios, ou que todos consigamos respeitar
cada um do modo que ele é... então o computador não é um simples aparelho electrónico...é quase um milagre!
E se para além disto tudo ainda tornarmos a família mais família.... então o computador é um pedaço de céu!
Gostei muito do episódio relatado neste capítulo sobre a mãe de Papert. O facto de uma senhora aos 80 anos ter aprendido a manusear um computador e a realizar os seus desejos (por exemplo:escrever cartas aos amigos), vem apenas provar que nunca é tarde para se aprender o que quer que seja. Por acaso a minha avó (que tem 63 anos) também me veio com a conversa, no outro dia, que ainda haveria de ir tirar um curso informático, e até já tinha falado com o professor para tratar da inscrição. Eu fiquei de "boca aberta" e perguntei porque essa vontade, e ela disse que apesar da idade não tinha perdido a vontade de aprender, e se os computadores era uma realidade do nosso mundo então ela queria aprender a manuseá-lo, inclusive quer navegar na Internet. Eu na altura nem entendi muito bem....mas depois pensei e de facto até admiro a sua curiosidade e a sua vontade de aprender. Eu agora até lhe dou força e brinco com ela quando lhe digo: "Assim começas a ajudar-me a passar os trabalhos da faculdade!" e ela responde-me " E porque não? Ainda te vou deixar impressionada!!!".
“Um bom projecto familiar de utilização do computador deve ter as suas raízes na cultura das crianças” (Papert, 1997: 157).
A leitura/escrita do Papert está atravessada pela centralidade das crianças no modelo de aprendizagem familiar/escolar e nas mudanças introduzidas com os computadores na socialização familiar/escolar.
Se procurássemos os princípios educativos subjacentes desta concepção pedagógica ter-nos-ia de lembrar da Maria Montessori e do Ovídio Decroly, personagens fulcrais da pedagogia infantil.
Mas certeza que cada um de nós procuraria diferentes referentes da história da pedagogia. Eu próprio acho que nesta altura do campeonato é interessante não perder de vista ao Tonucci, esse pedagogo italiano que acredita nas crianças do presente como cidadãos de amanhã e situa aos meninos como elemento gerador da cidade educadora (Caballo Villar, 2001).
No fundo, é a mesma coisa para o Papert. As crianças são situadas e situam-se como elemento central do processo de socialização comunitária até o ponto que a vida em sociedade é organizada com base na cultura das crianças. Pascal Bruckner (1996) define este complexo de Peter Pan como «infantilização da sociedade».
A mudança é radical enquanto se passa duma sociedade pensada por/para adultos para uma sociedade pensada por/para crianças.
Bruckner, P. (1996), La tentación de la inocencia, Barcelona, Anagrama.
Caballo Villar, B. (2001), A cidade educadora. Nova perspectiva de organização e intervenção municipal, Lisboa, Instituto Piaget.
"Uma coisa que tenho afirmado com insistência é que os pais devem aprender a partir dos seus filhos. É claro que as crianças devem também aprender dos pais. Esta frase é mencionada com menos frequência porque toda a gente o sabe, mas é importante ter consciência de que existem os dois sentidos". (p.123)
Na minha opinião, é importante Papert advertir as pessoas para esses dois sentidos, pois só se tem consciência de apenas um lado – o de aprender com os pais. Eu falo por mim, tanto eu como os meus avós temos consciência de que existem duas formas de se aprender, eu aprendo com eles e eles comigo. Com a minha avó acontece bastante, penso que é muito importante aprendermos com os nossos pais (no meu caso é com os meus avós), mas por outro lado, penso que também é gratificante aprender-se com os filhos/netos.
“As pessoas têm estilos de trabalho e de aprendizagens diferentes. As estratégias não podem ser as mesmas quando se destinam a pessoas diferentes.” (pp. 123).
O mesmo acontece numa situação de ensino-aprendizagem; cada aluno tem um ritmo de trabalho e de aprendizagens diferente. Assim, na minha opinião cada professor deverá adoptar diferentes estratégias para alunos com diferentes estilos de aprendizagem, não sendo necessário existirem currículos distintos.
Neste capítulo Papert foca que a “primeira prioridade, quando se pensa em aprendizagem na família, seja dedicada a preservar valores de honestidade e de respeito por cada individualidade” (p. 98). E é nesta linha de ideias que Papert salienta um conflito bem real da educação que consiste no facto dos pais, professores e outros educadores terem tendência para corrigir frequentemente as crianças em todas as ocasiões, podendo provocar assim uma inibição no desenvolvimento da sua capacidade de pensar livremente, por si próprios.
Claro que têm o “dever de ajudar as crianças a alargarem a sua compreensão do mundo e a sua capacidade de encontrarem explicações” (p. 102). Contudo, as crianças devem ser orientadas no sentido de as deixarmos pensar por si, no intuito de conseguirem fazer melhor e terem prazer pela descoberta.
Em relação à honestidade na Internet deixo aqui um exemplo que acho que diz mais que mil palavras:
Papert no capítulo 3 apresenta-nos o contraste entre a loja Abacus e a "megastore", apresentando assim um exemplo perfeito para se referir à "aprendizagem tradicional" e à"aprendizagem por computador". Num lado temos o contacto humano e um ambiente afável. No outro lado surge um mundo desumano e simplesmente mercantil, onde as pessoas têm de decidir por si próprias por um vasto leque de produtos, não havendo qualquer tipo de comunicação.
Devemos reflectir reflectir sobre este exemplo. Cada vez mais devemos exigir qualidade e informação...não devemos restringirmo-nos às modas...
Nos dias de hoje a questão da aprendizagem e do papel do professor em todo este processo é um assunto muito discutido em diversas áreas.
Segundo Piaget, o professor não deveria comedir-se a ensinar os seus alunos, deveria antes, dar-lhe os materiais necessários para eles próprios construirem o seu conhecimento.
Na minha opinião os alunos por vezes sentem dificuldades em compreender algo que simplesmente lhes é transmitido, eles não constroem, limitam-se apenas a escutar.
É mais provável que uma criança aprenda se ela própria participar activamente na aquisição do conhecimento. Papert aborda esta questão das crianças terem uma participação activa na aprendizagem, quando se refere à Jenny, "o computador não lhe ensinou directamente nada de gramática". Foi necessário que ela procedesse à "destruição de obstáculos para que aprendesse" (...) "num projecto que ela própria inventou". (pg. 49)
Isto vai de encontro a um dos principios educativos fundamentais enunciado por Papert: "a aprendizagem é mais bem sucedida quando o aprendiz participa voluntária e empenhadamente" (pg. 43).
Cada vez mais é importante que as crianças da nova geração possam ter um desempenho idêntico ao de Jenny, contudo não devemos esquecer que é importante que o contexto de ensino se altere, pois os alunos seguem um currículo que foi pensado quando ainda não eram utilizados os computadores no processo educativo. Hoje em dia a situação alterou-se e é importante adaptar os métodos de ensino-aprendizagem aos novos recursos disponíveis.
Depois de alguns conceitos que tenho compreendido, admito que as tecnologias contribuirão para um melhor desenvolvimento das crianças, e acho importante os professores mentalizarem-se desta realidade...
"... a forma segundo a qual os computadores são usados - ou não são usados - para melhorar a educação, pode ter importantes consequências no futuro do país e do próprio mundo e, naturalmente, em cada um de nós e na nossa família." (Papert, 1996:206)
Uma vez mais Papert refere-se à utilização (e à não utilização) dos computadores nas escolas e nas reacções de pais e professores a essa utilização.
Todos nós sabemos que, hoje em dia, quem não dominar a tecnologia está em grande desvantagem. É dentro desta necessidade que as escolas deveriam "acordar" e ver que o futuro está, de facto, nas tecnologias e em tudo o que com ela podemos aprender.
Como Papert refere logo no principio deste capítulo, talvez exista algum receio em mudar e fazer com que as escolas sofram "transformações mais radicais ".
É verdade que os computadores já existem em algumas escolas, mas também é verdade que não existem dentro das salas de aula e não são de maneira nenhuma utilizados por incentivo dos professores. Não estou a querer dizer que deviam existir computadores para cada um dos alunos em cada sala de aula, isso seria impensável! Quero sim dizer, que os professores deveriam incentivar mais a utilização do computador e da Internet... com trabalhos, com por exemplo, as Webquest (acho que era um excelente método de colocar os alunos a utilizarem o computador e a desenvolverem capacidades como a investigação e reflexão)
Talvez o exemplo que Papert refere sobre a menina que não pode fazer os T.P.C.'s no computador porque o professor acha que não treina a caligrafia, é um excelente exemplo para entenderem a minha ideia. (pag.207)
Será possível que os professores se interessem mais pela caligrafia do que pela motivação dos alunos relativamente às aulas e à escola? Não estará aqui patente um pouco de falta de informação, como o autor refere, não só a nível de formação de professores mas também dos pais?
Tem-se falado dos pais, contudo não são só eles que estão preocupados com o futuro da era digital...
Todos nós temos curiosidade de como vai ser o futuro computacional - a era digital!
Papert refere duas perspectivas:
"Os ciberutópicos, que louvam os milagres da era digital." (Papert - pp.41)
"Os cibercríticos avisam-nos dos terríveis perigos." (Papert - pp 41)
Papert questiona essencialmente as mudanças que podem surgir na forma como as pessoas aprendem, causadas pelo uso do computador. Alterações a nível da aprendizagem, relações infrafamiliares entre gerações, relações entre professores e alunos e relações entre pares com interesses comuns.
No fim de ler o capítulo 2 fiquei a entender melhor a importância das tecnologias na Educação.
Nos dias de hoje, "uma das maiores contribuições do computador é a oportunidade para as crianças experimentarem a excitação de se empenharem em perseguir os conhecimentos que realmente desejam obter". (Papert - pp.43)
Para uma boa aprendizagem é importante motivar a criança a ter uma participação activa, contudo esta participação deve ser voluntária.
Quem gosta de fazer as coisas por obrigação?
Eu não! Nem tu.... Ninguém gosta!!!
Cada vez mais, nos dias de hoje, as crianças estão mais dependentes dos adultos.
A presença do computador está a transformar as crianças, pondo de lado a "aprendizagem de estilo familiar", isto acontece porque a criança tem necessidade de explorar um novo mundo, o qual não pode ser alcançado desta forma.
"As formas que a criança tem de adquirir conhecimentos e de os utilizar são sujeitas a alteração, tornando-se mais dependentes de outras pessoas e menos espontâneas, mais verbais e menos experienciais."
"A maior liberdade de escolha alterará dramaticamente o modo como as crianças aprendem e se desenvolvem". É importante ter em conta as consequências psicológicas que resultam desta independência dos pais na exploração do mundo. "Mas, para o melhor ou para o pior, tal acontecerá (...) se os pais agirem como ciberavestruzes, enfiando a cabeça na areia da negação das mudanças que se desenham no ambiente da aprendizagem." Cada vez mais é importante os pais dedicarem mais tempo às crianças, darem mais importância à aprendizagem.
É indispensável não esquecer que as crianças de hoje... são a geração de amanhã... Por isso, é fulcral a inter-relação de pais e filhos. Nunca é tarde para aprender (nem que sejamos pais...por vezes aprendemos muitas coisas com as crianças...não devemos ter vergonha de aprender com os mais novos ).
O que podemos fazer (ou já fizemos) com um computador
Confesso que este capitulo é um tanto ou quanto dificil de comentar. Perante o que li, saliento dois dos aspectos que em todo o capitulo me fizeram pensar:
? Os diferentes aspectos que as páginas da Internet podem assumir e a diversidade de temáticas que podermos encontrar, senão recorrermos à busca avançada de um motor de busca. (aspecto que foi visto numa das primeiras apresentações deste semestre sobre os Motores de Busca) - exemplo do site das tartarugas marinhas. Papert, 1996:159
? O que podemos fazer com esta nova tecnologia: o computador.
Ao ler a lista que Papert elaborou sobre as coisas que já tinha feito com um computador, dei por mim a fazer o mesmo mentalmente e a comparar o que fiz com o que ainda me faltaria fazer de entre as actividades que Papert referiu (Papert, 1996:152-153).
Já fiz os desenhos em Paint e PaintShop, joguei aos mais diversos jogos, recebi e enviei inúmeras mensagens em correio electrónico, conheci pessoas interessantes na Internet (Mirc e Messenger), fiz trabalhos recorrendo aos programas de mensagens instantâneas, naveguei por páginas de diversas línguas encontrando umas vezes aquilo que queria e aquilo que não queria, fiz uma aplicação multimédia e construi páginas na Internet, participei emBlogs , Fóruns de Discussão, Webquests, enfim... um numero infinito de coisas!
Mas... a maioria destas coisas fiz porque me deram a conhecer essas ferramentas. E senão tive conhecimento das mesmas através da escola, através desta cadeira. Até então, utilizava a Internet apenas para pesquisar, fazer downloads de alguns programas e músicas e conversar...
Por isso pergunto... conseguiram as crianças, os jovens, os estudantes e os adultos, terem uma verdadeira noção das inúmeras actividades que o computador e a Internet proporcionam a uma pessoa, sem que haja alguém que lhes transmita alguma dessa informação? Haverá algum tipo de motivação externa que os leve a investigar por livre e espontânea vontade tudo aquilo que podem fazer com a ferramenta mais importante dos nossos tempos?
"Os erros são etapas para o sucesso, desde que se saiba como lidar com eles."(Papert, 1996: 178)"
Este capítulo é o reunir e aprofundar de todas as temáticas abordadas por Papert até aqui. Gostava de realçar dois aspectos importantes:
-idade;
-fluência tecnológica.
A idade porque não é um factor que limite a utilização e exploração das novas tecnologias, até pelo contrário devem ser facilitadoras na aprendizagem dos mais pequenos e também nas tarefas dos mais crescidos (episódio da senhora idosa que passou a escrever a sua correspondência com a ajuda de um computador). O conceito fluência tecnológica que acompanha-nos desde o inicio e que remete para a ideia de que não devemos limitar a nossa capacidade nas novas tecnologias, pelo contrário devemos explorá-las e aproveitá-las ao máximo, de modo a conhece-las melhor.
Papert no episódio das tartarugas, alerta para o facto da melhor ou pior estruturação de páginas, como por exemplo, páginas que encaminham para outras do mesmo interesse. Ainda o facto de sites que remetem a atenção do explorador para um único assunto, ao invés de ofertar demasiado, visto que, a nossa atenção pode se desviar dos nossos interesses, entre outros.
Estes aspectos remetem-me para a temática que agora conheço melhor e explica-se através das suas características: Webquest, ou seja, em termos de aprendizagem, uma webquest bem elaborada pode ser de uma utilidade extrema e mais rentável do muitas leituras sobre o assunto.
Quem sabe se um dia não iremos ter acesso a um WWW gerido por estes critérios para podermos explorar um pouco mais daquilo que ainda não conhecemos...
Que é mais sorprendente, que aprenda uma criança de dois anos ou uma pessoa de oteinta? É igual de valioso?
Estas sao algumas das perguntas que podem surgir al ler este pasagem de Papert.
Somos iguales de pacientes com uma pessoa velha que com as crianças?
Reflectemos sobre o poder do aprendizagem do ser humano, sempre podemos estar abertos para aprender cualquier coisa!!
Nao seamos preguiçosos (intelectuamente falando) pois será com certeza esta, uma forma de perder-nos muitas coisas interessantes na vida.
" Está no facto de a escola proporcionar uma leque tao reducida de maneiras para que se efectuarem as coisas... que só vai ao encontro dos estilos intelectuais de alguns alunos"
Este facto prova-nos o aspecto negativo de que muitos alunos podem (podemos) sentirse (sentirnos) incapazes para fazer algo... mas também demonstrarnos algo interessante... o própio aluno pode llegar a descobrir a resposta oa soluçao por si mesmo siendo um maior reforço para ele.
Outra via pode ser que o aluno com a ajuda do algum colega alcançe ver a soluçao a suo problema, sendo este facto mais por a socializaçao que desenvolverá obrigatoriamente no aluno.
Após ler o capítulo em discussão, lembrei-me que o espírito comunitário que é referido por Papert, existe e não está muito longe de nós!
Papert fala-nos sobre "Qual a melhor forma de escolher?". Se nos lembrarmos já tivemos uma discussão sobre este tema no dia da apresentação do trabalho sobre motores de busca, chegando à conclusão que a forma de procurar influência e muito no resultado que vamos obter.
Fala-nos também da existência de certas páginas de "ajuda", criadas por pessoas que tiveram a "boa vontade" de as construir ajudando-nos nas nossas pesquisas, "(...) é a frequência com que é possível recorrer à ajuda, na tarefa da escolha, de pessoas que por lá já passaram antes de nós". Colocando nelas os resultados (links) interessantes que encontraram.
Não será grande o beneficio destas páginas, não para alguns mas para TODOS nós?
E no nosso caso, será que a actividade de construir um site com a nossa pesquisa (tema que todos nós achámos aborrecido), não teria razão de existir, permitindo a quem investigue sobre as Tecnologias Educativas em Portugal um caminho mais facilitado e com menos perdas de informação?
Pois é, existe sempre os dois lados da moeda. No meu caso, só agora me apercebi que se calhar não era assim tão "despropositado" a construção do site com a pesquisa.
Depois de ler o capítulo VI sentei-me e pensei...
São tantas as coisas que posso fazer com um computador!!!
Às vezes nem temos consciência dos milhares de actividades q exercemos quando estamos em frente a um computador. Só em tempo de lazer costumo estar a ouvir musicas, comunicar com amigos, efectuar leitura em sites mais cómicos, interagir com pessoas que não conheço ver os meus amigos através de uma WebCam, ver videoclips, jogar on-line, enfim... poderia estar aqui a numerar todas as actividades que se podem efectuar quando temos uma pouco de tempo para gastar da forma que mais nos apetecer.
Mas a realidade em tempo de aulas é bem diferente, mas também partilha dessa nova tecnologia que é o Computador, mas
em contextos diferentes...
Actualmente tenho utilizado o computador desde o momento que acordo até ao
momento em que vou dormir (a minha irmã ainda hoje, à semelhança de uma
anedota disse: "Qual é a primeira coisa que a Cátia faz quando acorda????
Abre os olhos? Nãoooo!!! Liga o Computador!!!!" as coisas q uma irmã mais
velha tem que ouvir ), e utilizo-o para uma quantidade infindável de coisas, seria aborrecido estar a mencioná-las todas por isso vou dizer uma q engloba todas... Fazer trabalhos para a faculdade!
Mas afinal, o que seria de mim hoje sem o meu computador?
Só sei que ainda há uns tempos fiquei momentaneamente sem MSN, na altura em que realizava um trabalho com as minhas colegas de grupo e amigas (Carina e Isabel), íamos nesse preciso momento fazer a transferencia de um ficheiro quando de repente... PUFFF foi-se o MSN, e atenção, a Internet funcionava, mas apenas tinha ficado sem uma ferramenta fundamental na interacção com o resto do grupo, logo nos colocámos em contacto via telefone, mas não era igual, por ali não poderíamos transferir os ficheiros, e mandá-los por E-mail demorava mais tempo do que o que tínhamos para despender.
Tudo isto apenas para demonstrar como as novas tecnologias nos estão a tornar tão dependentes delas que já nem um simples trabalho em grupo conseguimos fazer sem o seu auxilio.
Pensem nisso...
E bom natal, vou tentar não utilizar o computador nessa noite
A familia é a base do crescimento de cada indíviduo, pois é com ela que ele aprende as normas éticas e sociais essenciais para interagir na sociedade.Todavia, a familia unida a nivel de comunicação e interacção, tem vindo a diminuir. Muitos pais e mães tem vindo a disperdiçar o tempo de atenção para com os seus filhos, dedicando-se a tarefas que consideram ser de maior importância.
Não é em vão que este livro denomina-se a familia em rede, considero que papert, denotando a sua especial atenção no capitulo V, evidencia o papel da familia na construção das aprendizagens.
O computador poderá servir como unificador da familia, se os membros da familia se disponobilizarem a desenvolver as aprendizagens computacionais em conjunto, partilhando as suas dificuldades e facilidades.
Tal como afirma papert "... a necessidade de estabelecerem novas formas de relacionamento com os seus filhos e verem o computador como um meio para construírem a coesão familiar" podendo mesmo ser uma ferramenta essencial de coesão familiar.
A família é (ou devia ser), para todos nós, o bem mais precioso que devemos ter. É neste seio que adquirimos os nossos primeiros valores e onde aprendemos a respeitar os outros e a viver socialmente.
Numa época em que a sociedade exige demais de todos nós e em que as famílias têm cada vez menos tempo para conviverem uns com os outros e para se ouvirem mutuamente, Papert alerta-nos para a possibilidade de utilizar o computador como forma de interacção entre pais e filhos e até mesmo entre pais e avós.
"... a necessidade de estabelecerem novas formas de relacionamento com os seus filhos e verem o computador como um meio para construírem a coesão familiar, em vez de o considerarem um factor de desunião" Papert, 1996:116
Como Papert refere na página 117 as experiências que o computador disponibiliza podem constituir uma ferramenta essencial para a coesão familiar.
Mas... criticando um pouco aquilo que Papert defende neste capítulo (apesar de apoiar fortemente a importância da cultura familiar) surgiram-me várias questões que gostaria de partilhar...
c Até que ponto, na sociedade de hoje, os pais têm tempo para poderem partilhar conhecimentos e ajudar os próprios filhos? c Como é que os pais têm tempo para "pensarem sobre a aprendizagem familiar" se o mercado de trabalho exige cada vez mais aos trabalhadores, retirando-lhes cada vez mais o tmepo que seria dedicado à família? c Como é que se pode falar emestilos de aprendizagem se as crianças passam mais tempo na escola e nas creches do que em casa com os próprios pais? c E até que ponto é que os nossos idosos, os nossos avós (muitos analfabetos, já que a nossa população é maioritariamente constituída por idosos) podem usufruir da aprendizagem computacional?
Valorizar mais os valores, uma questão de principios...
Não sou o único mas, felizmente constituo uma ínfima parte da grande massa populacional preocupada com a forma como se vai evoluindo a tendencia para que a sociedade perca valores tão importantes como o respeito e a honestidade. Li o IV capitulo de Seymour papert sobre os valores e fiquei com a nítida sensação que em todo o seu discurso perpectuou a ideia de se conservá-los como chaves mestras que abram a porta de uma sociedade sadía que se quer construir.
" recomendo vivamente que a primeira prioridade, quando se pensa em aprendizagem na familia, seja dedicada a preservar valores de HONESTIDADE e de RESPEITO por cada individuo".
Realmente digo sem medo de errar que o Papert tocou o dedo na ferida quando afirma categoricamente que o engano na aprendizagem contraria de extremo a extremo os presupostos da educação moral.
Duas questões pairam na minha mente na escuridão do meu pobre pensar:
- Como contornar e chegar ao lado oposto desse ENGANO?
- Em que medida o computador ANULA a necessidade de mentir?
O Computador pode assumir um papel significativo na exploração de várias perspectivas,enquadradas num interesse global: o bem estar da família?
Neste capítulo fala-se de utilidade do computador para a criação de uma coesão familiar e uma cultura familiar de aprendizagem.
O autor refere a conclusão de um artigo sobre crianças que escreveu para a revista "Time", dirigido à família de uma forma semelhante a este livro, em que recomenda aos pais a reconhecer "...a necessidade de estabelelcerem novas formas de relacionamento com os seus filhos e verem o computador como um meio para construírem a coesão familiar, em vez de o considerarem um factor de desunião" (Ppert, 1996: 115 - Cap V).
O computador não deve ser encarado como um factor de desunião mas será que contribui para a coesão familiar?
"No meu ponto de vista, o conceito de cultura
familiar da aprendizagem destaca-se neste capítulo como fundamental. Este conceito relaciona-se com aquela que é a forma de pensar e agir de uma determinada família no que diz respeito à aprendizagem.
Tal como Papert diz,"Numa cultura familiar saudável, existirá uma base de entendimento, juntamente com uma compreensão das diferenças."(Papert, 1996: 116 - Cap. V). Isto é, uma família pode aceitar apenas uma forma de aprendizagem ou várias formas de aprendizagem, contudo, terá de ter em conta as inúmeras diferenças existentes.
"As experiências de aprendizagem computacional fornecem uma ocasião para a família se tornar mais consciente da sua cultura de aprendizagem e para a aperfeiçoar de modo progressivo."(Papert, 1996: 117 - Cap. V). Na minha opinião, o que Papert quer transmitir é que tanto por parte dos pais como por parte dos filhos existe uma desconfiança muito grande no que diz respeito às suas aptidões computacionais. É ao observarem os filhos a interagirem com o computador que os pais se apercebem do que estes são capazes de aprender através do computador. O mesmo acontece invertendo os papéis.
Assim, pais e filhos deverão em conjunto aprender através do computador, passando a cultura familiar de aprendizagem a uma cultura computacional da família.
"Uma boa actividade paternal, na área dos filmes, consiste em vê-los,
apreciá-los, falar sobre eles e criticá-los conjuntamente." (Papert, 1996: 118 - Cap. V).
Todos nós nos deparamos com a resistência dos nossos pais a aprendizagens novas, preferem pedir as crianças, pois elas parecem possuír maior "fluência tecnológica" , que como já vimos em capítulos anteriores advém da coragem e curiosidade de experimentar das crianças que não tem ainda o medo de errar dos adultos.
Tal como falamos dos nossos pais, podemos falar dos nossos avós para os quais esta nova tecnologia é ainda mais distante. O episódio que Papert conta sobre a sua própria mãe fez-me relembrar a minha avó que é demasiado resistente a qualquer tipo de nova aprendizagem. Cria uma carapaça com a desculpa de já ser demasiado velha para aprender (o computador é um mundo ). Eu partilho esta ideia de Papert sobre os efeitos que os avós podem ter na aprendizagem tanto na sua própria, como na sua colaboração com os netos. Penso que até é uma solução para que ao mesmo tempo que realizam aprendizagem os avós possam passar mais tempo com os seus netos e também aprender com eles.
É também um modo de fazer com que a dita "fluência tecnológica" não seja exclusiva das crianças.
Numa altura que muito se fala sobre a solidão da terceira idade esta é uma solução que pode em muito contribuir para uma redução desta solidão. Também não existe a desculpa de não se ter netos porque como diz Papert é sempre possível "adoptar" um neto.
Neste capitulo Papert faz referencia à
Familia, recomendando "...aos
pais para reconhecerem a necessidade de estabelecerem novas formas de
relacionamento com os seus filhos e verem o computador como um meio para
construírem coesão familiar, em vez de o considerarem um factor de
desunião." (Papert,
pp.115)
Procurando realizar tarefas
e projectos comuns no computador e não se preocupando com o que os filhos devem
ou não fazer no computador.
Um pouco mais à frente
neste capitulo Papert fala dos avós, aconselhando-os como encarar ou resolver
determinadas situações. Sendo a situação dos avós que passam muito tempo
com os netos, diferente da dos que passam pouco tempo com os netos.
Quanto a mim todas estas
sugestões são coerentes e de certo, para os avós que estão dispostos a
experimentá-las, muito interessantes.
Papert dá algumas
sugestões:
"Dar
presentes":
Se um avô não entende
nada de computadores, mas que também não esteja muito interessado em perceber,
pode no entanto "ser
capaz de acertar ao dar presentes relacionados com o computador." (Papert,
pp.131)
"Prestar
atenção":
Os avós devem prestar
alguma atenção ao que os seus netos fazem no computador, aproximando-se deles
e até da própria máquina , deixando "que
lhe mostrem o que fizeram ou o que podem fazer." (Papert,
pp.131)
"Fornecer
um aluno":
Neste caso é tentar que os
avós se tornem de alguma forma alunos dos seus netos, prestando atenção e
começando "a perceber o
que pode ser feito com computadores e estará a receber algo, mas este é um
caso onde se confunde receber e dar, pois tê-lo como aluno pode ser uma
experiência recompensadora para os miúdos." (Papert,
pp.132)
" Estar em
Contacto":
O objectivo aqui é que os
avós tentem ter o seu próprio computador, podendo "utilizá-lo
para manter um contacto mais estreito com os seus netos." (Papert, pp.132)
"Partilhar
projectos":
Exemplo: "Use
a ideia para avançar na elaboração da história da familia no computador. os
miúdos podem contribuir com as capacidades computacionais, enquanto o leitor
poderá fornecer os dados relativos ao que se passou há anos com o tio-avô
Nathaniel." (Papert,
pp.133)
"Tornar-se
adepto":
Os avós após várias
experiências com o computador acabam por se tornar adeptos, pois "por
achar que elas são boas para os seus netos, vai acabar por realizar algumas
apenas por si..." (Papert, pp.134)
"Adopte um
neto":
No caso de não existirem
netos, Papert aconselha a adoção, pois "Existem
imensas crianças em todo o mundo que só teriam a lucrar com o estabelecimento
de uma relação com o leitor." "...muitos reformados fizeram bem ao
mundo e ao seu próprio relacionamento, ao trabalharem com crianças em museus,
escolas, parques e hospitais." (Papert,
pp.134)
" A minha conclusão final consistia na recomendação aos pais para reconhecerem a necessidade de estabelecerem novas formas de relacionamento com os seus filhos e verem o computador como meio para construírem a coesão familiar, em vez de o considerarem um factor de desunião"capitulo V (Papert, 1996:115)
A coesão familiar não se realiza, somente através de palavras, mas também através da compreensão, que todos os elementos constituintes de uma família devem ter, ao viver em comunidade. Assim, sendo, a tecnologia é um meio, de transmissão de saberes e de informação, pelo qual todos os elementos de uma família ainda não estão habituados, como tal, para que haja coesão no seio familiar é necessário que ao envés dos pais não quererem que os filhos aprendem a mexer com os computadores, estes devem incorporar a necessidade de comunicarem com o mundo exterior através do computador.
Em que idade devem as crianças utilizar o computador?
"A resposta não existe porque o computador não tem de ser utilizado de uma só maneira" Papert, pp 139
Concordo com o Papert quando este nos diz que « os computadores podem ser bem utilizados em qualquer idade e também podem ser mal utilizados em qualquer altura». No meu ponto de vista, não existe qualquer contra-indicação na utilização de um computador por parte de uma criança pequena, tendo sempre em conta que o software que esta está a utilizar está de acordo com a sua idade.
A ideia pré-concebida que o computador só serve para trabalhos sérios e complexos, leva muitas pessoas, especialmente adultos, a achar que os computadores só devem ser utilizados por pessoas com conhecimentos informáticos.
Não há ideia mais errada do que esta, dando-se depois o caso de crianças que sabem lidar com o computador melhor que alguns adultos.
Papert, fala-nos nos de uma visão mais futurista da relação entre as crianças e os computadores. Partilho também do seu receio em relação a este ponto, pensar no computador como algo que poderá substituir de certa forma as funções dos pais. Sinceramente espero que isto não aconteça.
" a artigo sugeria que o entusiasmo das crianças em relação aos computadores fosse utilizado com base para fomentar a cultura familiar de aprendizagem"
É importante que os pais, nos dias de hoje, dêm importância ao entusiasmo dos filhos para aprender, ainda que seja maioritariamente em relação a coisas relacionadas com o computador.
O computador oferece uma inorme variedade de coisas para aprender, das mais varadas temáticas.
Para se aprender, por exemplo, História de Portugal, não é necessário ler livrossobre este tema, através do computador também poderemos aprender, basta por exemplo ter acesso à Internet, aproveitando assim o entusiasmo das crianças para aprenderem coisas que de outras formas seria aborrecido.
Portanto, considero que os pais devem ter em consideração os diferentes estilos de aprendizagem, que os filhos têm ou poderam vir a desenvolver.
"Deve estar preparado para falar de modo desinibido com eles, sobre a aprendizagem que fez por si mesmo e sobre as dificuldades que encontrou, quer as tenha resolvido ou não." Papert,pp. 122
Nem sempre aprendemos sozinhos. Por vezes aprendemos com as aprendizagens dos outros, observando-os, imitando os seus modos de agir, percebendo como resolveram os seus problemas.
É em casa que começamos o nosso processo de aprendizagem, por isso é essencial que pais e filhos partilhem as suas aprendizagens.
Se as crianças estão mais familiarizadas do que os adultos a trabalhar com os computadores, porquê não explicar aos pais como estes funcionam?
O importante é que pais e filhos conversem e discutam as dificuldades que encontraram e as aprendizagens que fizeram ao manusear o computador, para que deste modo se auxiliem um ao outro, fazendo um trabalho, uma aprendizagem conjunta.
Não devemos ter medo de dizer que não conseguimos resolver este ou aquele problema. Ao partilhá-lo até podemos vir a conseguir resolvê-lo ou podemos sempre tentar resolvê-lo com a família, pois várias cabeças pensam melhor do que uma.
Depois de o quinto capítulo do livro A família em rede, reparei mais outra vez no estilo de aprendizagem familiar experimentado na minha casa. Então, ao igual que fez o Papert, quis lembrar a primeira vez que a minha mãe ligou o computador?
Já quando eu próprio era um puto, havia um computador na casa. Naquela altura, não era um computador familiar, porquanto ainda meu irmão maior era o único que ligava aquele primitivo MSX da IBM.
Nos anos a seguir, procuramos um Pentium I onde eu próprio comecei a dar os meus primeiros passos computacionais, mas a minha mãe continuava a ter uma grande fobia daquele aparato desconhecido.
Não interessa como é que aquele computador mudou a vida familiar enquanto os anos de escolaridade. Apanhamos mais outros computadores e acrescentamos a nossa «fluência tecnológica» devagarinho.
Até há pouco tempo a minha mãe ainda não ligava o computador. Quando chegou a altura da minha partida para fazer o Erasmus, ambos os dois acordamos que era necessário comunicarnos através do correio electrónico, enquanto telefonar é imensamente caro.
Assim foi como procurei o seu interesse para ligar o computador e ensinar/aprender a utilizar um gestor de correio, nomeadamente, o Outlook Express. E correu tudo muito bem. Ao princípio sempre perguntava antes de fazer qualquer coisa se estava a correr bem, mas depois dos primeiros dias ela já fazia tudo sozinha. Envia-me pequenas mensagens que acresciam uma a uma.
Com certeza, esta experiência tornou a maneira de minha mãe e mais eu relacionarmo-nos através do e-mail. Mesmo eu próprio e ela estávamos orgulhosos de termos ensinado/aprendido e aprendido/ensinado a relacionarmo-nos com a tecnologia e a relacionarmo-nos nos próprios. Tornou também a sua fobia computacional que agora é uma filia computacional.
O que é que um computador é capaz de mudar na «cultura familiar de aprendizagem»?
Se concordar com o Papert, novas formas de relações familiares computacionais vão emergir através de um processo de construção social da aprendizagem familiar, porquanto A família em rede acredita na família «enredada» para a mudança dos modelos de socialização familiares e dos diferentes estilos de aprendizagem. Esta é uma opção pedagógica. É também uma opção política.
"...Fazer com que os que estão longe fiquem mais perto!"
No capítulo "A Família", Papert destina-se a falar sobre como o computador pode servir para uma união da mesma.O autor explica e exemplifica alguns modos de utilização do computador,como fazer jogos em família, realizar projectos e outros tipos de actividades, onde há possibilidade de fazer com que os que estam mais longe, fiquem mais perto!
Um dos casos de que gostei mais foi o episódio de aprendizagem" Um garoto e uma senhora"(pp:140).Um caso engraçado, que conta como duas pessoas que não se conheciam, começam a ter contacto e se ajudam mútuamente, saindo ambas a ganhar com isso.
Podemos mesmo manter contacto, talvez com mais facilidade, com pessoas que, por motivos vários, estam longe de nós.
Contudo, deve-se ter muita atenção, pois pode ser um perigo ter contacto com estranhos, uma vez que podem demonstrar ser uma coisa e ser outra completamente diferente.
Recomendação aos pais para reconhecerem a necessidade de estabelecerem novas formas de relacionamento com os seus filhos e verem o computador como meio para construírem a coesão familiar, em vez de o considerarem um factor de desunião. Papert, pp. 115
É importante que haja um bom relacionamento entre pais e filhos, que os pais se interessem pelos mesmos assuntos que os filhos, que estejam juntos no processo de aprendizagem.
As crianças, hoje em dia, estão cada vez mais direccionadas para o mundo dos computadores. É por isso essencial que os pais conheçam esse mundo e ajudem os seus filhos a percorre-lo.
Se houver um apoio mútuo, tanto dos pais como dos filhos, na aprendizagem computacional as relações terão provavelmente tendência a fortalecer e a ficarem mais coesas.
A Família é um conceito simples que comporta duas peças importantes - os membros e a cultura que possui, o que a distingue de outras e a torna única. A cultura pode ser vista de variadas formas. No entanto, penso que na família a cultura se refere " às formas de pensamento, às tradições, às crenças e aos valores que são partilhados " (Papert, pp 116) entre os seus membros. A cultura familiar evolui e aumenta com o debate entre pais e filhos de assuntos valorizados por ambas as partes, seja através de livros, filmes ou mesmo através do computador. Nos dias de hoje, este sim é um elemento importante de reflexão sobre a aprendizagem.
Papert alerta os pais para a necessidade de se estabelecerem novas formas de relacionamento entre eles e os seus filhos, vendo o computador como um meio que permite a coesão e não a desunião familiar. É este aspecto que deve ser comentado: "O computador traz muitas coisas novas e ele fomenta o desenvolvimento da cultura familiar de aprendizagem"
O medo ou o pouco conhecimento de como trabalhar com tal tecnologia não deve ser um motivo para não utilizá-la, mas sim um motivo para os pais quererem aprender com os filhos de modo a que novas relações se estabeleçam e para que a diferença entre as gerações seja pequena, respeitando estes com gentileza o estilo próprio de aprendizagem dos pais. As tecnologias são para todos e todos são capazes de aprender: desde o neto Sam até à avó de oitenta anos. O único requisito preciso, não se trata, então da idade, mas simplesmente da disposição constante para aprender coisas novas.
...os pais devem passar menos tempo preocupados com o que os filhos fazem ou não no computador e mais tempo a encontrar interesses comuns... (Papert, 1996:115)
Neste capitulo, a expressão cultura de aprendizagem familiar e relacionada e comparada com os diferentes estilos de aprendizagem existentes. Papert não se cansa de alertar e chamar a razão os pais, que muitas vezes sem quererem, não se apercebem que poderiam melhorar a relação familiar perdendo o medo infundado que nutrem do computador, melhor dizendo, das novas tecnologias.
Os exemplos deste capitulo inserem um leque vasto de idades comprovando que as tecnologias estão ao alcance e serviço de todos.
Não importa se e um adepto do "remexer" ou um Planificador, deve discutir o papel das novas tecnologias na educação porque efectivamente não há nada melhor do que uma discussão sobre as praticas educativas para estas melhorarem.
O computador e cada vez menos um instrumento determinado a regras e idades, ninguém nasce ensinado a trabalhar e desenvolver seja o que for no computador, mas todos nos somos capazes de o dominar, precisamos apenas de VONTADE.
P.S.: Ah, quase me esquecia, esta vontade tem de ser geral mas também politica.
Neste capítulo
Papert aborda um tema de grande importância “valores”
Estamos inseridos numa sociedade em que os valores como honestidade, respeito, e
não só…estão a ser deixados para trás.
A falta de honestidade sente-se até mesmo na sala de aula como diz Papert num
dos parágrafos do seu livro que passo a citar “ o sistema educativo fomenta um sentimento de cinismo entre alunos e professores, os alunos sabem que
nem todo conteúdo do currículo é importante e os professores são “obrigados “ a
cumprirem com o programa que lhes é fornecido e “ despejam” toneladas de
informações que muitos dos alunos nunca chegam a utilizar tamanha informação.
O respeito na aprendizagem também é um dos valores a considerar, como refere o
autor temos de ser capazes de mostrar respeito pelas crianças enquanto seres
pensantes e construtores de teorias. Como na maior parte das vezes não se faz
sentir este tipo de comportamento numa sala de aula e até mesmo no seio familiar
acaba-se por não deixar a criança pensar por si. Não se deve inibira criança mas
ajudá-la a sentir o prazer da aprendizagem pela descoberta.
Uma pessoa valorizada sente-se estimulada para ir em frente, aprende a
ultrapassar as suas dificuldades seus medos porque sente-se valorizada e capaz.
O inverso infelizmente acontece com maior frequência no ambiente educativo e não
só.
Ouvimos com frequência que os alunos são “burros à matemática” e os
próprios alunos, crianças têm a tendência de se comportarem como “ burros”
e são poucos os que conseguem provar o contrário, e disto todos nós ao longo da
nossa vida estudantil já presenciamos ou vivemos tal situação.
Papert diz que a deficiente está muitas vezes nas salas de aulas.
O computador veio de uma maneira interessante e divertida ajudar a gostar e a
compreender o misterioso mundo da matemática, pois viaja-se ao mundo da
matemática onde a aprendizagem é feita de forma honesta e respeitosa.
É importante ensinarmos as crianças que nos nossos dias ter um computador não é
sinónimo de “vaidade” mas sim um bem necessário.
A Internet também tem alguns perigos por todos (até mesmo crianças) terem acesso
a todo tipo de informação.
Mas para evitar que as crianças visitem sites considerados inconvenientes
utilizam-se os chips para o seu bloqueamento.
Termino com as palavras de Papert “ a consistência é uma condição prévia para
os padrões morais.
Para o autor, actualmente o verdadeiro problema da utilização do computador passa pela sua não correcta utilização, principalmente se pensarmos em termos de aprendizagem infantil. Tanto os pais como as escolas não conseguem que as aprendizagens sejam bem sucedidas, pois as crianças têm que participar não de forma obrigatória mas sim voluntariamente e empenhadamente.
Se se tiver sucesso haverá alterações nas relações humanas (pais/filhos; alunos/professores, etc.) que se repercutem numa melhor forma de pensar. Desta forma não se agravarão os problemas actuais da nossa sociedade e não se originarão outros ainda piores.
Este tipo de aprendizagens pela auto descoberta e empenho efectuar-se-ão como? O autor fala do que está errado, indica a aprendizagem que considera certa mas não aponta a forma como esta se irá realizar. Os computadores podem ser muito eficazes mas não são soluções para o total sucesso na evolução das aprendizagens.
“É verdade que a aprendizagem tem adquirido má fama, devido a práticas empobrecedoras da escola e mesmo à actuação dos pais que adoptam insistentemente a divisa de “Agora aprende. Podes brincar mais tarde.”” (Cap. III, pág. 81)
Hoje em dia torna-se muito fácil culpabilizar ou as escolas ou os pais.
No entanto quais serão as verdadeiras razões para a falta de motivação para as aprendizagens por parte das crianças? Como se resolverá este assunto?
É interessante ver como a família pode participar do mundo das crianças e ajudá-las a adquirir um tipo de cultura que não se aprende nos livros....
A Cultura Familiar!
Papert dá alguns conselhos aos avós para que estes possam passar mais tempo com os netos, começa por falar em dar presentes relacionados com computadores, em dar mais atenção ao que os netos fazem e até mesmo servirem de seus alunos nessa caminhada, bem como estar em contacto com os netos via Internet etc...
Mas o meu objectivo não é estar a descrever todos os conselhos de Papert em relação aos avós e sim falar acerca do conselho que mais me fez reflectir: Adoptar um Neto
Se já acho interessante adoptar uma criança como filho, então esta ideia de adoptar um neto achei realmente fascinante. Tantas crianças que precisam de carinhos de uma avó ou de um avô, tantas que mesmo tendo pais nunca tiveram uma avozinha que lhes fizesse docinhos pela altura do natal, que partilhasse uma brincadeira, que passeasse pela praia.
São tudo coisas que fiz com a minha avó e ainda faço que me dão tanto gosto e prazer, ela é uma das razões da minha existência....
Por isso este contributo será mais uma homenagem aos avós que tantas vezes nos contaram historias para dormir, que tantas "birras" nos aturaram... E especialmente aos avós "adoptivos" que sem qualquer obrigação, fazem a delicia de tantas crianças!
É mais uma vantagem das Novas Tecnologias. Agora já é possível estabelecer relações via Internet o que permite quem mesmo pessoas quem não possam ter contacto físico, podem estabelecer relações de carinho afecto e compreensão...
Mas serão estas relações tão fortes como as que se estabelecem pessoalmente?
“ …os meus filhos não gostam de computadores, quererá isso dizer que alguma coisa vai mal com eles”
O facto de alguns miúdos, não gostarem de estar na presença de um computador, não significa que se passo algo de errado com a criança.
A experiência mostra, no entanto, que quanto maior for o contacto com este “meio informático”, maior será a probabilidade da criança se sentir à vontade com este.
Esta atitude de medo, poderá ser derivada ao facto da criança ter experimentado um acontecimento negativo, ou de não estar em contacto directo com o meio, demonstrando por isso uma atitude de receio.
Esta ideia poderá ser resolvida através de um maior contacto e interacção da criança com computador, junto de um adulto, com o objectivo de diminuir os seus receios individuais.
A meu ver, o computador é um meio muito útil, e deve ser incutido desde cedo nas crianças, pois só assim, estas ficam mais aptas e preparadas para o futuro que as reserva. Os computadores desenvolvem também capacidades de aprendizagem, sendo que, se estas forem incutidas precocemente numa criança, provavelmente, a criança sente-se mais segura quando experimentar esta ferramenta tão poderosa.
Existem diversas formas e estratégias, para aprender. Por isso o autor, refere neste capítulo quatro factores fundamerntais no processo de ensino/aprendizagem: a honestidade; o respeito;o materialismo e o relacionamento na internet
A honestidade é uma exigência básica para uma boa aprendizagem, tem que acontecer numa atmosfera de abertura e confiança.
Pais e os educadores têm o dever de ajudar as crianças a alargar a sua compreensãoo do mundo e a sua capacidade de encontrar explicações para as inúmeras situaões com que se deparam , no entanto, sempre de forma autonoma. As crianças devem ser capazes de pensar e reflectir sobre aquilo que lhes é dito, em vez de se limitarem a repeti-lo.
É preciso respeita-las "... enquanto seres pensantes e construtores de teorias ..."(Papert, 1996: 102 - Cap. IV), caso contrário, "... estamos a privar a crianças do prazer e do beneficio da descoberta."(Papert, 1996: 103 - Cap. IV).
O computador é, cada vez mais, associado a um crescente materialismo e não lhe é dada a devida importância enquanto promissor do desenvolvimento sociocognitivo da crianças.
No que se refere ao relacionamento na internet e porque existe muita informação inadequada para as crianças, os pais devem "... tentar evitar que os seus filhos estabeleçam contactos indesejáveis..." (Papert, 1996: 112 - Cap. IV). A utilização de uma combinação de sistemas de classificação e de software especial, ou de chips, possibilitam o bloqueamento da comunicação com alguns sites considerados inconvenientes.
Aprendizagem de estilo familiar ou Aprendizagem de estilo escolar ?
Dois conceitos, introduzidos por Papert no terceiro capítulo Aprendizagem que nos direcciona para duas formas de aprender, duas abordagens: a abordagem instrucionista e a abordagem construcionista.
Por um lado um método de aprendizagem dirigida e instruída pelos outros (aprendizagem de estilo escolar), e por outro, um método apreendido por nós mesmos (aprendizagem de estilo familiar).
Do meu ponto de vista, considero, como o autor refere, que a melhor forma de abordarmos este tema da aprendizagem seria assumir uma atitude de reconhecimento da importância das duas posições: a construtivista e a instrucionista, procurando uma base de equilíbrio.
Papert, ainda neste capítulo, alerta para a diferença que existe entre softwares. Aqueles mais fáceis e baratos de produzir, através dos quais, lucram as empresas e o software criado com base numa filosofia educativa.
Frequentemente, a maioria das pessoas, compra software de baixa qualidade educativa, talvez por ser aquele que existe em maior quantidade e a um preço mais acessível.
Podemos deduzir que o acontece deriva das pessoas não possuirem os conhecimentos necessários para discernir qual o software mais adequado em termos pedagógicos.
Eu pergunto:
- O que é mais importante? Obter lucros financeiros contribuindo, assim, para o crescimento económico de uma sociedade ou, antes pelo contrário, formar e educar os indivíduos com base numa filosofia educativa?
"O escândalo da educação reside no facto de sempre que ensinamos algo estamos a privar a criança do prazer e do benefício da descoberta"(Papert :103)
Quanto a mim uma das maiores qualidades das crianças é sua imensa curiosidade de aprender, de saber, de descobrir sem se preocupar se está certo ou errado, ou seja, sem o medo de se enganar, que é o que acontece com a maioria dos adultos.
Mas porque será que quase todos temos essa curiosidade quando somos crianças e depois chegamos a adultos e a perdemos?
Penso que uma das respostas está no que diz Papert. Não deixamos a criança aprender por sim, pois cada vez que ela acha que descobriu qualquer coisa certa, esta sua descoberta é desvalorizada e corrigida pela versão correcta que tem o adulto. Em vez de encorajarmos a sua descoberta e explicarmos que é uma optima teoria mas que talvez não seja bem assim, limitamos-nos a dizer " Está errado"...."É assim".
Deste modo limitamos a criança, pois esta vai sendo desencorajada a decobrir o mundo por sim própria e encorajada a descobrir o mundo através dos outros.
Criamos então crianças obdientes e sem nenhum tipo de vontade de descoberta.
Neste capítulo Papert descreve de forma fantástica (aliás esta é uma característica constante ao longo de toda a obra) os quatro factores fundamerntais da aprendizagem.
Em todo o lado ouvimos falar sobre os "Perigos na Internet" que constituem hoje parte da realidade do "nosso país" e até mesmo parte da realidade do "nosso mundo".
"Uma criança pode falar com um especialista numa área de interesse comum. As vantagens são imensas, mas, pela mesma razão, os riscos são sérios. Pessoas que pode considerar companhias indesejáveis podem agora bater à porta digital dos seus filhos."(Papert, 1996: 111 - Cap. IV).
Todos sabemos quais os riscos que nos dias de hoje as crianças
correm ao navegar na Internet, assim achei maravilhoso o facto de Papert de
forma simples e directa dar alguns conselhos aos pais por forma a prevenirem estes
mesmos riscos:
."O primeiro consiste em tentar evitar que os seus filhos estabeleçam contactos
indesejáveis.. "(Papert, 1996: 112 - Cap. IV), através da utilização de sistemas de classificação, de software especial e de chips bloqueadores de sites considerados menos propícios.
."Outra variante consiste em permitir que a criança comunique apenas com um site.."(Papert, 1996: 112 - Cap. IV), também esta solução é realizada através da utilização de um chip.
Papert deixa ainda bem claro o papel fulcral da honestidade. Defende que os pais devem deixar as crianças à vontade no que diz respeito ao seu "dia-a-dia na Internet", de forma, a que possam controlar alguma situação aparentemente estranha. "Os comportamentos esquisitos devem ser compartilhados e discutidos, em vez de serem assunto tabu, espreitados e nunca mencionados por existirem receios de reprimendas ou risos abafados."(Papert, 1996: 113 - Cap. IV).
Papert neste capitulo refere três
"questões de valores" considerando-os fortemente relacionados com a
aprendizagem:
Honestidade e Engano
Respeito
Materialismo
Honestidade e Engano:
"Dizer ás pessoas que é feio
mentir, sabendo que se lhes está a mentir, é não só moralmente
indefensável, mas também um modo infalível de se obterem resultados opostos
aos desejados" (Papert,
pp.99)
Respeito:
"Por um lado, queremos encorajar
as crianças a pensarem por si, em lugar de repetirem simplesmente o que lhes é
dito. Temos de ser capazes de mostrar respeito por elas enquanto seres pensantes
e construtores de teorias." (Papert,
pp.102)
Materialismo:
"Como último presente caro,
aparece como uma culminação do movimento em direcção a brinquedos cada vez
mais caros, cheios de perigos para o desenvolvimento de valores sociais e
pessoais das crianças e, talvez, até para o seu crescimento enquanto
aprendizes" (Papert,
pp.107)
Papert faz várias referencias ao longo
destes três pontos, dos quais eu retirei um frase de cada, onde lhes dou alguma
importancia. No entanto, de uma forma muito resumida digo que, a honestidade é
de facto algo muito importante para tudo na vida, mas na aprendizagem é
essencial, sendo com esta mais facil obter os resultados que desejamos.
Relativamente ao respeito penso que é fulcral que os adultos tenham respeito
pelas crianças e que acima de tudo as deixem descobrir coisas por elas e
deixá-las mostrar essas mesmas descobertas. Por fim, no que respeita o
materialismo, penso que a sociedade hoje em dia dá mais importancia à marca,
à loja onde comprou, à capacidade do computador que ofereceu ao seu filho,
onde a celebre frase de vez em quando é ouvida: "comprei
uma grande máquina ao meu filho,com um écran daqueles fininhos, é um
espectáculo..." em vez de
se peocuparem com o que o filho pode aprender e desenvolver com a bendita
"máquina".
“vai certamente ter de combater algumas fortes tendências da cultura computacional dominante e poder ter também de o fazer em relação ás políticas das escolas dos seus filhos”capitulo IV (Papert, 1996:98).
Estando o mundo computacional sempre em movimento, é necessário ter em conta a preservação da cultura de um país, com isto não quer dizer que o mundo dos computadores perca o espaço que está a ser conquistado na nossa cultura, mas sim enriquece-la. As novas tecnologias estam, hoje em dia, no seu auge, contudo seria agradável que estas integrassem os nossos valores, costumes, normas...
È necessário que tanto a nossa geração como as futuras estajam pré-dispostas a ajustarem toda a história cultural com as novas tecnologias, sendo que esta última é um meio pelo o qual podemos divulgar a nossa cultura, e receber informação acerca de outras culturas.
Tanto os valores e aprendizagem são de alguma modo seriados respectivamente sobre o "saber estar" e o "saber ensinar". Nesta dualidade ficamos cientes que estes dois conceitos estão interligados e de alguma modo inseparáveis. Ensinar sim, mas como transmitir o conhecimento de modo a não desmotivar as crianças pela sede da descoberta? ou seja, "gerar a aprendizagem". No desenrolar deste processo, tal como de certo modo papert evidencia deverá-se ter presente aspectos como por exemplo a honestidade.
As novas tecnologias poderão motivar a crianaça para uma aprendizagem interactiva e estimuladora. O problema está inerente a nova "macro janela" que pode trazer tanto benifícios como prejuizos para os mais novos e não só.
Benefícios, na medidade em que a criança pode investigar e procurar matérias didácticas e sobre o que está a desenvolver ou explorar(relembremos o caso da jenny). Os prejuizos ou melhor os perigos estão presentes nas informações falsas, sites indesejáveis etc, etc, etc. Por conseguinte as crianças deverão ser acompanhados pelos pais aquando o trabalho no computador ou pesquisa na internet, devido a uma sociedade, ou melhor certos individuos desprovidos de valores e que não respeitam a zona de proximidade pessoal dos outros, no sentido em que "a sua liberdade termina a onde começaa a do outro".
O ter como critério de sucesso!
Devemos pensar no ter, não como critério de sucesso ou estatuto social, mas sim como meio para aprender melhor, como devemos também ser partidários do que temos.
Felizes pelo facto de possuirmos mantendo sempre em plena consciência, a falta que o mesmo provocará nos outros.
Honestidade!
Afinal, como podemos ser honestos com os outros, se na maior parte das vezes, não o somos com nós próprios.
A internet é um meio muito fácil para se notar desonestidade, trata-se de uma realidade virtual, e é muito normal que nos façamos parecer com aquilo que não somos. Mas afinal até que ponto estamos a sder desonestos?
Engano!
O engano no ensino e na aprendizagem, parte essencialmente, pela perda de bons costumes, estes introduzidos primeiramente pela família (pais), eles são os verdadeiros pioneiros e ao falharem todo o resto falha.
Valorizar as pessoas!
O grande problema da sociedade de hoje são os preconceitos, os juízos mentais que fazemos dos outros, sem os conhecermos verdadeiramente,( o que depositamos nos outros e o que os outros depositam em nós). Vivemos numa sociedade pessimista e negativista, não seria bem mais fácil, procurarmos nos outros o que de bom eles têm, mas não, salta-nos logo aos olhos os defeitos ou "feitios" que reflectem sempre que nós próprios olhamos para o espelho.
É preciso que a escola emita juízos de valor diferentes.
Afinal quem terá razão?
Esta situação realmente é bastante preocupante, questiono-me muitas vezes sobre o facto de , como é que isto tudo irá acabar ou se realmente terá um fim.
Como lado positivo, tenho o exemplo das doenças; se não existissem estes avanços tecnológicos, como iríamos descobrir as curas paras as próprias? Mas, e o outro lado da moeda; quando descobrem a solução para uma , esssa mesmo provocará outra. Trata-se de um ciclo muito vicioso. Até que ponto, é bom termos máquinas para nós? Se por um lado nos poupam trabalhos, po outro tiram-nos.
Não estou do lado dos Ciberutópicos, mas também não estou a favor dos Cibercríticos.
Era bem mais fácil se tivessemos limites para tudo na vida!!!...
É bem verdade, que cada vez mais as crianças se tornam mais cedo independentes dos pais, estes surpreendem-se com as atitudes e comportamentos, que as mesmas adquirem no mundo que as novas tecnologias lhes proporcionam. Mas afinal, até que ponto, é que esta dependência não lhes prejudicará no desenvolvimento, na medida em que vão perdendo a sensibilidade de tudo o que os rodeia. Por exemplo: foi provado à bem poco tempo, que as crianças dependentes dos computadores, têm muita dificuldade em aprender a ler, outras apresentam anomalias no processo de socialização, fecham-se muito em elas próprias distantes de tudo e de todos. É necessário que os pais controlem, o tempo que as mesmas perdem à frente do computador, bem como os programas que normalmente frequentam.
O capítulo quatro refere-se aos valores, sendo uma pequena parte deste dedicado aos perigos da Internet. É verdade que a Internet é um vasto meio de informação que pode ser muito útil para a formação de novas aprendizagens, contudo, também pode ser perigoso, se a navegação na Internet não for mediada por alguém.
Os perigos são vários, e estão à espreita a cada navegação, “pessoas que pode considerar indesejáveis podem agora bater à porta digital dos seus filhos, introduzindo-se na sua casa, via computador”. ( pp.111)
Há vários tipos de perigos na Internet, sendo alguns deles: informações falsas, sites de pornografia, “hackers”, que entram nos nossos computadores pessoais, bem como a recepção de vírus através de ficheiros que nos são enviados, etc.
É por isso necessária, muita precaução e acompanhamento constante dos adultos nas explorações feitas pelos mais novos.
Os valores são orientações para todos nós, no entanto têm significados diferentes para cada um de nós. Tal como refere Papert “existe uma cada vez maior aceitação da ideia de que é necessário que aquilo que as crianças aprendem tenha «significado»”, por isso é crucial a sua questão “O que é importante?”, cuja resposta está relacionada com os valores.
O autor realça quatro aspectos a ter em conta, aos quais eu vou fazer um pequeno comentário:
Honestidade e engano
Respeito
Materialismo
Relacionamento na internet
O primeiro ponto é tão importante na cultura computacional, como em qualquer área de qualquer cultura e de qualquer pessoa.
No meu entender, nós não temos a noção do quanto as crianças sabem e compreendem, por isso acho que o mais importante seria mostrarmos aos nossos educandos o lado positivo e motivante de qualquer aprendizagem, porque todos nós gostamos de descobrir coisas novas, principalmente as crianças, cuja curiosidade é imensa.
Nós não temos que andar sempre a tentar convencê-los de que aprender é bom, naturalmente eles já o deviam saber. Mas muitas vezes erramos nas abordagens que escolhemos para ensinar algo e nós próprios nos traímos com actos tão pequenos mas tão significativos que demonstram que talvez aprender não seja assim tão interessante. Se formos francos com eles e lhes explicarmos que por vezes há modos de ensinar mais aborrecidos que outros e que existem matérias que vão mais ao encontro dos nossos interesses que outros, mas que tudo é importante porque nos abre horizontes para um mundo muito grande e nos deixa a possibilidade de entendermos um pouco mais de tudo, principalmente do que gostamos mais.
Além disso podemos sempre encontrar mais um interesse. Penso que será nesta base que acabaremos com o engano e que vamos abrir a mente de todos nós para o mundo da aprendizagem.
O respeito sempre foi um valor incutido pelos meus pais e professores desde que eu me lembro ser gente, mas será que ele é cumprido por todos?
Ao ler este capítulo a ideia com que fiquei é que nós usamos o respeito para nosso proveito e se outra pessoa tem ideias diferentes da nossa, na maior parte das vezes ficamos sempre com a sensação de que nós é que temos razão. Quando as crianças formulam teorias sobre os fenómenos que as rodeia, como nos exemplos dados por Papert, estam apenas a revelar mais uma vez o interesse e curiosidade que têm pelo mundo e a ânsia de aprender que desejam satisfazer. Há teorias que parecem impensáveis, mas todas elas merecem o nosso respeito. E no caso das crianças o importante é indicarmos novas pistas de modo a que eles próprios possam reformular as suas teorias.
" O escândalo da Educação reside no facto de sempre que ensinamos algo estamos a privar a criança do prazer e do e do benefício da descoberta" (capitulo 4: pag.103)
Como sabemos um dos objectivos da educação é a transmissão de valores, conhecimento.
Esta transmissão por norma é mediada pelo professor, o que pessoalmente acho que não seja uma forma de privar a criança da descoberta, pelo contrário, vejo o ensino como algo que permite abrir portas para a descoberta.
É na escola que aprendemos aquilo que podemos sozinhos ou não investigar, aprofundar, partir para a descoberta...
" Fico preocupado com o facto de as decisões(...) dos pais sobre o quê e como os seus filhos aprendem serem fortemente influendiadas pelos resultados de um processo de selecção (...) produzido pelos meios de comunicação social pode prevalecer sobre a filosofia educativa" (capítulo 3: pag. 65)
Hoje em dia e cada vez mais os meios de comunicação social têm uma grande influência sobre as pessoas. Uma grande parte do que é transmitido nestes meios é publicidade.
Esta publicidade e até muto do que é dito por estes meios é falacioso, levando muitos pais a adoptarem materiais, livros, programas, jogos que não são os mais adequados para o desenvolvimento e aprendizagem dos seus filhos.
Pais, computadores e aprendizagem. A gente fala no blog colectivo. A Ana, a Mónica, a Cátia, a Sara, a Isabel, etc. Os contributos à volta da questão lá estão.
E a questão é que “o que os pais precisam de saber sobre computadores não é na realidade sobre computadores, mas sim sobre a aprendizagem.” (Papert, 1997:30)
Assim diz o Seymour Papert. A Sherry Turkle, colega do Papert no MIT, esclarece a questão na citação tirada do livro A vida no ecrã.
A Turkle liga a grande quantidade de conteúdos da Internet com a possibilidade de as crianças acederem sem limites, e também desloca aos pais para o papel de actores sociais na relação das crianças com os computadores.
“Os pais precisam de saber falar com os seus filhos sobre os sítios que eles frequentam e aquilo que andam a fazer. Esta mesma regra de bom senso aplica-se às vidas dos seus filhos no ecrã. Os pais não têm que se tornar peritos técnicos, mas precisam de aprender o suficiente sobre redes de computadores para discutirem com os filhos o quê e quem por lá navega e estabelecerem algumas regras básicas de segurança.” (Turkle, 1997: 339)
Turkle, Sherry (1997), A vida no ecrã. A identidade na era da internet, Lisboa, Relógio D’Água.
O uso do computador como transmissor de valores na aprendizagem
"A utilização do computador, como uma entidade matematicamente expressiva, permite-nos de facto fazer uma Terra da matemática, um lugar onde ela pode ser não apenas efectivamente aprendida, mas também sê-lo de forma honesta e respeitosa."
Lembro-me de quando andava para aí na minha 3ª ou 4ª classe e a minha professora me mandava ir ao quadro resolver as contas de dividir por números de 2 algarismos que eu sempre tive alguma dificuldade em resolver... Recordo-me que por cada vez que ela me mandava e eu não conseguia fazer cada conta, levava uma bofetada na cara e, em alguns casos, recordo-me que ainda era "apelidada" de burra...
Não que me queira desculpar, mas considero que isso foi um factor decisivo na "aversão" e no medo que ganhei em tudo o que estivesse envolvido com conceitos matemáticos e que envolvesse números...
Felizmente, os tempos mudaram e algumas ideias também! Refiro-me, nomeadamente, ao valor RESPEITO na educação. Ainda que hajam muitos outros referidos por Papert, este foi aquele que captou mais a minha atenção. Com a leitura deste capítulo, posso concluir que o correcto uso do computador dentro das escolas pode, de facto, ser uma importante mais-valia para que os alunos de hoje e do futuro possam vir a ser pessoas mais ricas e melhores.
Contudo, também queria aqui deixar a minha relutância quanto à problemática dos valores na educação... Por coincidência (ou não!) ainda ontem se falou disto na aula de Sociologia... Cada professor é o reflexo daquilo que é enquanto pessoa e, como tal, todos somos diferentes...
Daí que falar em computadores seja algo de muito complexo e que requer muitos cuidados.
“O escândalo da educação reside no facto de sempre que ensinamos algo estamos a privar a criança do prazer e do benefício da descoberta” (Papert, 1997: 103)
“Não tenho qualquer dúvida sobre a necessidade de existir um computador em todas as casas e que quando a família tiver disponibilidades deve haver um segundo para as crianças” (Papert, 1997: 108)
O Papert refere alguns perigos da internet e reabre o debate da deformação das identidades das crianças, já antevejo no primeiro capítulo. O perigo do acesso sem limites, da livre escolha neo-liberal, está na mudança do controlo da construção social da infância que passa das mãos da família para as mãos dos detentores da informação, que dizer, das multinacionais que possuem o poder económico e a capacidade de construir e deformar a vida em sociedade para o consumo das massas.
"A cultura da Internet tem fortes tendências igualitárias" Papert, pp 108
Na Internet todos somos iguais, todos temos acesso à mesma informação e como diz Papert, " o milionário adulto e o miúdo de dez anos têm as mesmas possibilidades de acederem aos sítios virtuais da rede." pp. 108
É importante que todos sejam vistos do mesmo modo, perante a sociedade, e que todos tenham acesso à mesma informação.
A Internet possibilita isso mesmo. Que todos sejam iguais entre si neste mundo das tecnologias, evitando os preconceitos e as diferenças culturais e económicas entre os indivíduos.
"...O escândalo da educação reside no facto de sempre que ensinamos algo estamos a privar a criança do prazer e do benefício da descoberta…”Papert,pp
É através da exploração do meio que a criança consegue aprender e descobrir o que a rodeia.
Os educadores têm o dever de auxiliar as crianças a compreenderem o mundo e o que nele se encontra. As crianças precisam de ser guiadas e orientadas, para que no futuro possam desenvolver crenças e valores. Quando estas erram, têm de ser chamadas à atenção.
No entanto surge um dilema, que se prende aos limites de aprendizagem que um adulto pode conceder a uma criança. Quando o adulto está constantemente a invadir o meio da criança, mesmo que seja com aprendizagens, a criança por vezes inibe-se, limitando a sua aprendizagem. No entanto, há certas temáticas que a criança tem de aprender com os mais velhos, e outras, que certamente, daria mais valor se tivesse o prazer de as descobrir sozinha.
O adulto deve orientar a criança, no entanto não deve privá-lo, da sua própria capacidade de exploração, pois essa é a sua maior riqueza.
"Devemos assegurar que o facto de alguém possuir computador nunca se tornará num « sinal de estatuto» Papert, pp 108
Hoje em dia o computador é cada vez mais utilizado pelos indivíduos, nomeadamente pelos estudantes.
O computador é uma ferramenta essencial para a elaboração de trabalhos.
Mas será que um aluno deve ser prejudicado, na sua avaliação por não fazer os trabalhos no computador?
Não é por alguém ter um computador que é será melhor que os outros, que por qualquer razão não têm.
É verdade que esta ferramenta nos ajuda bastante na aprendizagem e nos dá acesso a um quantidade ilimitada de informação, mas é igualmente verdade que nem todos têm acesso a esta ferramenta e que muitas vezes quem não possui computador acaba por ter um estatuto diferente de quem possui.
"As vantagens são imensas, mas, pela mesma razão, os riscos são sérios" Papert. pp 111
A Internet possui muitas vantagens, entre elas a possibilidade de obter informação quase ilimitada, muitas vezes, sem sair de casa. Também nos dá a hipótese de através de programas de chat conhecermos novas pessoas, quer de sitios próximos, "quer do outro lado do planeta".
Uma questão que se põe é saber se as crianças estão preparadas para lidar com este tipo de realidade? A procura de informação leva-nos muitas vezes a enganos, a sitios e assuntos que não procurámos.
E no caso das crianças, deve-se deixa-las procurar sozinhas e reflectir sobre o que realmente é importante e sobre o qual estão a fazer a procura? ou deve-se utilizar software que limite a procura, não deixando aceder a conteúdos próprios de adultos, por exemplo sites pornográficos?
E no caso dos programas de chat, será que as crianças devem ter acesso a estes? como Papert nos diz:" Pessoas que pode considerar companhias indesejáveis podem agora bater à sua porta digital dos seus filhos, introduzindo-se na sua casa, via computador."
Na minha opinião, devem ser os Pais a controlar o acesso dos seus filhos à Internet, necessitando como é obvio, de estarem informados e alerta para todo o tipo de problemas e situações com que os seus filhos se podem deparar.
"...O escândalo da educação reside no facto de sempre que ensinamos algo estamos a privar a criança do prazer e do benefício da descoberta." (Papert, 1996: 103)
O quarto capítulo do livro é extremamente interessante do ponto de vista ideológico, Papert defende que as práticas educativas podem ser melhoradas através de algo tão simples como ensinar as crianças algo com significado.
As quatro questões de valores apresentadas neste pequeno e ao mesmo tempo tão grandioso capítulo, são essenciais para a compreensão de temas na área da aprendizagem como honestidade, respeito, materialismo e a utilização da internet.
Realço apenas destes temas, o que me chamou mais a atenção:
As crianças fazem mais depressa aquilo que nós fazemos do que aquilo que nós lhes dizemos para fazerem!
Mediante o processo de aprendizagem, não devemos cortar nem interromper o raciocíonio de uma criança mas sim tentar perceber a forma como ela entende e interpreta o mundo que a rodeia.
Actualmente as crianças tem acesso às mais variadas opções tecnológicas, o que lhes permite aceder a um maior número de informação e acção. Por exemplo a internet pode ser utilizada para vários fins, se estimular e educar o seu filho na base da confiança e veracidade, ele vai certamente ter entusiasmo em mostrar aos pais o que descobriu e aprendeu em mais um dia de descobertas na WWW.
Para acabar o conselho de Papert é essencial, troquem de vez em quando os papéis, de modo a perceber as fronteiras e horizontes que o separam da sua pequena criança, a sua tarefa de educar tornar-se-á muito mais fácil.
A MELHOR APRENDIZAGEM É A QUE SE COMPREENDE E D� PRAZER PAPERT.
CAP.III
Neste capÃtulo o autor vai-se debruçar sobre a Aprendizagem.
retirei do livro uma das frases que achei pertinente.
muitas vezes não se aprende porque não se compreende. não só as crianças, mas a maior parte das pessoas aprende com mais facilidade se a aprendizagem for de forma divertida e descodificada.
a falta de motivação e criatividade por parte de alguns professores resulta no fraco aproveitamento de alguns alunos.
Muitos pais não mostram pelos filhos o respeito de considerar que se eles não gostam das tarefas escolares, pode ser que o problema resida nessas tarefas>
Não penso de todo que a questão seja o respeito ou o desrespeito dos pais pelos filhos, mas sim a impotência dos pais no sistema educativo. Por mais que hoje em dia se diga que os pais fazem parte da escola e que podem e devem desempenhar um papel importante na escola muito poucos são os pais que o fazem e mesmo quando o fazem não são ouvidos, ou é minorizado o que eles defendem
Por exemplo supondo que os pais compreendem que o filho está a ter dificuldades a matemática porque o método de explicitação da matéria do professor é ineficiente, mesmo que eles vão falar como o professor, o que várias vezes acontece, este simplesmente responde que é o método dele e que o professor é ele, ou seja o único com poder de decisão sobre como dar a matéria.
Numa segunda tentativa o pai poderia ir falar como o director de turma que é que faz a ligação entre os pais e os professores, mas a resposta que provavelmente ouviria era: "Não me posso intrometer nos métodos de ensino dos meus colegas, seria desautorizá-lo". Ou seja mesmo que um professor esteja a ter um mau desempenho e cause nos alunos algums " traumas" sobre certas disciplinas isso é permitido pois é o método de ensino dele. A ideia que tenho é que os professores não são de todo avaliados nas tarefas que executam.
Portanto mesmo que os pais possam atribuir às tarefas ou aos professores e seu método de ensino a culpa pelo desinteresse dos seus filhos por determinadas tarefas isso não vai modificar a maneira como eles encaram as tarefas.
Todos nos já tivemos professores dos quais não gostavamos e isso fez com que estivessemos menos interessados nas disciplinas, mas como poderá um aluno ter interesse se:
- Ao fazer uma pergunta sobre a matéria ouve "pergunta estúpida, escreva 10 vezes, não devo fazer perguntas estúpidas". Ao invés destar a prestar atenção à matéria está a escrever e ainda é gozado pelos colegas....Resultado próxima vez que tiver uma dúvida não a esclarece e fica sem saber...
Nos EUA tem-se discutido quem deve ser responsável pela transmissão dos valores: a escola? os pais? criar disciplinas próprias para essa transmissão?
«A principal relação entre o computador e o desenvolvimento moral está assente na capacidade que o computador tem de fornecer um contexto, no qual o conhecimento é visto como tendo um desígnio e um significado compreensíveis, anulando assim a necessidade de se mentir» (Papert, pp 99,100)
Neste contributo decidi fazer uma coisa diferente: Que tal reflectirmos um pouco e comentarmos cada um dos valores que Papert refere?
Assim, pergunto-nos:
* Será que todas as aprendizagens deverão ter significado? Não deverão ser por vezes enganosas e desonestas? Não será o engano uma forma de respeitar a aprendizagem das crianças, valorizando as suas justificações e permitindo o seu desenvolvimento intelectual por descoberta?
* O materialismo pode interferir negativamente com a aprendizagem? «o ter e os outros não» pode ser comparado com «o saber e os outros não»?
* O relacionamento na Internet é APENAS prejudicial?
"O papel do Professor é criar as condições para a invenção, em lugar de fornecer conhecimentos já consolidados" Papert pp75
Papert faz-nos reflectir de uma forma quase constante ao longo do livro, no meu caso pessoal, penso que a frase acima transcrita é um bom exemplo para uma reflexão.
Em primeiro lugar qual o papel do professor? qual o papel do aluno? será que esta ideia do professor criar "a base" para uma aprendizagem autodirigida pelo aluno não será utópica? e apenas conseguida numa situação de escola ideal?
Na minha opinião, era isso que devia ocorrer em todas as escolas, em todas as salas de aulas mas isso não se verifica. Motivos? poderão ser vários: falta de tempo, programas extensos, etc.
O professor não tem praticamente tempo para leccionar a matéria prevista, acontecendo muitas vezes, como que um despejo de informação que os alunos por vezes nem conseguem compreender nem adquirir.
Já na recta final deste quarto capítulo, Papert faz referencia a algo que me despertou imensa atenção, visto se tratar de um assunto muito em voga: a Honestidade na Internet. Ou melhor...a falta dela! Afinal... quem é que nunca mentiu numa conversa de chat? Quem é que nunca alimentou uma mentira atrás de um monitor por tempo indeterminado? Quem é que, por se sentir protegido por evitar um frente a frente, se faz passar por alguém que não é?
"toda uma cultura de falsas personalidades cresceu com uma rapidez espantosa". (Papert, 1996:112)
Todos sabemos que a Internet tem sido a responsável por uma das maiores transformações sociais que se tem verificado. Através dela, muitos deixam de ser quem são para passarem a ser quem gostariam de ser. Mudamos de nome, de idade, de morada, de personalidade... tornamo-nos naquilo que queremos que os outros acreditem.
Passamos a ser meros actores a representar um papel que gostaríamos de assumir na realidade. Tentamos esquecer quem somos, os nossos defeitos para que possamos transmitir a ideia de alguém que não existe..de um alguém perfeito!! É certo que as salas de chat facilitam imenso a vida para aquelas pessoas mais tímidas, com medo de se encontrarem com alguém. O facto de se refugiarem atrás de um monitor torna-as mais seguras, mais extrovertidas, pois sabem que naquele preciso momento, elas podem dizer tudo aquilo que quiserem, podem assumir o papel daquela pessoa que elas gostariam de ser, para agradar a quem está do outro lado e para se sentirem interessantes.
Como tudo o que está relacionado com a mudança, existem vantagens e desvantagens. se existem historias felizes de conversas na Internet, também existem aquelas que nada de bom tem para recordar. Infelizmente, existem várias histórias de crianças que se deixaram ir nestas ditas conversas, por ainda não terem perdido a inocência e a ingenuidade próprias da idade.
Acho que é caso para dizer que, apesar da Internet ser um meio extremamente importante para uma criança aprender e crescer intelectualmente, infelizmente, esta "porta aberta" é também um meio para ela se perder. :(
Relativamente a este capitulo vou fazer um comentário ao comentário da Lidia Branco, que para além de estar muito giro e original, realça uma das partes que eu considerei mais interessante e importante deste capitulo.
De facto a Lidia tem razão quando questiona a "paciência" e o "interesse" dos pais pela educação dos seus filhos, no entanto temos que perceber que para certos pais o mundo das tecnologias é algo novo e por vezes uma grande confusão, logo é normal que coloquem questões como: "se acho isto complicado para mim, como será para o meu filho?" o que origina a que esses pais tenham tendencia, ou até mesmo necessidade de comprar aquilo que normalmente se diz que é "bom", sendo muitas vezes enganados, com o que o autor considera "Mau software", ou melhor, com a publicidade
"É tão divertido que o seu filho nem se apercebe que está a aprender" (Papert, p. 81)
Apesar disso, existem pais que já estão inteiramente familiarizados com as tecnologias, devido ao emprego, e a muitos outros factores, mas que por vezes também são enganados por essa mesma publicidade, ou então como diz a Lidia "...não nos damos ao trabalho de procurar, descobrir" comprando o que dizem ser "bom" e o que é "bonito", não colocando em causa o que realmente os seus filhos vão aprender com aquele software e se acima de tudo, sabem o que estão a aprender.
"os ciberutópicos louvam os milagres da era digital. os cibercríticos avisam-nos dos terríveis perigos." (Papert, p. 41)
Achei esta parte do capitulo muito interessante, pois foca duas formas de encarar este mundo, que é o das tecnologias.
No que se refere a este tema eu não concordo nem com um nem com outro, penso que as tecnologias são importantes para a nossa vida e à medida que o tempo passa, cada vez mais, pois acredito que a maioria dos trabalhos vão ser realizados através das tecnologias, no entanto, não vejo isso como um milagre mas sim uma evolução e que como tudo na vida tem as suas vantagens e desvantagens.
"Os filhos espantam os pais com a sua fluência tecnológica." (Papert, p.55)
Tal como explica o autor, fluência adquire-se com a utilização das coisas, neste caso, do computador e não com o simples conhecimento de como funciona, eu estou completamente de acordo com o autor, pois melhor que a teoria, só a prática.
Muitas vezes o que acontece é que os adultos, como o pai de Lauren, parece que tem medo de mexer e exitam em situações fora do normal, enquanto que as crianças, como a Lauren, não tem medo de experimentar e conseguem, muitas vezes de uma forma simples, resolver situações menos comuns, apesar de não terem noção de como o fez, mas fez.
O capítulo 3 apresenta algumas críticas ao lucrativo mercado do software educativo.
1. A máquina é activa e a criança é passiva.
2. O computador ensina sem as crianças aperceber-se disso.
3. O software fornece resposta imediata.
Se calhar, é capaz de ser interessante que nós próprios acrescentemos mais outras críticas pedagógicas. Fica registrada só mais uma. Têm mais outras.
4. As crianças aprendem sozinhas sem necessidade dos pais.
“Será a criança a comandar a máquina, ou a máquina a comandar a criança?” (Papert, 1997: 78).
O Papert faz uma grande crítica ao modelo escolar de ensinança/aprendizagem. Ele acredita que a aprendizagem de estilo familiar é melhor do que a aprendizagem de estilo escolar.
Ora bom, por enquanto é discutível esta dicotomia, acho que não é bem assim desvalorizar o papel da escola como principal instituição de socialização. Alem disso, não concordo com o discurso que nega a possibilidade de construirmos saberes dentro da escola, enquanto “centrados nos processo reprodutivos, escapa-lhes que reprodução social coexiste e interage quase sempre com produção social.” (Grácio, 1997: 51)
Por enquanto Bourdieu fez uma crítica radical da reprodução escolar, mesmo ele assinalava a existência de saberes (ocultos e implícitos) que vão além do currículo oficial.
Talvez, o Papert esteja influenciado pelos movimentos desescolarizadores que Ivan Illich, Everett Reimer e Marshall Macluhan iniciaram nos anos 60 com base na fim da escola, «uma instituição obsoleta, inadaptada, inútil, lenta, ineficaz e inviável».
Por acaso, não é a aprendizagem familiar uma política educativa própria de «hometeachers» e «homeschoolers»? É o Papert um desescolarizador «homeschooling»?
Grácio, S. Dinámicas da escolarização e das oportunidades sociais. Lisboa, EDUCA, 1997.
"A escola debilita o desejo e a capacidade das crianças para aprenderem por si sós" Papert, pp 69
Muitas vezes a nossa capacidade de aprendizagem depende da motivação, do interesse que determinado assunto nos suscita.
Se um assunto nos interessar e tentarmos aprofundá-lo sozinhos, essa aprendizagem será melhor, visto estarmos motivados para esse tema.
Os conteúdos programáticos abordados pela escola nem sempre despertam a atenção e o interesse do aluno, logo se este não está motivado, não tentará aprofundar este assunto e a sua aprendizagem será mais débil.
Normalmente, na escola, os temas são apresentados de uma forma um pouco sólida, com os objectivos de aprendizagem bastante definidos de uma forma fechada. o aluno deve aprender de forma aberta, tentando inventar, seguir o seu próprio caminho, pois é o seu percurso pessoal que lhe fornecerá a aprendizagem mais consolidada.
"Tendo em conta que as "vidas intelectuais" das crianças e as políticas educativas deste país (EUA) estão a ser determinadas por considerações puramente comerciais" (p.67) "é altura de pararmos e analisarmos algumas alternativas e modos de pensar sobre a aprendizagem" (p.68)
O autor acha importante diferenciar dois tipos de aprendizagem: a do estilo familiar e a do estilo escolar. Papert enfatiza a importância da primeira (que se baseia na experiência da criança, inserida num contexto e cultura específica) dizendo que é melhor do que aquela que é veiculada por outros.
Actualmente o computador é um objecto que, em grande parte dos casos, está presente no contexto familiar. Desta feita, a aprendizagwem com o uso do computador passa para uma aprendizagem do tipo familiar, feita a partir da experiência directa.
("Compreender é inventar" (Papert cit Piaget, p.75)
No início deste capítulo, Papert leva-nos a reflectir sobre a verdadeira função dos chamados "softwares educativos", desmascarando alguns factos que estã por trás disso.
Faz a comparação de duas lojas onde se comercializa materiais educativos, distinguindo as finalidades de cada uma.
O autor realça a comercialização existente nestas lojas, a extenuante corrida para o mercado de forma a conseguirem invejaveis receitas, fazendo apelo à facilidade, prontidão e garantia de resultados, não tendo em conta a que direcção a que se dirigem os conteúdos. Estes programas são muito cloridos, com muitas animações, sons, apelativos, que transpõem as técnicas de marketing para o campo educativo.
"Conceber produtos com baixos custos e facilmente colocáveis no mercado vai ao encontro do mínimo denominador comum da larga maioria de as crenças que os pás têm sobre a educação" (p. 67)
Neste capitulo sobre a APRENDIZAGEM temos algo muito importante que o nosso amigo Papert quer ensinar.
Eu gostei particularmente de uma coisa que se fala no livro que é o estilo de aprendizagem que cada um de nós tem. Segundo Papert, temos o estilo de aprendizagem familiar ou o estilo de aprendizagem escolar.
Eu não sei, mas a experiência de vida é fundamental para uma boa aprendizagem, interligada com a aprendizagem escolar.Não sei onde uma começa e a outra acaba, porque o que se pode aprender nas escolas muitas crianças aprendem em casa. A escola é um local legitimo para aprender e ensinar, ela transmite o conhecimento complementar ao ensino familiar.
Axo que tou um pouco confuso. NÃO!? Então aqui fica a ideia que eu quero transmitir:
"O Ian aprende mais sobre animais, em estilo familiar, a partir dos videos do National Geografic, do que a partir dos conteúdos de qualquer currículo escolar."
Até que ponto a escola é capaz de assegurar uma aprendizagem eficaz?
A escola, é neste momento o melhor meio para uma boa aprendizagem?
Será que a escola, como instituição está a perder capacidades, e não está a responder ás exigências e necessidades da nossa sociedade?
E onde é que podem entrar as tecnologias, no meio disto tudo, como ferramenta educativa para solucionar as carências escolares, e dos alunos?
Bem pessoal por hoje acho que é tudo se me ocorrerem mais ideias já sebem: vão levar comigo mais uma vez.
Xau
foi longe daqui e em tempos idos, que se deu esta troca de palavras entre um pai e um mestre-escola, ao confiar-lhe o filho.
"trago-lhe o menino para que faça dele um homem. pode bater nele e privá-lo de comida. qualquer regime será bom, desde que me traga de volta um homem." ( Angela Medici, 1954)
"... há que distinguir entre, por um lado, ter conhecimentos que, ao que se diz, se transmitem pelo ensino e se adquirem pela aprendizagem, se publicitam e se armanzenam, se trocam e se negoceiam, se compram e se vendem desde as escola dos velhos sofistas até ao registo de patentes nos nossos dias se produzem e se reproduzem, se reciclam ou deixam deteriorar e, por outro lado, conhecer no sentido de ver por si próprio, observar, abordar,analisar, pesquisar, revelar, desvendar e descobrir..." ( Actas do 1º congresso necional da Filosofia da Educação,1998)
A citação destes dois excertos parece conferir a veracidade do famoso ditado "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". trocado por miúdos significa dizer que a metodologia da aprendizagem de ontem não é a de hoje e pior será a de amanhã. não vamos precipitar mas também não vamos dormir à sombra da bananeira. Do cromagnhon ao cibernautico, do abacus ao computador vamos saltitando de aprendizagem em aprendizagem sempre consciênte que o erro de agora será a perfeição de amanhã.
Aos programadores, professores, pais e filhos digo, a união faz a força, e, por isso vamos todos juntos, sem recentimentos, aprender a tecer a rede na qual navegaremos no céu estrelado á busca do desconhecido.
Ao Seymour Papert , referindo-me ao 3º capitulo do seu livro digo, estou inteiramente de acordo quando diz que no ambiente da aprendizagem do futuro, todos os aprendizes serão especiais.
Muitos de nós concerteza já deparamos com alguns jogos ou processos que se limitam numa aprendizagem "do certo e do errado".
As tecnologias, ou mais propriamente os jogos ligados a educação, ou que enfantizam estar ligados a educação apelam para esta tentativa fraca de definição de aprendizagem, tal como afirma papert.
Este coloca em questão se é a maquina que deve ensinar a criança, ou a criança deve desenvolver a sua aprendizagem com a maquina. é certo que não se pode aprender sem ser ensinado, mas a exploraçãoo e desenvolvimento pelo próprio sujeito facilita ou agiliza o processo, tal como refere papert ao referir piaget sobre a teoria do construtivismo(sujeito activo). Aprender não consiste apenas em dizer se a pergunta está certa ou errada, mas também compreender porquê que é assim e não pode ser de outra forma.
As tecnologias terão a ganhar se não tentarem encobrir este processo de "ideia/construção", "pintando a aprendizagem como o bicho mau", e como sendo as possíveis suavizadoras do processo. Papert propõe entre outros conselhos, que perante os jogos instrutivos os pais ou educadores e encarregados da educação das crianças, deverão mostrar-se cépticos, para a elaboração de um jogo educativo, arranjar um bom sofware, e para ajudar as crianças a aprender a aprender, deverão discutir com elas estratégias de aprendizagem.
O mau sofware é aquele que é enganador e tem orgulho disso, temos como exemplos uma das frases que papert menciona "é tão divertido que o seu filho nem se apercebe que está a aprender", sendo a máquina activa ao contrá¡rio da criança.
Há que descobrir e planear as estratégias e actividades para englobar as tecnologias e a aprendizagem num todo produtivo, quer para as tecnologias em si, como colonizadoras de uma nova area da programação quer para a aprendizagem como processo sempre em construção e desenvolvimento.
“Eu não acredito que o mercantilismo e o carácter impessoal sejam parte integrante da natureza dos computadores e da aprendizagem por computador [...]. Mas a tendência dominante em programas educativos está a ir numa direcção que me preocupa.” [Papert, 1997:65-66]
Dos inúmeros debates entre profissionais do ensino sobre o que se deve ensinar às crianças o básico (saber ler, escrever e contar), ou outros saberes, a indústria informática escolhe – sem pertencer a esses debates –, ensinar aos mais novos os saberes mais básicos. Estes programas são mais baratos e mais fáceis de vender aos pais.
São inúmeras as estratégias de marketing e campanhas de publicidade para persuadir os pais a comprarem softwares sem que o aprendente seja o motor das suas aprendizagens.
Seymour Papert distingue dois tipos de aprendizagem.
Uma das ideias mais importantes do segundo capítulo do livro “A Família em Rede” traduz-se na frequente utilização dos computadores sem muitas vezes conhecer e utilizar as suas potencialidades.
Ao nível da aprendizagem, “o que está a ser feito na escola é uma mascarada evidente do que poderia ser feito com o computador.” [Papert, 1997:43]
Aqui, importa perguntar qual a formação dos professores portugueses das TIC. Existem cursos de educação visual, matemática, português, nas Escolas Superiores de Educação. No entanto, não existe formação profissionalizada para os professores das TIC.
Acerca da utilização dos computadores na aprendizagem da matemática Papert diz: “aprender a tabuada apelando à memorização mecânica, apesar de se fazer uso do computador, não é uma maneira nova de aprender matemática. Pelo contrário, é uma versão polida dos velhos métodos e promove grandemente as suas piores e mais repetitivas características. Mais ainda, é frequentemente feito com um espírito que considero perigosamente desonesto: apesar desse método como se se tratasse de um jogo induz um elemento de engano que mina dois princípios educativos fundamentais.” [Papert, 1997:43]
1. A aprendizagem é tanto mais bem sucedida quanto o aprendiz é participante voluntário e empenhado;
2. Enganar o aluno contraria o princípio da escola dever fundamentar princípios morais.
No dizer de Papert a verdade na aprendizagem é muito importante. Uma das vias para a verdade é a possibilidade do aprendente descobrir por si as aprendizagens significativas.
Papert dá vários exemplos de aprendizagens significativas e autónomas que os alunos realizaram utilizando o computador. Quando o software educativo tem essa flexibilidade, o aprendente pode construir uma ideia poderosa que lhe permite aprender a fazer um projecto inventado por si, a partir do qual vai aprender qualquer conteúdo com mais entusiasmo. Foi o que se passou com a aluna que não gostava de gramática e a aprendeu por necessidade ao querer que um determinado programa fizesse poesia.
Deste modo, os professores devem facultar programas que façam o que os livros, os DVDs, entre outros, não façam. De outro modo, devem proporcionar que os alunos experimentem todas as potencialidades dos computadores.
Em suma, a literacia e a fluência informática deve expressar-se na utilização dos “computadores para os objectivos próprios de cada indivíduo” [Papert, 1997:53]. Assim, o que os alunos devem adquirir é fluência na aprendizagem. Esta fluência está, ao nível da programação dos softwares, dependente da sua transparência. Sendo a grande maioria da programação que está por detrás dos softwares usados opaca, uma via para a compreensão de que o que o aluno está a ver não nasceu do acaso é programação em HTML disponível em todas as páginas da internet programadas nesta linguagem.
Eu comecei por escrever um comentário a este capítulo que ainda não ia a meio e já era muito extenso. Por isso resolvi começar de novo. Peço desculpa pelo atraso e agora aqui vai...
Houve muitos pontos neste capítulo que não me acrescentaram conhecimentos, mas conseguiram relacionar certas coisas que me pareciam distintas.
De todos os tópicos enumerados por Papert, dois pareceram-me de extrema importância. O primeiro foi a apresentação dos itens que devemos ter em conta num software educativo e dos enganos que eles podem provocar aos pais.
-> Não é a máquina que deve ser activa, a criança é que deve construir a sua própria aprendizagem.
-> Qualquer software, jogo ou livro, seja o que for, tem de ser honesto e nunca enganador. Aprender é divertido! Não podemos comprar um software educativo a pensar que este dá a ideia que aprender é divertido porque isto implica que na realidade acreditamos que não o é. Tudo o que aprendemos com gosto torna-se divertido, o truque é encontrarmos as aprendizagens que vão ao encontro dos interesses de cada criança Talvez seja difícil para um professor conhecer todos os interesses de cada aluno e daí talvez não. Mas um pai pode e deve conhecer os seus filhos e os seus gostos e a partir daí encontrar o software certo.
-> Não tinha a noção de que uma criança gosta mais de uma coisa, quanto mais difícil for. Pegando nesta noção, não podemos escolher os softwares que mais depressa produzem aprendizagens que no fundo se tornam efémeras. Será mais proveitoso encontrar jogos ou programas que dêm luta às crianças, que as façam perder-se no tempo ao usá-los, que as façam desejar que o tempo passe para poderem brincar com eles e depois ir ter com os pais ou qualquer outro educador todas entusiasmadas a contar os seus triunfos. Qualquer aprendizagem que nos faça sentir vitoriosos á uma boa aprendizagem.
Outra ideia do autor que me deixou empolgada, já tinha sido referida anteriormente que é a importância de compreendermos os processos que se encontram por trás das coisas, neste caso dos computadores. E de facto tudo parece mais fácil ou mais interessante quando compreendemos as coisas. Suponho que o importante não seja conhecer tudo o melhor possível relativamente a um tema, pois este pode levar a que nós o decoremos. Essencial é entendermos, compreendermos as lógicas das estruturas de qualquer tema e assim podemos usá-los para proveito próprio e isto sim eu considero uma aprendizagem!
“O que os pais precisam de saber sobre computadores não é na realidade sobre computadores, mas sim sobre a aprendizagem.” [Papert, 1997:30]
Esta citação levanta três questões evidentes:
1. O que é a aprendizagem?
2. Qual o papel dos pais na aprendizagem dos filhos?
3. Escola – um universo em vias de extinção?
Já foram abordadas neste blog os três tipos de aprendentes descritos por Papert: o utilizador/consumidor compulsivo de novas tecnologias (terá este aprendente consciência da sua aprendizagem?); a que têm aversão às novas tecnologias, ou seja, que se recusa a aprender; as crianças que aprendem com as novas tecnologias como se se tratasse de um membro da família (espero não estar a ser abusiva na minha interpretação), por outro lado, pela aprendizagem de estilo familiar.
Sabemos que Papert tem muitas influências de Piaget. Ou seja, defende que é na interacção com o meio que o sujeito aprende. O sujeito é, pois, o motor das suas aprendizagens. O computador tem como principal característica de aprendizagem precisamente a interacção. Mas essa interacção ultrapassa as máquinas de ensino skinnerianas. Aqui reside a principal questão de Papert relativa à aprendizagem em ambientes computacionais: a criança deve aprender a programar a máquina e não ser programada por ela. Assim, os educadores devem fornecer o ambiente, os meios, necessários para a criança aprender no sentido da programação.
No triângulo de aprendizagem pais/filhos/computador, os pais devem ter a consciência que têm muito a aprender com os filhos, cuja linguagem computacional está para os últimos quase como a língua materna para os primeiros. No entanto, aprendizagem é também saber como aprendemos, por isso, os pais devem estar atentos ao modo como aprendem e ao modo como os seus filhos aprendem.
Discordo totalmente com Papert quando o autor quer fazer do computador o elemento central das relações interpessoais intra-familiares como uma estratégia de aprendizagem. Faz-me pensar o computador como um membro da família. Talvez seja antiquada. Mas, não sei porque uma música não deva passar os seus serões a tocar, por exemplo, as Kinderszenen de Schumann aos seus filhos, ou a ensinar-lhes a tocar a Sonata em Lá Maior KV 331 de Mozart (tive de ir ver o nome ao CD…). Não sei porque um cozinheiro não deva ensinar aos seus filhos os segredos dos seus cozinhados. É que, parece ser unânime que só sabemos realmente ensinar o que sabemos. De outro modo, penso que a cultura de aprendizagem .familiar não pode ser pré-determinada por elementos que lhe são alheios.
E a Escola? Porque tem computadores menos actualizados do que as famílias que possam, eventualmente, ouvir Schumann e Mozart, descarta-se do ensino das TIC? Não fará, por exemplo, mais sentido as crianças começarem a aprender na Escola com os colegas, através de uma intranet, modos de socialização cibernética?
Por último, é capaz de nos interessar esta questão: para que estamos a aprender Tecnologias Educativas? Para ensinar aos pais condutas de educação como fazem os padres nas igrejas? Para faremos uma associação de missionários ao domicilio?
O meu texto está a ficar longo. Só mais uma ideia, para não sentir que fui injusta. Papert adverte para o desconhecido rumo das futuras relações afectivas, por exemplo, quando fica um pouco preocupado por o neto poder ficar mais tempo a interagir com materiais multimédia ou hipermédia do que com pessoas, para sassear a sua curiosidade face à morte, no caso de no futuro existirem inúmeras informações digitais sobre o tema morte. É legítimo que Papert queira dignificar e difundir a aprendizagem por computador, porque é nesta aprendizagem que acredita. Não estamos a falar de nenhum vendido à Microsoft ou afins. No fundo, todos nos tornamos fundamentalistas quando abordamos as nossas convicções. Papert defende que o computador permite uma maior fluência na aprendizagem, porque esta não é imposta e permite no tempo que o utilizador necessita aceder ao conhecimento desejado, ou apreender a programar o pensado, o que contitui uma aprendizagem de estilos pessoal (note-se que falamos de uma aprendizagem global, artística, tecnológica, científica… apenas não podemos inserir nesta aprendizagem a aprendizagem emocional). Esta aprendizagem, se for ao encontro da formação de uma cultura das crianças . feita por educadores, ao invés de ser feita pelas multinacionais, poderá transformar positivamente a sociedade. É o que esperamos…
PAPERT, Seymour (1997). A Família em Rede. Lisboa:Relógio de Água Editores.
"Sempre que aprendemos algo, afirmou Batenson, aprendemos duas coisas: uma é sobre o que se pensava estar a aprender e, a outra é sobre o método de aprendizagem utilizado."(papert, 1996:69-Cap.III)
Todo este capítulo é dedicado ao tema da aprendizagem.Nele Papert faz referência a alguns episódios de aprendizagem.
Esta frase foi aquela que me suscitou mais curiosidade, pois acho que representa bem o que se passa na maior parte das vezes, no ensino.Mesmo alguns professores, ainda se preocupam mais com o que se deve ensinar aos alunos, do que com o método pelo qual transmitem essa mesma matéria.
Contudo, o método é muito importante,ele pode determinar muitas vezes a preferência sobre certo tipo de assunto.Eu, por exemplo, sempre achei a aula de revisão antes do teste, uma aula muito monótona.Mas, no 9º ano de escolaridade, tive uma professora de Português que em vez de realizar uma aula de revisão normal,optou por fazer um concurso com perguntas da matéria que ia sair no teste.Tanto eu como o resto dos meus colegas, gostavamos de concorrer e ao tentar ganhar o concurso, estavamos a verificar os nossos conhecimentos.
"O critério principal consistia no alinhar em modas - comprar o que os vizinhos referiam - e prémios". (Papert, 1996:65 - Cap. III).
É fantástica a forma como Papert descreve e diferencia as duas lojas que visitou, no entanto:
Será que os pais ainda se interessam pela educação dos seus filhos? Dito de outra forma, será que ainda têm paciência e tempo para gastar na educação dos mais novos? Se assim fosse certamente não optariam por oferecer aos seus filhos programas educativos para os quais não podem "espreitar", dos quais apenas ouvem falar como sendo "bons".
Por outro lado estarão as lojas interessadas em vender e em sugerir programas que realmente contenham um fim educativo ou apenas <"Conceber produtos com baixos custos e facilmente colocáveis no mercado..." (Papert, 1996:67 - Cap. III).
É interessante reflectirmos sobre este assunto, pois muitas vezes somos induzidos a consumir apenas aquilo que nos é dado a ver, não nos damos ao trabalho de procurar, descobrir. Acreditamos que é "bom".
Constantemente acabamos por comprar apenas a embalagem, bonita, apelativa pela sua cor e design, esquecendo-nos de que o que realmente interessa é o conteúdo educativo do programa.
Os sites perigosos para as crianças, são sites que podem ter conteúdos não apropriados ou então sites que são criados apenas para danificar o computador, quer seja pela introduçãoo de vírus, quer sejam para "sacar" informação, ainda há os que apenas tem como finalidade a extorsão de dinheiro.
Serão apenas esses os Perigos da Internet?
Não me parece!
Temos ainda os cibernautas frequentadores de chats, que omitem as suas verdadeiras identidades com o intuito de iludir as crianças que se divertem nesses locais...
Que poderão os pais fazer em situações destas?
Papert sugere a colocação de chips que impedem o acesso a esses perigos, no entanto ele também fala de algo muito mais importante:
"(...) mas é necessária uma abordagem mais fundamental que emana de uma cultura familiar baseada na confiança e na veracidade.(...)" Papert, 1996: pp. 112
Sim!
Para educar uma criança nesse sentido não basta a proibição, é necessário explicar os vários perigos e manter uma relação aberta, onde reine a confiança para que elas se sintam confortáveis para falar no caso desses perigos atravessarem o seu caminho, é essa segurança que vai impedir que esses perigos cheguem mais longe e não impedindo o acesso a algo que faz parte da descoberta das mesmas, o importante é alertar!
Seremos nós, que também já fomos alertados em relação a esses perigos e nem sempre da melhor maneira, capazes de um dia explicar aos nossos filhos em que consistem esses perigos que o que podem fazer para os contornar?
E será que o conseguiremos fazer de forma a promover a confiança e o diálogo?
Esperemos que ninguém se esqueça que um dia já foi criança e que também teve curiosidade, que faz tudo parte do crescimento e ninguém deve ser reprimido ou castigado por isso. Se não nos esquecermos disso, conseguiremos encarar da melhor maneira essa e outras problemáticas com as quais nos deparamos ao longo da vida.
A questão relativa à aprendizagem que as crianças fazem através do software educativo pode levantar polémica, entre os educadores. Por um lado existem alguns educadores que consideram que as crianças aprendem apenas quando consultam jogos relacionados com a educação, por outro lado pretende-se demonstrar que estas também aprendem noutros tipos de jogos.
Pela experiência de Papert, as crianças quando confrontadas com jogos de vídeo, tentam aprender o mais depressa possível, o que implica prestarem atenção à aprendizagem que estão a efectuar, mesmo sendo um jogo de carácter não educativo.
Esta questão faz-nos lembrar a aprendizagerm que é efectuada dentro da sala de aula, onde se verifica que é muito limitado o modo de aprendizagem. Geralmente na escola o aluno limita-se a fazer o que o professor quer, não desenvolvendo, dentro de si, um espírito crítico e autónomo, tal como desenvolve quando está perante um jogo de vídeo.
Em suma, as crianças aprendem com os jogos, mesmo sem estes serem de carácter educativo, uma vez que exploram os vários caminhos e trajectórias desempenhando um processo autónomo de aprendizagem. No que diz respeito à aprendizagem no contexto de sala de aula, esta processa-se de uma forma mais inibida, quando comparada com a aprendizagem autónoma desenvolvida perante o software.
"... o grande perigo da utilização impensada dos computadores reside no facto de alterarem fortemente o equilíbrio para o lado da perspectiva instrucionista." (Papert, 1996: 76)
Neste terceiro capítulo, Papert alerta-nos para três abordagens interessantes, a instrucionista; construcionista; aprender sobre a aprendizagem.
Para compreender melhor estas abordagens é essencial que os pais tomem uma posição de equilibrio ( como diz Papert), de modo a não deixar de parte os beneficios de todas as abordagens, verificando-se que o melhor será a escolha mediante o conceito "dificil e giro", e onde os próprios pais possam intervir e brincar aprendendo com o seu filho. "...As crianças, tal como todas as outras pessoas, não preferem a «facilidade», querem o «desafio» e o «interesse», o que implica «dificuldade»." (Papert, 1996: 83/4)
Aprender é uma actividade importante no crescimento da criança e deve ser incentivada, mediante estímulos e motivação positivistas.
Se alguns pais ao invés de reprimendas utilizassem palavras de encorajamento, muitas crianças sentiriam o desejo de saber mais e melhor.
Se a evolução do computador dos anos 40 até à recente utilização e navegação na Net foi estrondosa, como será de hoje em diante?
E se amanhã formos nós os pais, iremos recordar os ensinamentos desta leitura do livro de Papert?
Pensem nisso!
"O interesse da navegação depende do modo como se integra noutras actividades. O lado positivo consiste na oportunidade para dar asas a interesses pessoais e na excitação da busca da aquisição de conhecimento.” Na minha opinião, esta afirmação reflecte a necessidade que muitos indivíduos têm em aceder à Internet, visto que todos nós partilhamos essa necessidade, onde os nossos interesses pessoais e conhecimentos se desenvolvem ao longo da nossa existência.
A navegação permite-nos a aquisição de conhecimentos de uma forma feroz.
Numa época em que se aproxima o Natal, este capitulo sobre a Aprendizagem vem mesmo a calhar...principalmente quando Papert faz referência à aprendizagem por computador como uma atmosfera desumanizada e mercantil.(Papert,1996:64) Não quero com isto dizer, que não vejo o computador como forma de aprendizagem. Não! O computador é de facto, e ninguém pode negar, um meio que pode em muito estimular e desenvolver as nossas crianças criando nelas o gosto em aprender diversas matérias, até mesmo a matemática.. quando é utilizado adequadamente.
E a questão reside aqui:como fazer com que as nossas crianças se interessem por programas educacionais que favoreçam verdadeiramente o seu processo de aprendizagem? Sim... porque eu não vejo, sinceramente, programas educacionais à venda junto dos outros brinquedos. Eu não vejo na televisão, no meio dos 10 minutos de publicidade para crianças nesta época, um único spot publicitário alusivo a este tipo de programas. Só vejo futebol e pancadaria.
A culpa não é só dos pais..é, principalmente, dos meios de comunicação social que têm apenas como objectivo captar audiências, esquecendo-se do que estão a fazer às crianças dos nossos tempos. Que os há, há, mas "a maioria dos programas educativos
reforçam os aspectos mais pobres da educação (...) deixam escapar uma oportunidade de enriquecer e fortalecer os seus melhores aspectos".
Como fazer com que elas aprendam através da compreensão e não por memorização? Numa época em que os meios de comunicação social usam e abusam das crianças (em termos de persuasão), porque não começam eles a fazer alguma coisa também por elas?
"...fico preocupado com o facto de as decisões fundamentais dos pais sobre o quê e como os seus filhos aprendem serem fortemente influenciados pelos resultados de um processo de selecção, no qual o estardalhaço produzido pelos meios de comunicação social pode prevalecer sobre a filosofia educativa"
Aprender e ensinar são coisas naturais dentro de toda existência humana. Aquilo que entendemos por humanidade resultou de um processo de ensinar e aprender, que se estende ao longo dos milénios, e do qual todas as mulheres e homens participam, de acordo com suas naturezas individuais, mesmo que não estejam conscientes disso. Esse processo pode ser chamado de cultura, ou então de vida do espírito, ou de outro nome qualquer, mas é certo que sem ele não haveria ser humano. Se vos perguntasse qual das duas aprendizagens escolheriam, aprendizagem tradicional ou por computador, escolheriam com certeza a segunda. Preferiam estar em contacto com uma máquina do que dentro de uma sala de aula. Porém, não gostariam de aprender contactando afavelmente com um humano? Gostariam apenas de aprender olhando para um ecrã, tornando-se verdadeiras «máquinas de respostas» a um software educativo que pode ou não responder a essa necessidade "a de educar"?
Gregory Batson, citado por Papert, diz que aprendemos duas coisas: uma é sobre o que se pensa estar a aprender e, a outra, é sobre o método de aprendizagem utilizado. Isto está por trás do facto das pessoas pensarem que a escola debilita o desejo e a capacidade das crianças para aprenderem por si sós, só que «na escola não se pode aprender sem que se seja ensinado». Quando um pai lê "compre este software que vai ensinar o seu filho" por vezes cai em erro quando pensa que sempre será melhor do que um jogo de vídeo. Assim, continuariam a escolher a aprendizagem por computador? Ou tomariam certas precauções?
capitulo III - "A família em rede" - tecnologias educativas III
Nesta capitulo gostei particularmente da parte em que fala do construtivismo ... relacionando o construtivismo com a aprendizagem feita pelas tecnologias, sendo o contrutivismo o movimento teórico que permite ao sujeito contruir o seu próprio conhecimento.
Nesta medida o contrutivismo vai contra a aprendizagem tradicional, em que o professores, os orientadores, seja quem for, nos da o conhecimento já trabalhado e o temos de dar como adquirido, tal e qual como ele nos é dado a ver ... o que na minha opinião está completamente errado ...
Onde é que essa aprendizagem tradicional nos é "injectada"? ... Na escola! E se pensarmos que temos muitos casos de dificuldades na aprendizagem, podemos facilmente compreender que tais dificuldades podem surgir do modo como o nosso conhecimento é contruido na escola, que é um conhecimento que é transmitido de professor para aluno ... Não seria mais saudável, mais rentável e mais aliciante se fosse o próprio aluno a dirigir o seu "carro do conheciemnto", sem que lhe fossem passadas informações já trabalhadas e que ele tem de "meter na cabeça"? ... Eu acho que sim, até porque ao perseguirmos o nosso conhecimento a nossa mente está mais aberta a novas informações, temos mais vontade de aprender e consecutivamente compreendemos as coisas mais facilmente!
capitulo II - "A famÃlia em rede" - Tecnologias Educativas III
"Uma das maiores contribuições do computador é a oportunidade para as crianças experimentarem a excitação de se empenharem em perseguir os conhecimentos que realmente desejam obter" (pagina 43)
Relativamente a esta frase, esta bem explicito o seu sentido ... Com o computador, com o uso desta tecnologia é possivel que as criançaas, atraves de jogos, de programas educativos, da Internet "persigam" os seus conhecimentos, isto é, as crianças podem escolher o que querem aprender, escolhem os seus próprio caminhos, com o entusiasmo da experimentação, visto que eles vão seguindo "trilhos" que acham interessantes, construindo assim a sua aprendizagem.
Mais à frente no livro, mais expecificamente, na página 53, é-nos dada a ideia de que os cursos de computadores não adiantam muito em termos de aprendizagem, ou seja, "(...) a crença de que tais cursos podem ajudar a encontrara emprego é mais o resultado de um conhecimento pouco profundo do que da desonestidade" ... Isso por acasu é uma coisa que tenho reparado, em geral amigos meus ... e outras pessoas que têm tirado esses curso não têm aprendido muito ... Bem mas discriminando as situações; as pessoas que já têm um determinado conehcimento de computadores, saem de lá com alguma teoria a mais, mas pouca mais e as pessoas que não sabem mesmo nada de computadores, que vão para esses cursos para aprenderem a funcionar com essa tecnologia, obviamente saem de lá com um maior conhecimento, no entanto, é um conhecimento muito teórico, na prá¡tica se forem por si só a experimentar trabalhar com um computador e se lhes aparecer uam sitação nova, ficam sem saber o que fazer ... Esta é a minha critica relativamente a estes cursos, e juntamente coma Ideia de Pappert.
" Os factos são importantes, mas ingeridos em exclusivo são conhecimento balofo, como se fossem calorias sem valor energético. A ENERGIA VEM DOS INTERESSES E DAS FANTASIAS "
Estas palavras do autor, fazem-me pensar sobre como hojé ainda, a educação está baseada nos conhecimentos que os alunos tem que aprender e de como muitas vezes esses conhecimentos são de seguida esquecidos por parte dos mesmos, devido principalmente a...que?... A falta do interesse que tem para elos.
Os educadores temos como tarefa essencial isto: Saber encontrar o equíbrio entre o que devemos ensinar e que o qué o aluno deseja aprender
capitulo I - " a familia em rede" - tecnologias educativas III
"(...) a contribuição real dos meios de comunicação digitais para a educação é a flexibilidade que pode permitir a cada individuo encontrar trajectos pessoais para aprender (...)" (página 39)
Eu achei esta frase muito interessante, uma vez que, resume bem um os aspectos importantes das novas tecnologias; da possibilidade que os meios de comunicação nos trazem para orientarmos, por nós mesmo, as nossas pesquisas, para escolhermos o que queremos aprender ... por que caminhos queremos ir.
No seguimento desta ideia, o autor refere também que " a maior percentagem dos casos de dificuldades de aprendizagem são provocados pela imposição feita às crianças de modos de aprender que contrariam os seus estilos pessoais" ... Com isto o autor defende uma ideia, a qual eu também partilho, que é a de que, se as crianças aprendessem desde logu a orientar a sua aprendizagem com as suas próprias maneiras de aprender, teriam melhores resultados. Note-se que essa orientação, segundo os seus próprios modos de aprender ... sem que hajam impossições de estilos de aprendizagem, deve ser devidamente acompanhada por um professor ou orientador, que dentro desses mesmos estilos lhe fornecesse a matéria realmente importante e necessária aos programas educativos.
" De vez en quando, sinto vontade de atirar alguma coisa ao meu computador, dar-lhe un pontapé ou gritar-lhe"
Quanta razão tem Papert ...Sinceramente não conheço nenhuma pessoa que não haja tido alguma vez problemas com seu computador ou que em o o momento de guardar um documento, o computador estraga-se e tenha que repetir tudo de novo.
O autor proponhe paciência, calma... nestas situações mas é tão difícil, não é?
" O movimento de utilização de computadoras nas escolas encontra-se dramaticamente atrasado em relação ao desenvolvimento da utilização dos computadores em casa"
Eu queria referir-me a estas palavras de Papert porque esto totalmente de acordo (ainda que falarei sobre as ascolas espanholas porque não conheço a realidade dos colégios portugueses)
Sim, estamos na geração dos computadores mas não é porque os centros educativos estejam dotados do modernos sistemas informáticos ou porque a grã maioria do professorado impulse estilos de aprendizagem apoiándose neste "novo meio", o aluno em muitas situações, preferirá "caminhar sozinho" em sua casa ou na casa do suo amigo...
Esto por suposto enriquecerá em grã medida ao próprio aluno... mas não seria o ideal que aluno e a escola caminharam na mesma direcção e a ritmos iguais?
Serão estes programas tão educativos como se pensa?
Vejam bem...
Quando estamos a fazer perguntas a uma criança, ela responde. Se a resposta estiver correcta, não tem qualquer problema, pois supostamente a criança já saberia o porquê de ter dado essa resposta. No entanto, quando a resposta está incorrecta não bastará apenas dizer que está incorrecta, nem tão pouco bastará dizer qual é a resposta que deveria ter escolhido. Para adquirir uma aprendizagem, a criança terá que entender porque é que é aquela a resposta certa e não a outra. Para uma criança, não basta saber o que está certo, terá também que entender porque é que está certo, só assim poderá APRENDER!
Com os programas ditos educativos, de pergunta - resposta, a criança não vai entender, transformando-se apenas num ser passivo, uma "Máquina de Respostas" como sugere o autor. Até mesmo porque neste tipo de software a criança adquire uma resposta imediata a uma pergunta e não desenvolve um raciocínio continuo, não tem que ultrapassar problemas e muito menos tem que fazer as suas próprias descobertas.
Isto não é aprender!
Outra situação é quando se tenta "camuflar" a aprendizagem. Uma criança gosta de aprender, gosta de saber sempre mais, para quê esconder que estão a adquirir conhecimentos quando se estão a divertir?
Se a frase que Papert refere no seu livro "É tão divertido que o seu filho nem se apercebe que está a aprender", sofresse umas ligeiras modificações e se transformasse na frase "É tão divertido que o seu filho ainda vai gostar mais de aprender", ficaria logo com outro sentido e bem mais correcto a meu ver, já que uma criança já tem em si o gosto de aprender mas se for de uma forma divertida esse gosto pode aumentar, tornando a aprendizagem bem mais motivante.
Uma criança deve ter consciência desde cedo que as aprendizagens também podem ser divertidas...Por isso não é justo tirar o mérito a uma forma de aprendizagem como o computador, que se for bem utilizado, pode promover benefícios como a autonomia e desenvolver o gosto pela pesquisa como capacidade para resolver as suas próprias duvidas.
Ao ler alguns comentários da turma, fiquei com a sensação de que, para eles, o computador por si só pode melhorar a aprendizagem.
Eu discordo desta posição, acredito que o computador pode trazer inúmeros benefícios, para além da rapidez ou de contextos visuais mais apelativos. Existem vários softwares que podem ajudar muitos alunos com e sem dificuldades!
Mas nada poderá ser construído sem novos métodos e estratégias.
O modo conservador que o nosso sistema educativo olha para a aprendizagem e para os alunos é que tem que mudar antes de conseguirmos utilizar devidamente as tecnologias que surgem todos os dias.
Não há nada que dê bons frutos se as raízes estiverem podres!
Antes de tudo, olá a todos! Agora irei fazer uma entrada relativa à minha reflexão do segundo capítulo da obra em causa e mais tarde, depois de ler os outros posts, se encontrar algo pertinente que deseje comentar, farei uma nova entrada.
Ao ler este capítulo senti-me como uma criança porque me revi em vários exemplos dados pelo autor como foi o caso de Lisa e Mark e parincipalmente com a Lauren.
A pouca experiência de vida que tenho força-me a olhar para este capítulo de dois lados:como educador "ignorante" relativamente á informática comparando com as crianças de hoje, mas que procura se informar para conhecer mais e compreender melhor; e como uma pessoa possuidora de alguma fluência tecnológica.
Estres dois pontos formam a minha concepção do que eu quero ser e fazer num futuro. Ao mesmo tempo que eu reconheço as dificuldades que um educador pode ter ao tentar acompanhar as crianças, e também os estudantes, admito que muitas vezes essas dificuldades não se tentam superar. a educação é a base de tudo e quando usamos inovações e não as acompanhamos de novos métodos, como o próprio Papert refere, acabamos por atribuir a novas ajudas (computadores, por exemplo), novas dificuldades.
A escola supostamente é acessível a todos, mas está feita apenas para alguns. Os computadores poderaim ajudar as escolas a ir ao encontro dos alunos. Porque cada um tem metas. finalidades e caminhos diferentes paras atingir. Assim é óbvio que cada um terá interesses diferentes e aptidões diferentes. No meu entender, Papert tenta transmitir a ideia de que todos podem utilizar o computador e tornarem-se ou descobrirem neles "um cérebro"!
Não vale a pena nos escondermos dos problemas, circular á volta deles em vez de encontrarmos soluções.
Se abrirmos as mentes poderemos usar toda a tecnologia o nosso favor, para uma melhor sociedade, para um melhor entendimento dentro das famílias, para melhor aproveitamento escolar e para um melhor conhecimento de nós mesmos.
É um facto que a tecnologia tem um lado negativo e é usada, muitas vezes, da pior maneira. Mas não devia ser assim! Tudo o que criamos deveria ser no sentido de aprefeiçoar. Não existem perfeições, mas existem coisas boas e bem feitas.
Eu acredito que os computadores são coisas boas e bem feitas e que se lhe dermos o devidio uso, podemos ter, no futuro, crianças conscientes de si mesmas, do que querem aprender e com vontade para isso. A partir daí teremos que resolver outros problemas, mas antes de tudo, não podemos deixar morrer a curiosidade das crianças.
"O melhor recurso de Lauren é não ter receio de experimentar..." - Papert
Vamos tenter incutir mais a sabedoria e coragem de Lauren...
(...) " Os ciberutópicos louvam os milagres da era digital. Os cibercríticos avisam-nos dos terríveis perigos. "
Esta frase, retirada do segundo capítulo, surge, para mim, como uma proposta de posicionamento.
No que diz respeito a este assunto não consigo aderir a nenhuma das posições, porque acredito na existência de um equilíbrio.
O autor faz, a certa altura, uma distinção entre literacia computacional e fluência.
No meu ponto de vista, existe uma diferença entre possuir um conhecimento escolar e ser fluente em determinado assunto.
O conhecimento escolar tem a ver com o facto de sabermos muito sobre computadores, no entanto, quando confrontados com uma situação desconhecida sentimo-nos incapazes.
A fluência, por sua vez, advém da utilização, ou seja da prática.
Papert defende que a aprendizagem deve ser facilitada e autodirigida. Põe em causa a aprendizagem tradicional, através da qual, o conhecimento passa do professor para o aluno e apoia um modelo alternativo onde o aluno tem de construir os seus próprios conhecimentos.
Os 3 episódios de aprendizagem que relata Papert demonstram um uso proveitoso e compensador do computador no processo de aprendizagem.
Antes de mais, há as máximas bem conhecidas a nível educativo de que a aprendizagem é tanto melhor sucedida quando o aluno participa voluntária e empenhadamente no processo de aprendizagem, e que a existência da decepção e honestidade neste processo contraria a ideia de que a escola deve fomentar valores morais.
No 1º capítulo fica bem claro que Lisa e Mark foram pesquisar aquele tema que provocava discussão ente eles. Procurar na Web, ver, ler, comentar e escrever, saltando de hiperlink em hiperlink era uma forma para chegar a um acordo comum - a realização de um espectáculo tirando o conteúdo da internet.
Com este episódio fica bem claro que as crianças utilizam o computador para atingir objectivos próprios, como idealizava Papert.
Achando o 3º episódio de extrema importância abordo-o passando o 2º à frente. O desinteresse de Jenny pela gramática, provocado pela incompreensão da sua utilidade levou-a a uma desmotivação própria de quem se irrita com o que estuda. A forma de Jenny inverter esta situação passa, portanto, pelo uso do computador. Enquadrado no jogo de fazer poesia sentiu a necessidade de classificar as palavras, para que posteriormente o computador o reconhecesse. Aí a situaçao ficou diferente: Jenny participava voluntária e activamente nesta situação de aprendizagem, o que levou a uma compreensão do uso da gramática, conduzindo a uma alteração na relação com a mesma, e uma melhoria significativa no rendimento.
O método de aprendizagem foi claramente alterado, sendo fulcral o uso do computador nesta situação. Para além de melhorar o dito rendimento de Jenny, fez com que esta mudasse o modo de ver a gramática, sendo aqui o computador utilizado também para atingir objectivos próprios.
Neste capítulo Papert chama a atenção para a utilização, tanto benéfica como prejudicial dos computadores. É preocupação dele fazer transmitir a ideia de que a utilização do computador tem como aspecto mais importante atingir os objectivos próprios de cada indivíduo. Para tal se concretizar,há um aspecto fulcral que Papert introduz: afluência tencnológica e de aprendizagem. Estes conceitos remetem para a ideia de que a utilização do computador não deve ser feita/aprendida de uma forma superficial, mas sim, deve ser incentivado um à-vontade com a máquina por forma a facilitar esta relação e assim conseguir fazer uso proveitoso desta tecnologia, utilizando-as para atingir objectivos próprios.
“A família em rede”, é um conceito novo para mim, mas ao ler o primeiro capítulo começo a entender o seu sentido, o qual me chamou particularmente à atenção, porque considero que a imprescindibilidade das novas tecnologias nos nossos dias e os avanços que cada vez mais se verificam ao nível de informativa não devem ser olhados com receio ou desprezo por parte dos pais, e muito menos ignoradas as suas vantagens, mas como uma mais valia, da qual estes devem retirar tais vantagens que o mundo da informática oferece, como forma de facilitação na educação e desenvolvimento a vários níveis dos seus filhos, ambos, pais e computadores, podem ser uma “ferramenta” que se complementa nesta tarefa tão complexa que é a educação. Se os pais desta geração encontrarem nos avanços da tecnologia um verdadeiro aliado que os pode levar a repensar e reconstruir novas ideias e visões sobre o mundo, este pode ser pois um elemento de aproximação entre pais e filhos, um tema tão discutido hoje em dia, e não um elemento de desunião, como o é visto muitas das vezes.
II CAPITULO
Confesso que quando vi o livro pela primeira vez, olhando para um título aparentemente pouco sugestivo, nunca pensei que este tivesse, na realidade, muito para nos dizer e, acima de tudo, fazer pensar, pois trata de temas muito actuais e que se prevê terem ainda muito para dizer – as tecnologias na educação – isto porque, tal como o próprio autor afirma, “nenhum dos problemas mundiais será resolvido, a não ser que as pessoas, nomeadamente as da próxima geração, aprendam melhores formas de pensar do que as que deram origem aos problemas actualmente existentes”(p.42).
As tecnologias na educação, quando bem aplicadas são de facto uma mais valia para a aprendizagem, nisso acho que ninguém tem duvidas, no entanto, esta “luta” entre os Ciberutópicos e Cibercríticos, talvez nasça também de um medo, destes últimos, pelos limites que aparentemente não existem, ou seja: até que ponto irá a nossa dependência pelas máquinas, estamos cada vez mais a entrar num ciclo vicioso, ciclo esse que cada vez mais se vem a apoderar também da educação, daí que sejam compreensíveis as preocupações dos Cibercríticos. Nestas questões acho que Papert tem uma visão bastante racional “é necessário encontrar uma melhor abordagem do que simplesmente escolher lados”(p.42). Penso que a seguinte mensagem diz tudo relativamente a estas questões, “depende de si, muito mais do que aquilo que poderá pensar, o delinear do seu futuro e do dos seus filhos, no que diz respeito ao computador”(p.43).
Quando falava, na minha reflexão do primeiro capítulo, das dificuldades que os pais têm ao lidar com o avanço extraordinários das novas tecnologias e com as mudanças que estas trouxeram a todos o níveis, penso, tal como Papert, que estas são em muito equivalentes ás dificuldades que os professores se deparam quando tentam criar uma parceria entre os computadores e o ensino. Estes, tal como aborda o autor, comportam-se realmente como umas “tecno-avestruz”, pois esquecem-se que tal tecnologia só funciona se criarem condições para tal, se existirem “espantosas mudanças, muito para além de um mero aperfeiçoamento”.
O computador deve ser usado como meio para atingir um fim.
"A minha mensagem é de que depende de si, muito mais do que aquilo que poderá pensar, o delinear do seu futuro e do dos seus filhos, no que diz respeito ao computador"
Não perdendo a linha orientadora do capítulo I, esta afirmação coloca mais uma vez a questão da problemática da utilização do computador, em geral, nas mãos dos pais e de todos nós. Ao fim ao cabo, o problema está nas escolhas que fazemos e no modo de vida que levamos. Viver por viver! - Quero eu dizer com isto o quê?
O QUÊ!?
Primeiro, por um lado os criadores programáticos que criam programas com uma intencionalidade, por outro lado, os utilizadores que não sabem aproveitar as ferramentas que têm nas mãos para explorar, conhecer e aprender. Muitas vezes utilizam programas sem saber para o que servem. Isto é, sim ao computador, não há maneira de como ele é utilizado.
O computador deve ser usado como meio para atingir um fim.
Em segundo, os que criam e implantam os computadores e os programas nas escolas, muitas vezes fazem-no mal, e têm ideias erradas:"Os ciberavestruzes que planificam a politica educativa estão decididos a utilizar o computador, mas só conseguém imaginar essa utilização no contexto do sistema escolar tal como conhecem...";"Este facto é bastante perverso:novas tecnologias são usadas para fortalecerem métodos educativos pobres, que foram concebidos apenas porque não exixtia o computador quando a escola foi pensada." Para acabar gostei imenso do final deste capítulo que fala um pouco explica o que é linguagem HTML, para quem não sabe.
Implicitamente é aceite pela população adulta e idosa que a utilização e compreensão do computador seja feita pela população mais jovem. Esta população, devido às mudanças cada vez mais rápidas que se registaram na actualidade, desenvolveram domínios cognitivos que lhes permitiu aceder com mais rapidez às novidades tecnológicas inerentes à sociedade, esta cada dia que passa mais tecnológica e economicista.
Todo este conhecimento/capacidade de manuseamento tem as suas vantagens e desvantagens, a desvantagem que mais se destaca e que o autor mais refere é a existência de um fosso cada vez maior entre os jovens e os adultos ( no texto foca-se com especial atenção a relação pais /filhos). Para que este fosso não aumente mais, é necessário um esforço por parte dos adultos/pais no conhecimento, não só a nível do manuseamento básico dos computadores mas também da programação. Só assim haverá algo comum que fará com que haja um mais entendimento entre as diferentes gerações. Este esforço será cada vez mais necessário, devido às formas de aprendizagem que se utilizam na actualidade.
Gostei imenso da ideia que Papert quer transmitir ao nos alertar para o facto de que a fluência tecnológica só se adquire através da utilização do computador, e principalmente quando o utilizamos sem medo de errar.
É extraordinário ver como a Lauren consegue se "desenrascar" a instalar o software pelo simples facto de explorar até acertar, ao invés do pai que com medo de agir incorrectamente à primeira, pouco ou não tenta.
-No que nos diz respeito, aderimos ao desafio da linguagem HTML?
-Vamos manuseando até acertarmos?
"...A minha mensagem é de que depende de si, muito mais do que aquilo que poderá pensar, o delinear do seu futuro e do dos seus filhos, no que diz respeito ao computador..." "...Dentro deste espírito, concentro a minha atenção no que considero ser mais fundamental e que não é prever o futuro, mas sim ajudar as pessoas que querem participar na sua construção..."(Papert: 1996, 44)
Para mim não há dúvidas que a grande mensagem que Papert pretende transmitir com este capítulo é o facto do computador e as tecnologias que dele advêm serem novas formas de se resolver problemas de incapacidade de integração em algumas matérias escolares, e até de estruturar novas formas de adquirir conhecimento e estruturar pensamentos.(Por exemplo, episódio da Jenny)
Por fim, a grande dificuldade em conseguir estas novas formas de conhecimento e de pensar, são as políticas e ideologias instauradas, que não permitem a evolução no sentido positivo, ou seja, ninguém pensa nos benefícios que podem advir de uma nova estratégia: seja ela de ensino, de trabalho ou de projecto, mas pensam imediatamente nos malefícios, da dependência que já parece estar inerente ao computador.
"Na realidade, o que está a ser feito na escola é uma mascarada evidente do que poderia ser feito com o computador" (Papert 1996: 43)
É bem verdade que a escola de um modo geral, utiliza o computador ( as tecnologias em geral ), únicamente como meio de acelerar o que antigamente demorava mais tempo.
Por exemplo passamos os trabalhos a computador porque ficam mais apelativos poupando assim tempo e trabalho se necessitarmos de os alterar. Fazemos uso das calculadoras (dos computadores p.e.) em detrimento de efectuarmos nós as contas, ou seja, tentamos ganhar tempo. Penso que " esta mascarada evidente " (Papert 1996:43) se deve em grande medida a assistirmos à emergência de um novo conceito de aprendizagem.
Segundo este conceito não importa "como assimilamos" ou "com que qualidade assimilamos" , desde que o consigamos no mínimo tempo previsto e que em grande medida tenhamos a capacidade de assimilar uma vasta quantidade de aprendizagens.
São aprendizagens num mundo que vive a contra relógio.
Ao que me é dado a ver, quanto mais evoluímos, de menos tempo dispomos o que nos faz olhar para os computadores como um meio de ganhar tempo. Isto é no contexto da educação significa apenas tornar mais rápidos os métodos antigos.
Os ciberutópicos defendem que os computadores irão revolucionar a era das tecnologias elogiando os eventos e milagres que estes produzem. Por outro lado, os cibercríticos evidenciam os possiveis perigos da era cibernética.
Papert não esta de acordo com estas duas abordagens, todavia considera que as duas têm a sua certa razão. Os computadores podem fazer milagres, mas é preciso problematizar até que ponto estes milagres podem ser prejudiciais.
Mas então em quê que ficamos? A perspectiva ou abordagem a seguir, para encontrar um sentido de orientação tecnológica, é a aprendizagem. Como refere papert nenhum dos problemas mundiais será resolvido a não ser que as pessoas...aprendam melhores formas de pensar..." Para fomentar esta ideia, dá alguns exemplos de "histórias" exemplificativas, das quais "Agora sei porque há substantivos e verbos" é o exemplo mais significativo.
Todavia, o computador não ensina nada, mas sim, ajuda a compreender. Contribui para a destruição dos obstáculos, possibilitando a descoberta da aprendizagem, de modo a entusiasmar as crianças no processo do mesmo.
"Leva - nos a esperar resistências dos educadores a novas técnicas, mas também nos sugere que nós próprios devemos resistir à popularização de modas "HollyWood", na comercialização de produtos educativos para o computador" (pág. 52).
Muitas vezes os educadores (pais, professores, etc.) resistem à compra de determinados programas, para o computador, na qual dizem (os comerciantes) ser uma importante e por vezes indispensável via para obter sucessos escolares e, portanto, educativos.
No entanto, as coisas não "funcionam" bem assim, pois muitas vezes a maioria destes programas e softwares educativos, são muito bons em termos estéticos, gráficos, no entanto, em termos pedagógicos são muito pobres.
Isto acaba por constituir a grande da maioria dos programas que estão à venda no mercado, aspecto importante para qualquer criança no processo de ensino/aprendizagem.
"A palavra fluente exprime o aspecto mais importante do tipo de conhecimento que as crianças devem ter sobre a tecnologia." (Papert, 1996: 54).
>O conceito de fluência tecnológica apresenta-se neste capítulo, fundamental, sendo um dos aspectos que mais me chamou a atenção durante a leitura.
Muitas vezes possuímos bastantes conhecimentos acerca de alguma coisa. Contudo quando chega a hora de os pôr em prática, apercebemo-nos de que não somos capazes. Se não experimentarmos e se tivermos medo de experimentar, nunca iremos obter a fluência tecnológica que muitas das crianças actualmente têm.
E porquê? Porque estas crianças não têm receio de errar, medo de falhar. Muito pelo contrário quanto mais errarem e falharem mais vontade terão de voltar a tentar, pois sabem que são capazes.
"Uma das maiores contribuições do computador é a oportunidade para as crianças experimentarem a excitação de se empenharem em perseguir os conhecimentos que realmente desejam obter." (Papert, 1996: 43).
Por se sentirem motivadas a conhecer e descobrir mais, as crianças aprendem facilmente inúmeras coisas através do computador.
Temos como exemplo os três casos apresentados por Papert, onde crianças de diferentes idades realizam aprendizagens através do computador. Estes casos mostram de forma clara que as crianças são capazes de aprender de forma variada, criativa e divertida. Infelizmente nós adultos não temos a capacidade de variar o nosso modo de utilização do computador, se todos seguissemos o exemplo da Jenny poderíamos alcançar o desempenho de um "cérebro".
Esta designação foi dada pelo autor áqueles que se sentem entusiasmados pela perpspectiva dos computadores melhorarem aquilo que se faz dentro da escola. Mesmo com entusiasmo estes " educadores avestruzes", não aceitam compreender que a aparição dos computadores irá trazer consigo mudanças significativas para dentro da sala de aula.
É um conceito que Papert designa de forma simbólica e figurativa para tentar descrever este tipo de educadores.
No meu entender este tipo de educadores, uma vez que querem que as novas tecnologias entrem pela sua sala, devem estar preparados para as suas consequências, sejam positivas ou negativas.
No segundo capítulo do livro, Papert fala sobre as tecnologias e abre o capítulo com a dictonomia de oposições perante as tecnologias, dum lado encontram-se os cibercríticos e do outro encontram-se os ciberutópicos.
Os ciberutópicos, como o próprio nome indica criaram uma utopia das tecnologias, ou seja " larvam os milagres da era digital" portanto so vêm vantagens que as tecnologias podem trazer às pessoas que as utilizam.
Esta posição é muito extremista, é verdade que as tecnologias podem melhorar e muito a vida das pessoas, e cada vez são mais importantes nas nossas vidas, contudo é necessário não esquecer que também têm desvantagens. No fundo não se deve ser nem um ciberutópico nem um cibercrítico, mas sim, estar atentos aos dois lados.
É certo que os indivíduos aprendem com a experiência, logo quanto mais utilizarem o computador (por exemplo), maior será a sua aprendizagem.
Falar de fluência não significa saber muito sobre um assunto, mas sim ter o à vontade suficiente para o descobrir.
Um dos motivos que leva a que as crianças tenham mais à vontade com o computador do que os adultos é o facto de não terem medo de arriscar, de não se preocuparem com os erros.
Gostam de "investigar", pois quando cometem erros simplesmente voltam para "trás" e repetem as vezes necessárias, até chegarem aos seus objectivos.
Para além deste motivo, as crianças envolvem-se mais emocionalmente do que os adultos. Isto deve-se ao facto da aprendizagem ser encarada como divertida, estando por isso, o processo de aprendizagem facilitado.
Alguns adultos vêm a utilização das novas tecnologias como algo que "já não é para o seu tempo", encarando com desconfiança uma nova aprendizagem.
Se não querem, se têm medo de lidar com as novas tecnologias, e não se sentem à vontade, nunca iram realizar uma boa aprendizagem.
" A aprendizagem é mais bem sucedida quando o aprendiz participa voluntária e empenhadamente. " Papert, pp 43
Para se aprender qualquer matéria é fundamental que os alunos estejam motivados.
A motivação faz com que aluno tenha curiosidade de ir mais além, de aprofundar os conhecimentos, de pesquisar sobre os assuntos.
Se o aluno se sente à vontade com as tecnologias, se estas lhe abrem um mundo cheio de informação e novos conhecimentos, é natural que ele se sinta motivado para entrar nesse mundo e percorrer esses caminhos.
Se pelo contrário, não houver motivação, o aluno limita-se a fazer apenas o que lhe é pedido, sem se desenvolver uma autonomia na sua aprendizagem.
Não podemos negar que nos nossos dias as tecnologias suscitam bastante a atenção dos alunos. A sua utilização pode ajudar um aluno na sua aprendizagem, pois ao utilizar uma ferramenta que o estimula, este pode sentir-se mais motivado para um assunto que talvez não o motivasse tanto e deste modo terá uma melhor aprendizagem.
" Uma das maiores contribuições do computador é a oportunidade para as crianças experimenatrem a excitação de se empenharem em preseguir os conhecimentos que realmente desejam obter." Pappert, pp43
Isto porque com as tecnologias e a internet, a criança pode aceder e procurar qualquer informação, sobre qualquer assunto, que para ela seja interessante, pesquisando e aprendendo sozinha, sobre os temas que mais a motivem.
Tratando-se de um livro maioritariamente dirigido para pais, há que sublinhar que estes não são os únicos preocupados com a revolução digital.
Os Ciberutópicos, que dizem que a revolução oferece oportunidades únicas, e os Cibercríticos que salientam os terríveis perigos da era digital, concordam num aspecto: As coisas mal começaram!Papert não adere a nenhum, mas (como o Pablo referiu) se ele acredita na « melhora extraordinária nas aprendizagens das crianças » não estará a defender inconscientemente uma das perspectivas?
O que acontece actualmente é que as pessoas que utilizam tais tecnologias não ponderam sobre as coisas boas ou más que elas poderão trazer. Papert talvez não aceite ser ciberutópico ou cibercrítico porque simplesmente não aceita a forma como as tecnologias estão a ser utilizadas:
« nenhum dos problemas mundiais será resolvido, a não ser que as pessoas, nomeadamente as da próxima geração, aprendam melhores formas de pensar do que as que deram origem aos problemas actualmente existentes » (Papert, 1996:42).
Mesmo considerando que o mais importante é aquilo que aprendemos não podemos deixar de pensar conscientemente que o que aprendemos tanto pode ser bom como mau, e por isso nada mudará se o modo de pensar sobre as coisas não mudar e se soluções sobre isso não aparecerem! Como Papert diz. . .
« Estou convencido que o modo como as crianças aprendem vai melhorar extraordinariamente »
(Papert, 1996:42),
. . .acreditanto que se chegue a um consenso entre o MAU e o BOM das Tecnologias.
É certo que a aprendizagem por engano será « mais bem sucedida quando o aprendiz participa voluntária e empenhadamente » (Papert, 1996:43), mas não será necessário tomar atenção ao modo como ele aprende e pelo que se interessa?
Olá a todos, estive a ler alguns dos contributos e penso que era importante referir que alguns estão muito extensos. Na minha opinião deveríamos criar mais do que um contributo se tivermos mais do que uma ideia. Podíamos seguir a lógica de uma ideia, um contributo.
Que tal? espero sugestões e comentário. Um abraço para todos.
"...mudanças que podem ocorer na forma como as pessoas aprendem, causadas pela utilização do computador" (Papert: 1996, 42). Este excerto retirado do capítulo "Tecnologias" está rodeado de um significado especial. A utilização do computador permite a interacção entre indivíduos, ou seja, a tecnologia é um meio importante para as pessoas se relacionarem entre si.
"o modo de alguém adquirir fluência em tecnologias é semelhante ao modo como adquirir fluência numa lingua", contudo "..ser fluente em computador não quer dizer tudo" (Papert: 1996, 54;55). Para sermos fluentes em tecnologias não somos obrigados a comprender tudo a início, ou seja, esta compreensão é independente da idade em que se começa a aprender e a utilizar as tecnologias.
Contudo para que possamos comprender não devemos ter medo de trabalhar com o computador. No primeiro obstáculo é necessário, antes de recorrer a alguém, tentar ultrapassá-lo. Por fim, não podemos considerar que alguém que é muito fluente no uso do computador saiba e compreenda tudo acerca deste.
Papert inicia o seu segundo capítulo Tecnologia com a distinção entre ciberutópicos (os que acreditam nas tecnologias) e cibercríticos (os que nos alertam para os perigos), que concordam quando se diz que "muito mais ainda está por vir". Nas páginas seguintes à sua posição contra estas duas visões, e em que Papert condena o facto de muitas das aprendizagens incutidas nas crianças serem através do engano, o autor sublinha que a aprendizagem será “mais bem sucedida quando o aprendiz participa voluntária e empenhadamente” (Papert, 1996:43). Os exemplos dados no livro, e muitos que todos nós conhecemos da vida real e por vezes até vividos por nós, constatam esta afirmação:
!Os alunos que constroem programas educativos sobre assuntos que consideram aborrecidos (ex: fracções)
!Exemplo da Jenny que aprendeu a compreender a gramática através da utilização do computador.
São apenas dois exemplos, de muitos outros, em que a tecnologia pode ser moldada por cada um de nós, capaz de nos ser úteis naquilo que quisermos, em função da nossa imaginação e persistência. Moldagens estas que muitos educadores não entendem, pois evitam constantemente compreender que a tecnologia está e continuará a trazer mudanças espantosas nas nossas crianças e na sociedade em geral. São por isso, designados como avestruzes, uma metáfora muito bem atribuída para quem enfia a cabeça na areia para não ver as mudanças que ocorrem na realidade envolvente.
A verdade é que muitos dos softwares educativos continuam a ser utilizados de forma semelhante à utilização dos manuais, e não é isso que se pretende. Pretende-se sim, colocar a criança a interagir e a construir o seu próprio conhecimento, de forma a descobrir assim alguns dos seus interesses e a interessar-se pelo desconhecido.
Já na recta final do capitulo, e após referir dois conceitos também importantes, fluência tecnológica e fluência na aprendizagem, Papert fala-nos da excepção à maioria dos programas, nos quais por muito que quiséssemos e tentássemos, não conseguiríamos ver nem compreender a forma como são construídos: a Linguagem HTML (HyperText Markup Language). E não o conseguiríamos fazer, simplesmente porque se trata de uma linguagem “pouco elegante”, nas palavras do autor, cujo objectivo é descrever a estrutura de um documento e não a sua aparência.
O autor começa por fazer uma distinção entre Cyberutópicos (que acreditam nos benefícios dos computadores) e Cybercríticos (que tentam mostrar o lado "negro" da sua utilização).
No entanto Pappert admite estarem os dois errados. Ele apesar de achar o uso das tecnologias super importante, não concorda com a forma que as mesmas estão a ser utilizadas.
Ele dá o exemplo dos jogos q tentam transmitir uma aprendizagem através do engano e se há uma coisa q ele preserva na aprendizagem é a verdade.
Para além disso há também o facto dele comparar os computadores aos carros na medida em que, primeiro o ser Humano atreve-se a fabricar as coisas e só depois remedeia as consequências da sua criação. No entanto a parte mais compensadora de todo este processo é que está na consciência de cada se vai utilizar ou não o Computador, ponderando todos os seus riscos e benefícios.
No entanto eu considero, tal como o autor deste livro, que o importante no meio de tudo isto é nada mais nada menos que a Aprendizagem!
O autor fala em três casos muito flagrantes de como os Computadores podem ajudar na aprendizagem:
8 O caso de Lisa e Mark, acerca do insecto mais repelente e a sua decisão de criar um espectáculo baseado em sites da Internet para mostrar "como as pessoas são injustas para os insectos".
8 O caso da professora Teresa M., que propôs aos seus alunos fazerem pacotes de programas motivando-os acerca das matérias que escolheram.
8 E o caso de Jenny, que não conseguia aprender gramática pois ainda não tinha encontrado nenhum interesse e no entanto com o programa de fazer poesia, descobriu uma motivação para a aprender, através de a utilizar como meio para atingir um fim.
A tecnologia foi também aqui neste texto comparada ao cinema para mostrar em quem ponto parámos e ate onde poderíamos evoluir. Tendo em conta que os Ciberavestruzes são os que acreditam q as novas tecnologias devem ser utilizadas no contexto de escola já existente, poderiamos dizer que em termos de cinema eles ainda estariam numa fase "teatro mais câmara"!
Outro assunto muito falado neste capítulo é a temática da fluência, assim sendo posso dizer que fiquei com a ideia de que com os cursos de informática ficamos a entender como funcionam as coisas mas não a saber como utilizá-las para atingir os nossos próprios objectivos e apesar de ajudarem a "arranjar um emprego" já que é mais um elemento para o currículo, não tem o valor que lhe é atribuído em termos de prática - para falar disto o autor faz uma alegoria com a Analfabetização. No entanto concordo que o que importa não é o emprego que vamos arranjar no futuro e sim as aprendizagens do presente, porque no meu entender, se n formos dotados da capacidade de lidar com um assunto fluentemente, nunca seremos capazes de ser bons profissionais. Pois perante um erro, uma pessoa que não é fluente, vai a correr procurar ajuda e uma pessoa que possui o dom da fluência num dado assunto, perante um erro, tentam desenvencilhar-se sozinhos ate acertarem.
Que é o caso do Lauren, que não tem receio de experimentar e por isso consegue chegar ás soluções muito mais rapidamente que o seu pai, tentando várias vezes - aprendizagem por tentativas - e com isso adquirindo Fluência na Aprendizagem para além da Tecnológica.
A distinção entre tecnologias transparentes (fáceis de observar o seu funcionamento interior) e tecnologias opacas (o seu funcionamento não é possível de ser observado devido às suas dimensões microscópicas), vai permitir compreender uma das formas opacas de funcionamento de um Computador, a linguagem HTML, utilizada para construir paginas da Internet. Páginas essas a que todos nos temos fácil acesso através do URL (endereço electrónico que normalmente começa com http://www.).
Uma das coisas que pode surgir no decorrer dessa falta de observação de como funcionam as coisas é a frustração, pois podemos estar perante um Computador e ter que estar á espera que algo aconteça sem possibilidade de fazer nada! Teremos então que entender as razões dessa espera e a quem deveremos culpar para podermos ultrapassar essa frustração.
No fim das contas deveríamos fazer todos como os "miúdos", ir experimentando até acertar, pois pelas tentativas, iremos alcançar tudo o que queremos! Tanto nas tecnologias como em tudo na vida :)
Contributo do primeiro capítulo"Gerações" da Liliana
Num mundo cada vez mais “agitado”, em que os pais têm cada vez tem menos tempo para os filhos, os computadores vieram ocupar um espaço relevante no processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças.
É verdade que as crianças são mais independentes pois através da tecnologia têm acesso a variadíssimas informações sobre diversos temas, sem terem a necessidade de consultar os adultos mas até que ponto esta “maior liberdade de escolha” (Papert, 1996: 25) será benéfica para a criança?
Onde entra a desenvolvimento de outras actividades em que a criança tem um contacto mais físico com a Natureza e com o mundo exterior?
Na verdade não podemos nem devemos privar as crianças do contacto com o computador, pelo contrário, esta é uma forma de aprendizagem muito rica. Cabe a nós como irmãos, futuros pais e futuros técnicos da educação tentar equilibrar as formas de aquisição de informações das crianças e orienta-lás no sentido de uma maior consciência da importância do PC mas também do desenvolvimento de actividades que se podem fazer sem ser em frente de um ecrã.
Segundo o Papert (1997: 39), “a utilização dos computadores em casa como uma importante (talvez a mais importante) fonte de pressão para a reforma educativa”.
Mas, qual é que é o limite da aprendizagem através das tecnologias?
Até que ponto são possíveis e plausíveis as mudanças na forma como as pessoas aprendem causadas pela utilização do computador?
Para já, há que perguntar se, por acaso, não é o Papert um idealista (ciberutópico) quando acredita na «melhora extraordinária nas aprendizagens das crianças»?
Mais para a frente, poderemos discutir por que é que ele diz «sou frequentemente criticado pelo optimismo que demonstro em acreditar em grandes mudanças no nosso sistema educativo» (Papert, 1997: 214).
Se não percebi muito mal, segundo o Papert, o sistema educativo só consegue imaginar a utilização dos computadores no contexto da ensinança tradicional. Na prática esta visão traduz-se na utilização do ecrã do computador como se for o quadro da sala de aula e do software para alfabetizar por computador (ler, escrever e contar).
Há tempo que o objectivo de acrescentar o número de computadores nas escolas está dentro das agendas políticas dos ministros da educação europeus. Mas, estamos a ver que não há uma relação lineal entre mais computadores (mais recursos) e mais aprendizagens (mais «qualidade»).
Mas apenas com computadores não há aprendizagem. Tem de haver também objectivos, conteúdos e metodologias educativas para desenvolver as possibilidades das tecnologias, limitadas apenas pela nossa imaginação.
Aí está a dificuldade da «macromudança».
Como diz o Tedesco (2000: 170) “parece muito mais importante generalizar a capacidade de inovar (aprender) do que generalizar as inovações (aprendizagens) em si mesmas”.
Tedesco, J. C. O novo pacto educativo. Educação, competitividade e cidadania na sociedade moderna. Vila Nova de Gaia, Fundação Manual Leão, 2000, 2ª edição.
Oi Sandra gostei do teu comentário foi bom alguém ter feito uma referência aos dois lados da quetão!
Épa os nossos"velhos" por um lado não têm culpa nenhuma de viverem numa sociedade em constante mudança, onde já ninguém tem "mão" para controlar as inúmeras e constantes evoluções ao nível das tecnologias, entre outras coisas.
Mas também é verdade que há "velhos"que se esforçam para acompanhar o ritmo e estarem sempre actualizados, mas por outro lado temos que aceitar que em Portugal a maioria das pessoas só se interassam pela área das tecnologias e informática quando realmente são confrontadas com esse problema.
Sabem lá elas que todos os dias estão em contacto com inúmeras formas de tecnologias: quando entram num elevador, quando descongelam um frango no microndas, quando veêm televisão, quando andam de transportes públicos ou pessoais, quando telefonam entre outras coisas.
Pois é! O que quero dizer é que o problema não são das gerações mais velhas, mas sim de uma sociedade mentalizada e estruturada para o futuro. E quem é que ajuda as gerações mais velhas de acompanhar o progresso? Eu!? Tu!? Nós todos!?Pois tá claro que sim. Não custa nada explicar a uma senhora de 60 ou 70 anos o básico do funcionamento de um computador.
A mim acontece muitas vezes ter que ajudar muitas pessoas a tirar o bilhete de comboio ou de metro, porque para elas é bastante complicado e não percebem nada daquilo.
ah ah ah
Vocês riem-se agora mas quero vos ver daqui a 50 anos a tirar um bilhete de comboio!
Bem isto já vai longo e só queria deixar uma ideia no ar.
Boa sandra continua a mandar mais cenas fixes e a gente vê-se por aí!
Na minha opinião, este capítulo do livro começa por transmitir a ideia de como os pais de hoje vêem a relação que os seus filhos mantêm com os computadores e com a Internet:
"Os pais ficam ficam espantados e excitados ao verem as crianças quebrarem as barreiras do espaço e da nacionalidade, arranjando correspondentes em todo o globo ou tornando-se especialistas em ecologia planetária. Mas é então que se preocupam com a possibilidade de as crianças encontrarem más companhias ou terem acesso a ideias corruptoras, enquanto percorrem e voltam a percorrer as auto-estradas do ciberespaço" (Papert, 1996: 22).
Considero que esta afirmação é muito significativa da dualidade de predisposições que os pais assumem face ao "encantamento" das crianças, de hoje, pelos computadores. Por um lado, é gratificante sabermos que as crianças dominam com uma facilidade fabulosa a Internet; por outro, há que considerar os riscos e os malefícios que a Internet pode trazer para os lares.l
Um segundo ponto que eu gostaria de salientar nesta minha reflexão é o conceito de "aprendizagem de estilo familiar". Considero que Papert atribui uma grande importância à aprendizagem feita por intermédio da própria experiência e descoberta por parte da criança.
Papert focou, ainda, algo com que me identifiquei bastante quando afirmou: " (...) penso que seria bom para a criança aprender este género de procedimento da, ou melhor, com a mãe, além de ser positivo para a mãe habituar-se a ir além do que se encontra escrito no manual de instruções" (Papert, 1996: 34).
De facto, uma criança terá muito a ganhar se esta aprendizagem (da utilização do computador) for realizada com a companhia da mãe.
Numa sociedade que está sempre em evolução é essencial acompanhar toda esse percurso e tentar adaptar-se ao novo mundo.
Mas será que é assim tão simples?
Sou da opinião que as gerações mais velhas devem tentar acompanhar as mais novas e descobrir o mundo das tecnologias, mas ao contrário do que se diz, acho que isso não é apenas uma questão de não querer aceitar que o mundo evolui, de não querer tentar acompanhar essa evolução.
Será correcto continuar a culpar as gerações mais velhas de retrógrados?
Eu acho que nos esquecemos, por vezes, que eles nasceram num contexto um pouco diferente do nosso, logo a sua aprendizagem e evolução será um pouco mais lenta, visto nós já termos nascido num mundo um pouco diferente e onde tecnologias já eram mais comuns.
Já se imaginaram a viver há 50 anos atrás?
Se calhar teríamos as mesmas dificuldades, que os nossos pais estão a ter com os computadores, ao utilizar os seus aparelhos, pois não estamos familiarizados com esse contexto, assim como eles não estão com o nosso!
Não vou dizer que eles não têm a culpa. Talvez pudessem ser um pouco mais curiosos, mas qual seria a nossa atitude?
" O que é importante é usar os miúdos como um recurso e lembrar que eles estão ali para ajudar se lhes concederem oportunidade para tal, o que não significa que não os esteja também a ajudar"(pag. 37)
Por vezes os pais e as pessoas mais velhas têm uma certa dificuldade em utilizar as tecnologias e beneficiar de tudo aquilo que elas nos podem oferecer, nomeadamente ao nível do seu manusiamento.
Muitas vezes estas pessoas quado se deparam com estas situações, tendem a desistir, acreditando na ideia que são demasiado "atrasados" para aprenderem a utitlizar um computador. Esta ideia é errada !
Assim, podem pedir ajuda aos mais novos, que tem algumas noções de como utilizar um computador, sendo igualmente gratificante para quem está a ensinar.
Desta forma, poderam (os mais novos) consolidar os seus saberes acerca dos computadores e também de outras tecnologias,assim como também descobrir e aprender novos caminhos e novos mundos.
Vou começar por fazer um breve comentário ao blog do Marcelo que penso estar muito interessante .
Estou completamente de concordo com o que ele disse em relação á sociedade, que em vez de tentar de algum modo adaptar-se a tudo o que de novo e diferente aparece, não, evita e acaba por se fechar num mundo sem novidade, não tentando usufruir das muitas facilidades que as novas tecnologias têm para nos oferecer.
"O que os pais precisam de saber sobre computadores não é na realidade sobre computadores, mas sim sobre aprendizagem." (Papert, p.30)
Pappert nesta frase refere-se exclusivamente aos pais, mas eu penso que se adapta a todas as pessoas que vem "o mundo dos computadores" como indiferente para as suas vidas.
Pappert realça também o facto das crianças se adaptarem tão bem com os computadores, dizendo até que "As crianças estão para a programação como os peixes para a água..." (Papert, p.35)
No entanto os pais nem sempre consegue acompanhar esse desenvolvimento sentido uma "desconcertante inferioridade" (Papert, p.31), perante os seus filhos aquando de um computador, o que eu acho desnecessário, pois com algum esforço, as pessoas podem tentar por si próprias resolver um ou outro problema no computador juntamente com os seus filhos, penso que seria muito positivo.
Para terminar, penso que, conhecer este mundo de curiosidades para as crianças e de incertezas para os adultos é algo que mais cedo ou mais tarde tomará conta de tudo, tendo nós que nos adaptar quer queiramos quer não...
"OS IGNORANTES QUE ACHAM QUE SABEM TUDO, PRIVAM-SE DE UM DOS MAIORES PRAZERES DA VIDA: APRENDER"
Nada melhor como primeiro comentário neste nosso blog do que uma grande crítica aos nossos pais e a todos que entram em pânico quando ouvem qualquer palavra relacionada com computadores ou tecnologias.
AAAHHHHHH!!!
Vou-vos contar um caso real, verídico, daqueles que nínguem acredita. Uma tal senhora, na casa dos 50, iniciou há pouco tempo o contacto com as tecnologias, devido á sua natureza profissional. Habituada a trabalhar com a máquina de escrever foi como que obrigada a trabalhar com o computador. Tal senhora não sabia utilizar mais nada se não as ferramentas mais básicas como o processador de texto e imprimí-lo, e recusava-se a aprender mais qualquer coisa, fosse o que fosse.
É o que se pode chamar de uma casmurra, preconceituosa que vê no computador a evolução do século XXI da máquina de escrever. Para além disso existem maus hábitos que dificilmente se largam, como por exemplo, até há bem pouco tempo para desligar o computador era directamente no botão LIGADO/DESLIGADO, tal e qual como fazia na velhinha máquina de escrever.
DAAHHH!!!
Cá entre nós o tipo de comportamento desta senhora espelha a mentalidade da maioria da sociedade. Como é que é possível em pleno século XXI ter um pensamento e uma atitude tão fechados ao mundo!? Como diz Papert
"... os adultos têm de se tornar permeáveis a novos assuntos, não se podem convencer de que não conseguem aprender mais nada e têm de criar mecanismos de exploração autónoma, caso contrário não conseguirão acompanhar o ritmo de aprendizagem dos filhos."
(Papert, p.29)
E não só, isto é, têm de se abrir a novas ideias, a conhecimentos e experiências, como dizia Einstein
"A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original."
Bem pessoal por hoje é tudo sobre este primeiro capítulo do papert, mandem mais contributos fixes, espero que gostem do meu (ou não).
Um abraço MARCELO
"...provavelmente será para o pior se os pais agirem como ciberavestruzes, enfiando a cabeça na areia da negação das mudanças que se desenham no ambiente da aprendizagem."(Papert 1996:26)
Já muito se falou sobre a aversão dos pais aos computadores e do seu comportamento como ciberavestruzes, penso que existe um lado da questão pouco explorado neste capítulo que tanto fala sobre pais e tecnologias, a falta de tempo dos pais.
Muitas vezes os pais não tem falta de interesse nem de curiosidade, só que o pouco tempo que têm disponível, têm de ser dividido por várias actividades de assistência à familia e o que sobra nem sempre pode ser aproveitado para estar com os filhos, tirando o proveito da facilidade que as "crianças" têm com as tecnologias e da facilidade com que realizam aprendizagens com as mesmas.
Aliás mesmo o pouco tempo que dedicam a esta actividade, acaba por ser pouco produtivo para uma aprendizagem interessante e cativante.
Se só dispomos de 30 minutos para aprender algo de novo, estamos numa aprendizagem contra relógio o que se torna desinteressante e pouco atractivo, o que faz com que muitos pais enfiem a "cabeça na areia".
Mas, não como um acto de negação das mudanças que se desenham no ambiente da aprendizagem, mas sim porque preferem fechar os olhos a uma nova situação para a qual não dispõem de tempo para aprender.
" O que os pais precisam saber sobre computadores não é na realidade sobre computadores, mas sim sobre a aprendizagem" (pp 30).
A era dos computadores levou a um novo tipo de aprendizagem, sendo assim, as crianças que desde muito novas têm contacto com essa realidade, absorvem-na e estão à vontade para lidar com ela.
O mesmo não acontece com os seus pais, estes querem aplicar as suas formas de aprendizagem aos seus filhos e como é óbvio, não conseguem. Quando se fala de computadores os pais ficam alarmados pois acham que utilizar estes "monstros" é muito difícil.
Uma das formas de combater estes medos é deixarem-se seduzir pelos próprios computadores, adquirirem um método de exploração própria, criando assim, a sua aprendizagem.
Ao criarem a sua própria aprendizagem vão conseguir adaptar-se e partilhar a aprendizagem dos seus filhos, contribuindo para melhorar uma busca de conhecimento em família, em rede!
Assim, o problema nãoo está em perceber muito de computadores, mas sim, perceber se a forma como lidam com eles, está correcta e não ter vergonha de querer aprender.
"Papert é um dos autores fundamentais do mundo dos computadores na educação".
O autor insere-se na perspectiva educativa da escola e seu ponto de partida, neste contexto, é a exploração das possibilidades e os limites das novas tecnologias de informação. Desta forma, a Internet é marcante no conteúdo do livro!
Ele é um crítico implacável do que considera ser software educacional de má qualidade mas aponta, igualmente, exemplos de programas que possibilitam um uso criativo e enriquecedor do computador.
No que diz respeito ao 1º capítulo, o autor faz referência a um apaixonado caso de amor entre crianças e computadores e tal como acontece com outras paixões da juventude, esta, confunde os pais que, ou ficam deleciados quando os filhos passam horas ao computador em plena concentração, ou incomodados pelo caracter de depedência que a experiência origina.
O autor fala-nos de uma liberdade perdida e, em seguida, de uma liberdade conquistada. Quando a criança se apercebe de um mundo mais vasto que não pode ser alcançado através do espectro complecto dos sons que é capaz de emitir, cada vez mais surgem perguntas que não podem ser respondidas a partir da exploração directa e não existindo muitas maneiras disponíveis para encontrar essas respostas, as crianças tornam-se mais dependentes das outras pessoas. O computador surge como a chave para a liberdade da aprendizagem.
Há quem seja contra, mas eu sou a favor. No entanto há que salvaguardar o uso moderado desta máquina.
"...esse sentimento de inferioridade torna-se uma profecia auto-realizada" (1996: 30)
O facto dos pais se acharem inferiorizados relativamente ao uso de tecnologias e à aprendizagem destas é já um entrave à aprendizagem da utilização dos mesmos. Também o facto de eles conceberem ideias das tecnologias como algo de "monstruoso" e "complexo" contribui para um afastamento cada vez maior destas, como Papert deixa bem explícito.
"Quando uma dada actividade é marcada por um estigma, a sua inacessibilidade a gente comum acaba por se tornar um facto" (1996: 35)
Em "Família em Rede", Seymour Papert utiliza uma linguagem muito simples, sendo desta forma muito persuasiva.
A maneira como o autor transmite o seu ponto de vista torna-se muito claro, utilizando esquemas que se assemelham muito a certas características do hipertexto (sublinhar palavras-chave que posteriormente serão abordadas), o que me parece muito interessante.
Esta é a frase com que Freud celebrizou a sua teoria da psicanálise.
Da mesma maneira Papert atribui a criança a capacidade de mudar os preconceitos formados sobre a nova era de tecnologias. Conecta nesta, a predisposição para lidar com a geração do mundo dos computadores.
As crianças, seres dotados de uma incrível vontade de aprender a aprender e descobrir serão as colonizadoras de uma era de "computação encantada", isto é, de inovações e transformações na área de aprendizagem das novas tecnologias e do computador em si.
Contudo, esta aprendizagem como afirma o autor deverá ser acompanhada pelos pais, os "gestores " da aprendizagem dos seus filhos. Estes devem ter uma atitude positiva, mesmo quando pensam que "é muito complicado", ou seja, que não aprendem a "manejar" com as novas tecnologias, ou que o tempo de aprender já "acabou".
A solução para estes segundo Papert ,é saberem dispender o tempo necessário para resolver os problemas que vão surgindo.
E é com este pensamento que se "Tornará possivel", que mesmo aquelas crianças rotuladas de necessitarem de educação especial, poderão desvendar as suas verdadeiras capacidades para as diversas áreas.
Olá a todos!
Tenho uma ligeira tendência para escrever e falar demais por isso perdoem-me caso eu me exceda.
Na minha opinião este capÃtulo acaba por ser uma introdução à obra toda, no entanto já aponta questões muito interessantes. Daqui advem a frase que eu elegi e que orienta muitos dos pontos que eu fui assinalando.
Há muitas mais coisas que eu poderia dizer, mas se eu começar a focar todos os pontos acho que não saiu daqui. Estou muito interessada nas próximas ideias que Papert apresenta neste livro e aprender mais um pouco.
Em todo o lado, com poucas excepções, vi o mesmo brilho nos seus olhos, o mesmo desejo de se apropriarem dessa coisa." (Papert, 1996:21)
Nos dias que correm, o computador tornou-se um objecto constituinte das nossas vidas, do nosso dia-a-dia. As crianças "nascem"a saber utilizar esta máquina, que se tem vindo a tornar, apenas mais um brinquedo, um brinquendo multifacetado, capaz de possibilitar a realização das mais diversas actividades inerentes ao seu desenvolvimento, como jogar, desenhar, criar, estudar, pesquisar, descobrir e comunicar.
Talvez por ser nesta fase da vida que queremos descobrir "tudo", o manuseamento deste objecto se torne tão fácil e divertido. É também por este motivo, que os adultos que pensam já não ter nada para aprender, não tenham paciência para "gastar" tantas horas em frente a um computador, como fazem os seus filhos.
Muitos pais têm ainda "medo" do computador, e do uso que os seus filhos possam fazer dele, não se lembrando que se quiserem podem aprender a trabalhar com ele, desenvolvendo actividades bastante divertidas com a sua família, no entanto, é preciso que tanto pais como filhos estejam dispostos a ensinar e aprender uns com os outros. "Não necessito de saber de tecnologia. Necessito apenas de saber que ela funciona para mim e para a minha família."(Papert, 1996:32)
"A presença do computador irá indubitvelmente modificar as vidas das crianças..." (papert, 1996:21)
Nos dias de hoje, está provado que as novas gerações se interessam cada vez mais por computadores, nem que seja apenas com intuito de jogar.
A meu ver, é positivo o facto das crianças aprenderem, desde a mais tenra idade a utilizar as tecnologias. Assim, a sua iniciação no mundo dos computadores, a aprendizagem das respectivas ferramentas é cada vez mais precoce, nem que seja pelo estilo Bricolage, logo, quando chegarem à fase adulta terão maiores conhecimentos acerca das tecnologias do que uma pessoa que as uitliza tardiamente.
Por último, é de referir que as crianças de hoje têm a tarefa facilitada devida à evolução que a própria sociedade sofreu nos últimos 20 anos.
"Os pais ficam deliciados quando os filhos passam horas no computador em profunda concentração, mas sentem-se incomodados pelo carácter de dependência que essa experiência origina "(Papert, 1996:22)
Alguns pais dão imensa liberdade aos seus filhos, para que estes explorem a presença do computador, pensando que ficam mais instruídos e mais desenvolvidos intelectualmente. É verdade, mas a constante utilização sem controlo, pode trazer aspectos negativos. Quando os pais menos se apercebem os seus filhos estão "dependentes" dessas máquinas, e já ultrapassam as barreiras do espaço e da nacionalidade.
Com efeito, os progenitores devem estar atentos, e ser capazes de orientar os seus filhos durante a utilização dos computadores.
“Algo de importante está a afectar os nossos filhos”(Papert, 1996:28)
Este primeiro capítulo do livro A Família em rede, alerta-nos para a evolução abrupta que se tem verificado nos jovens de hoje, no que diz respeito à utilização do computador.
Antigamente, os métodos de aquisição e utilização do conhecimento por parte das crianças eram sujeitos a alterações, tornando-se assim, mais dependentes dos pais e educadores, menos espontâneos e menos experientes. Tal já não se verifica nos dias que correm, pois actualmente, valoriza-se mais o saber fazer em detrimento do saber mais.
A criança, como designa Rousseau, “é um ser com características próprias e construtora do seu próprio conhecimento”. É o caso de Ian, que Papert relata nas páginas 24 e 25. Uma criança extremamente nova, que lida com as tecnologias muito melhor do que muitos adultos. É esta a realidade dos nossos dias. As crianças começam a ter acesso às novas tecnologias cada vez mais cedo.
“A presença do computador irá indubitavelmente modificar a vida das crianças” (papert, 1996:26). Não só irá, como já está a modificar a vida dos jovens de hoje. Infelizmente, a maioria das crianças que pedem um computador, não o fazem para os ajudar nos trabalhos da escola, como dizem aos pais. A verdade é que esta nova tecnologia fascina muitos miúdos pelos jogos (quase sempre violentos) e pelo que se pode ver e fazer através da Internet (que mais uma vez, também disponibiliza jogos violentos). Esta é a realidade.
Será que os pais deveriam mesmo ficar deliciados, espantados e satisfeitos por os seus filhos compreenderem tão bem esta nova invenção? Ou deveriam estar mais preocupados com os perigos que ela envolve, em vez de satisfeitos com os benefícios?
Talvez os perigos de uma utilização abusiva do computador pudessem ser minimizados se os pais também tivessem mais disponibilidade para interagirem com os seus filhos, e para puderem aprender algo mais sobre esta tecnologia que chegou atrasada para eles. A verdade, é que o computador é visto, por muitos pais, como um “bicho papão” extremamente complexo para escrever um texto e até mesmo para ligar. Se os pais se revelassem interessados em aprender com os filhos, talvez os perigos fossem minimizados, e as relações parentais reforçadas.
Será que os pais não aceitam que também nós teremos algo para lhes ensinar?
Talvez se Lisa fizesse o tal esforço para aprender a lidar com o computador, como refere Papert, deixasse de sentir que esta tecnologia destruía aos poucos a sua família
É verdade que muitos pais não têm disponibilidade nem paciência para aprenderem a lidar com o computador. É verdade que por vezes são lentos demais a compreender um simples processador de texto, mas também nós só compreendemos porque “nascemos na era informática”. Lidamos com esta tecnologia desde pequenos, senão for em casa com os irmãos mais velhos ou com os pais que são obrigados a dominar o computador, é na escola (nas que os têm disponíveis) ou na casa dos amigos.
“Crianças ricas e pobres, com filhos de pais letrados e filhos de pais analfabetos (…) Em todos o lado vi o mesmo brilho nos seus olhos” (Papert, 1996:21)
Estas diferenças sociais contribuem muito para a não adaptação da "geração dos pais" às novas tecnologias. A forma como a sociedade esteve organizada durante décadas afastou a maioria da população das tecnologias empurrando-as, desde cedo, para o trabalho manual como forma de sustento.
Este é um problema mais ibérico, ou lusitano, uma vez que nos países nórdicos não se regista o mesmo, pois são muito mais desenvolvidos e ricos.
O papel dos pais perante a tecnologia e educação das crianças.
Este primeiro capítulo do livro "A familia em rede", não levanta debate acerca da liberdade vs. censura ou das crianças vs. adultos, mas fundamentalmente o mais importante é o facto da drástica mudança de aprendizagem e de todos os meios facilitadores desta mudança.
O que Papert sugere é uma integração de livre vontade e sem receios por parte dos pais de modo a que estejam de mãos dadas com a constante evolução das tecnologias, só assim é que a aprendizagem de estilo familiar terá futuro.
Se pensarmos na dificuldade que uma mãe sente na aquisição (presenciada por Papert) de um software educativo, percebemos que esta mãe não está integrada nem entende o que é melhor para o seu filho, mediante as ofertas disponíveis no mercado. Se eventualmente acompanhasse, brincasse, explorasse o software que compra para o seu filho deixaria de ter dúvidas quanto ao seu investimento.
Por último, deixo-vos uma questão que para mim está implicita neste primeiro capítulo:
- Não será esta geração sedenta de cultura?
- Não estarão os pais cada vez mais absorvidos nos seus problemas terrenos e materialistas, deixando muitas vezes a aprendizagem dos seus filhos em mãos alheias?
Na minha opinião os pais deveriam dedicar-se um pouco mais à aprendizagem das suas crianças, futuros adultos do amanhã, que na infância mais do que em qualquer outra altura, necessitam do seu apoio e compreensão.
O “amor” entre crianças e computadores é universal....
Não se pode dizer que dependa da cultura nem do estatuto social, pois as crianças vibram em frente a um computador pois nele podem “mandar”, é um universo só deles.
Mais uma vez, para variar, os pais nunca estão satisfeitos com nada, pois se por um lado querem que os filhos evoluam, por outro lado receiam essa evolução. A ideia é que os filhos sejam os melhores mas sempre sem ser melhor que eles.
Para aceitar essa mudança, terão que entender que a educação dos filhos não depende apenas da educação familiar que recebem, antes pelo contrário, cada vez mais as crianças estão a adquirir conhecimentos fora do seio familiar e independentemente dos adultos, pois cada vez mais estão a surgir meios de informação apoiados pelas Novas Tecnologias e cada vez mais cedo estão a aprender a lidar com elas.
Já os adultos, na maioria das vezes agarram-se ás suas tradições e não conseguem acompanhar o ritmo de aprendizagem efectuado pelos seus filhos, perdendo desta forma alguma credibilidade para as crianças e adolescentes que sentem que eles estão “ultrapassados”.
Existem adultos – caso da Lisa – que subestimam as suas capacidades tecnológicas e preferem não tentar utiliza-las para não falharem e não sentirem a sensação de derrota frente aos seus filhos.
Depois existem adultos – como o Ron – que utilizam os seus conhecimentos informáticos mas que entram em pânico quando se lhes fala de um conceito que ainda não dominam.
Já no caso das crianças, as palavras que desconhecem vêem trazer-lhes novos desafios e vontade de aprender, já que a ideia final é dominar tudo o que se relacione com a computação.
Neste livro Papert tenta dar confiança suficiente aos pais para aprenderem a usar os seus conhecimentos sem receio de falhar, já que para aprender, é necessário reconhecer os erros e tentar novamente.
O que ele sugere é uma ajuda mútua entre pais e filhos, a realização de actividades conjuntas é uma boa forma de se apoiarem e aprenderem uns com os outros. Isso vai promover a confiança dos pais e a responsabilidade das crianças.
A liberdade é hoje em dia essencial ao ser Humano. Só que ela so faz sentido se usada com critério e responsabilidade.
Quando nos ligamos a uma maquina, como o computador, e este dispõe de ferramentas como a Internet, a liberdade total com a qual a criança se depara pode ser uma manifestação de uma das possíveis atitudes negativas dos seres Humanos. A Internet se usada educacionalmente, introduz uma espécie de Educação em Liberdade, isto é, o aluno ou a criança no seu lar ou na escola tem total liberdade de, através da rede, ter o acesso a informações variadas. No entanto, essas podem não ser próprias para a sua maturidade ou ambiente em que está inserido. Em casa ou na escola a educação é contextual, ou seja, apropriada a quem a recebe por meio de orientações dos pais ou professores.
Num outro prisma, nos deparamos com outro problema....a Internet exige um esforço de auto-controle dado que é preciso que a pessoa que navega se concentre e pense, para pesquisar e retirar apenas aquilo que lhe é util, evitando perder-se por sites ou locais interactivos perniciosos.
Estes dois problemas, o da liberdade e o do auto-controle, forçam crianças e jovens a se comportar como adultos, dão o contributo para o "desaparecimento da infância" e da juventude, a que Phillipe Aries se refere.
Papert diz que muitas vezes surgem problemas que não podem ser respondidos por exploração directa: ou se imagina a resposta, ou se pergunta ou se fica a espera que ela apareça. Assim, pouco a pouco, as formas que a criança tem de adquirir conhecimentos e de os utilizar são sujeitas a alteração, tornando-se mais dependentes de outras pessoas e menos espontâneas. Esta mudança choca com o desenvolvimento do prazer de " fazer por si mesmo"(Seymour Papert,1996:23).
Aqui entra a Internet com um aspecto positivo: o de ajudar a esclarecer, pelo prazer de saber por si mesmo. A Internet é um espaço onde há "um acesso fá¡cil e flexível a informação e a realidades artificiais" sobre determinados assuntos (Seymour Papert,1996:26). Assim, será que estes problemas que o uso da Internet traz, não poderão ser resolvidos seguindo o principio educativo de Paulo Freire e ao qual Papert também pertence? Uma aprendizagem interactiva juntando pais e filhos não poderá prevenir os receios que os pais têm ao deixarem os filhos pertencerem à chamada "aldeia global" e diminuir os maus relacionamentos inter-pessoais? (exemplo de Lisa, capitulo I, Seymour Papert,1996:31)
Na introdução ao livro do Papert, nomeadamente na página 8, aparecem algumas personagens da história da educação que influenciam as ideias lá apresentadas. Os princípios educativos que veiculam A família em rede ligam para as pedagogias representadas por educadores bem conhecidos (Dewey, Pestalozzi, Freinet e Montessori).
Além, há mais outro que paga a pena lembrar neste momento. Trata-se do Paulo Freire. A dicotomia entre a educação bancaria e a educação libertadora acha um ponto de confrontação na relação entre o educando e o educador. Para Freire, o educador – educando é mesmo o educando – educador, pois ninguém educa a ninguém e ninguém se educa sozinho. (Freire, P. Pedagogía del oprimido, México, Siglo XXI, 1970)
Também o Papert faz parte deste princípio educativo quando diz que pais e filhos, filhos e pais, são capazes de entrar num processo interactivo de aprendizagem. É um feed-back que acrescenta as possibilidades de achegar os conhecimentos entre gerações à volta das tecnologias. Assim, as tecnologias passam a ser verdadeiras tecnologias educativas e, se calhar, tecnologias educadoras.
“O que é importante é usar os miúdos como um recurso e lembrar-se que eles estão ali para o ajudarem se lhes conceder oportunidade para tal, o que não significa que não esteja também a ajudar.” (Papert, 1997: 37)
Se adaptarmos o titulo do livro às nossas experiências do dia a dia, podemos considerar que nós somos a familia em rede, para descobrir, investigar, e aprender com este livro, de linguagem acessivel e clara.
Têm para já uma primeira questão para reflectir. Talvez possa dar pé a debate, vamos ver. Desculpem o meu português se alguma palavra não é a mais apropriada, ok?«Muxuk» (quer dizer beijinhos em Eusquera)
Diz o Papert que os computadores irão transformar a vida das crianças, mas há pais preocupados pelo acesso livre a conteúdos quaisquer.
À volta desta ideia a educação está a questionar o processo de crescimento das crianças, é dizer, a maneira como as crianças têm acesso aos mesmos conteúdos que os adultos embora uns e outros tenham diferentes percursos vitais e analisem a informação desde distintos esquemas de interpretação. Como mudam os processos de comunicação para fazer desaparecer a linha divisória entre as crianças e os adultos?
Philippe Aries tem aprofundado no estudo da história da infância. Para Aries, a infância não é uma categoria nem natural nem universal, embora uma construção sociocultural que emerge como categoria social quando são dadas às crianças qualidades específicas e diferenciadas do mundo dos adultos. Na altura da Idade Média surge assim a institucionalização das crianças e começa um processo de construção das figuras da infância. (Aries, Ph., El niño y la vida familiar en el antiguo régimen, Taurus, Madrid, 1987)
O que podem vir a questionar as tecnologias é precisamente a destruição desta categoria social diferenciada que fez das crianças uma população objectivada por um mercado económico próprio da sociedade de consumo interessado na procura de novos públicos. A possibilidade das crianças terem acesso global à informação produz o seu achegamento com a vida dos adultos. Assim como filhos e pais fazem zapping por toda a programação da TV, também fazem clik por toda a net. O resultado é que uns e outros têm acesso sem limites aos mesmos conteúdos, embora existam diferentes olhos para diferentes processos de maturidade.
A questão que emerge então são os filtros na net como solução mágica e reparadora, mas também é assim como morre o mito da liberdade sem censura na internet. Diz o Papert que “a maior liberdade de escolha alterará dramaticamente o modo como as crianças aprendem e se desenvolvem.” (1997: 25), mas os educadores e as educadoras havemos de reflectir à volta do conceito de liberdade de escolha.
Na aldeia global as crianças são educadas e domesticadas até os produtos globais. Mais produtividade não quer dizer mais diversidade. Ao contrário, a fantasma do imperialismo cultural amostra que a democratização cultural e a internacionalização do acesso à produção cultural fez diminuir a heterogeneidade e acrescentar a homogeneidade. Nesta altura, o domínio macro das multinacionais apresenta uma situação disparatada onde o poder está a hiperconcentrar-se através das megafusões e das alianças empresariais.
Liberdade vs. censura e crianças vs. adultos, dois questões chave do uso das tecnologias e nomeadamente da internet.
Comecei hoje a ler o livro "Família em Rede!" Linguagem acessível, sim senhora! Leiam que me parece interessante! Foi o que me pareceu pela leitura da Introdução e do Prefácio! Beijinhos, Isabel
Este Blog tem como objectivo permitir a reflexão que os alunos vão fazer sobre o uso das TIC em Educação com base na leitura do livro A Família em Rede de Seymour Papert.